Segundo a Wikipedia, a palavra “alquimia que vem do árabe (اَلْكِيمِيَاء; transl. al-kīmiyā;) é uma teoria científica obsoleta, também considerada
uma pseudociência, desenvolvida na Idade Média.
Esta possuía quatro objetivos principais, relacionados ao misticismo e ao oculto.
Apesar de não ter se originado neste período, por vezes, a alquimia é considerada
a "química da Idade Média". Popularmente, a alquimia está relacionada
com a transmutação, a modificação duma coisa noutra, indo no seu extremo à obtenção
do elixir da longa vida.
Talvez assim que compreenda o nome do novo restaurante que existe no Bairro do Chinelo em Queluz, mesmo em frente do palácio, mandado construir pelo primeiro Marquês de Castelo Rodrigo, D. Cristóvão de Moura, e mais tarde mandado ampliado como um retiro de verão por D. Pedro de Bragança. Após o incêndio da Real Barraca da Ajuda, em 1794, o Palácio de Queluz torna-se residência oficial da rainha D. Maria I e, posteriormente, dos príncipes regentes D. João VI e D. Carlota Joaquina.
Deixemos a História e voltemos ao nome. No restaurante , que também responde
pelo nome de Alkimia, Restaurante e Bar de Vinhos, Alkimia Wine Lounge Palace, o chef José Freitas faz a alquimia dos
sabores, faz a fusão dos nossos sabores tradicionais com sabores de outras terras.
Depois de ter aberto o
Alkimia Wine Lounge em Évora,
José Freitas abre um restaurante com o mesmo conceito no local privilegiado de Queluz
e com o mesmo conceito: petiscos para partilhar.
Como vem na ementa, um conjunto de folhas amareladas que mostram que já foram bem
estudadas por outros comensais, “o nosso menu é uma homenagem à patilha de sabores,
composto por iguarias confecionadas com paixão”
Aliás assim que nos sentamos,
os empregados explicam que os pratos podem e devem ser partilhados. É o verdadeiro
sentido do estar à mesa: partilha de pratos e de conversas. Como escreve na sua
apresentação, o objetivo é proporcionar prazer, através da sua escolha cuidada de vinhos e comidas, de uma
forma elegante e divertida.
A ementa está dividida
de modo original: “Com fome vai à mesa“, que poderia corresponder ao couvert habitual, “Aconchego”, as entradas, ”Aos apetites”, pratos, ou “o doce que nunca amargou”., a sobremesa.
Não queríamos comer muito, por isso saltámos o “Com fome vai
à mesa“. As dúvidas surgiram com a oferta do “Aconchego” e “Aos apetites”. Que escolher?
A leitura das propostas fez-nos logo salivar. Por fim, decidimo-nos por um Tártaro
de atum com pera abacate, que é servido com tostinhas feitas de pão alentejano.
Para quem é fã de pão alentejano, quase que poderíamos ter ficado pelas tostinhas…
Mas ainda que avançámos para o tártaro de atum que vem para a mesa, tal como no
bife tártaro, com uma gema de ovo crua, que é elegantemente misturada com o atum
e os cubos de pera abacate pela empregada. O ligeiro picante dá-lhe o toque de mestre.
Seguiram-se os folhadinhos,
bem crocantes, de alheira com queijo e um molho agrodoce que cortava o eventual
enjoativo da alheira. Ficámos com o olho no Torricado de cogumelos à Bulhão
Pato que iremos experimentar numa próxima visita.
Como prato principal, pedimos, após longa discussão e indecisão, os secretos de porco preto com migas de farinheira e gomos de laranja para cortar a gordura. Para uma próxima prova da alquimia de José Freitas, iremos à Tiborna de cachaço de porco e para as Bochechas de vitela estufadas e polenta cremosa, que nos deixaram curiosos.
Os vinhos são escolhidos
pelo enólogo Paulo Laureano, que já há vários anos está ligado ao local onde funciona
o restaurante. Não há um “vinho da casa”. Para acompanhar os nossos petiscos,
foi-nos aconselhado o Paço do Conde, um vinho produzido na herdade do mesmo nome,
em Baleizão, no Baixo Alentejo, perto do Guadiana. Este vinho, de duas castas (Touriga
Nacional e Shyrah), é servido ao copo, ou
à uma garrafa, e casou bem com a nossa escolha de comida.
Apesar de muito gulosos,
as sobremesas não nos atraíram. Ficámos, porém, ali sentados a olhar o palácio e
as casinhas do Bairro do Chinelo e a pôr a conversa em dia enquanto terminávamos
o vinho. No futuro, Paulo Laureano planeia trazer a Queluz produtores de vinho para
dar a conhecer diversas das diversas regiões portuguesas e que bem acompanharão
as alquimias de sabores que sairão da cozinha de José Freitas.
Alkimia Wine Lounge Palace
Largo Palácio 11, 2745-191
Tel.: 912 616 199
Email: alkimiawinelounge@gmail.com