domingo, 7 de julho de 2024

Alkimia em Queluz


  

Segundo a Wikipedia,  a palavra “alquimia que vem do árabe (اَلْكِيمِيَاء; transl. al-kīmiyā;) é uma teoria científica obsoleta, também considerada uma pseudociência,  desenvolvida na Idade Média. Esta possuía quatro objetivos principais, relacionados ao misticismo e ao oculto. Apesar de não ter se originado neste período, por vezes, a alquimia é considerada a "química da Idade Média". Popularmente, a alquimia está relacionada com a transmutação, a modificação duma coisa noutra, indo no seu extremo à obtenção do elixir da longa vida.


Talvez assim que compreenda o nome do novo restaurante que existe no Bairro do Chinelo em Queluz, mesmo em frente do palácio, mandado construir pelo primeiro Marquês de Castelo Rodrigo, D. Cristóvão de Moura, e mais tarde mandado ampliado como um retiro de verão por D. Pedro de Bragança. Após o incêndio da Real Barraca da Ajuda, em 1794, o Palácio de Queluz torna-se residência oficial da rainha D. Maria I e, posteriormente, dos príncipes regentes D. João VI e D. Carlota Joaquina.

Deixemos a História e voltemos ao nome. No restaurante , que também responde pelo nome de  Alkimia, Restaurante e Bar de Vinhos, Alkimia Wine Lounge Palace, o chef José Freitas faz a alquimia dos sabores, faz a fusão dos nossos sabores tradicionais com sabores de outras terras.

Depois de ter aberto o Alkimia Wine Lounge em Évora, José Freitas abre um restaurante com o mesmo conceito no local privilegiado de Queluz e com o mesmo conceito:  petiscos para partilhar. Como vem na ementa, um conjunto de folhas amareladas que mostram que já foram bem estudadas por outros comensais, “o nosso menu é uma homenagem à patilha de sabores, composto por iguarias confecionadas com paixão”

Aliás assim que nos sentamos, os empregados explicam que os pratos podem e devem ser partilhados. É o verdadeiro sentido do estar à mesa: partilha de pratos e de conversas. Como escreve na sua apresentação, o objetivo é proporcionar prazer, através da sua escolha cuidada de vinhos e comidas, de uma forma elegante e divertida.



A ementa está dividida de modo original: “Com fome vai à mesa“, que poderia corresponder ao couvert habitual,  “Aconchego”, as entradas, ”Aos apetites”, pratos,  ou “o doce que nunca amargou”., a sobremesa.

Não queríamos  comer muito, por isso saltámos o “Com fome vai à mesa“. As dúvidas surgiram com a oferta do “Aconchego” e “Aos apetites”. Que escolher? A leitura das propostas fez-nos logo salivar. Por fim, decidimo-nos por um Tártaro de atum com pera abacate, que é servido com tostinhas feitas de pão alentejano. Para quem é fã de pão alentejano, quase que poderíamos ter ficado pelas tostinhas… Mas ainda que avançámos para o tártaro de atum que vem para a mesa, tal como no bife tártaro, com uma gema de ovo crua, que é elegantemente misturada com o atum e os cubos de pera abacate pela empregada. O ligeiro picante dá-lhe o toque de mestre.



Seguiram-se os folhadinhos, bem crocantes, de alheira com queijo e um molho agrodoce que cortava o eventual enjoativo da alheira. Ficámos com o olho no Torricado de cogumelos à Bulhão Pato que iremos experimentar numa próxima visita.



Como prato principal, pedimos, após longa discussão e indecisão, os secretos de porco preto com migas de farinheira  e gomos de laranja para cortar a gordura. Para uma próxima prova da alquimia de José Freitas, iremos à Tiborna de cachaço de porco e para as Bochechas de vitela estufadas e polenta cremosa, que nos deixaram curiosos.  


 

Os vinhos são escolhidos pelo enólogo Paulo Laureano, que já há vários anos está ligado ao local onde funciona o restaurante. Não há um “vinho da casa”. Para acompanhar os nossos petiscos, foi-nos aconselhado o Paço do Conde, um vinho produzido na herdade do mesmo nome, em Baleizão, no Baixo Alentejo, perto do Guadiana. Este vinho, de duas castas (Touriga Nacional e Shyrah),  é servido ao copo, ou à uma garrafa, e casou bem com a nossa escolha de comida.

Apesar de muito gulosos, as sobremesas não nos atraíram. Ficámos, porém, ali sentados a olhar o palácio e as casinhas do Bairro do Chinelo e a pôr a conversa em dia enquanto terminávamos o vinho. No futuro, Paulo Laureano planeia trazer a Queluz produtores de vinho para dar a conhecer diversas das diversas regiões portuguesas e que bem acompanharão as alquimias de sabores que sairão da cozinha de José Freitas.

Alkimia Wine Lounge Palace

Largo Palácio 11, 2745-191

Tel.: 912 616 199

Email: alkimiawinelounge@gmail.com