O setor do turismo nacional assistiu a um dos momentos mais aguardados da última década. A ANA — Aeroportos de Portugal / Vinci Airports entregou ao Ministério das Infraestruturas e Habitação o Relatório Técnico do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL), projetado para o Campo de Tiro de Alcochete.
Sob a denominação Aeroporto Luís de Camões, a nova infraestrutura promete transformar radicalmente o panorama da aviação e da acessibilidade turística em Portugal, respondendo ao esgotamento operacional do Aeroporto Humberto Delgado.
O relatório técnico apresenta uma visão ambiciosa e de grande escala para a nova porta de entrada no país. Com um investimento global estimado entre 7,9 e 8,9 mil milhões de euros, o aeroporto está desenhado para acolher 56 milhões de passageiros por ano na fase de abertura, podendo expandir-se progressivamente até aos 85 milhões.
O projeto prevê duas pistas paralelas, 64 portas de embarque, 72 pontes de contacto e um terminal de passageiros com cerca de 500 mil metros quadrados. O edifício terminal foi desenhado sob rigorosos critérios de eficiência energética e neutralidade carbónica.
Uma ligação ferroviária direta ligará o novo aeroporto ao centro de Lisboa em apenas 20 minutos.
Impacto estratégico no setor turístico
Para os profissionais e operadores do turismo, a concretização do Aeroporto Luís de Camões representa o fim de um estrangulamento histórico. Há vários anos que a capacidade limitada da Portela condicionava o crescimento de rotas internacionais e a atração de novas companhias aéreas.
A nova infraestrutura consolidará Lisboa como um dos principais hubs atlânticos da Europa, reforçando a ligação com as Américas, África e abrindo margem para a expansão de rotas de longo curso provenientes da Ásia.
Além da capital, a localização em Alcochete impulsionará o desenvolvimento de novos polos turísticos na Margem Sul, na região do Alentejo e no vale do Tejo, promovendo a descentralização dos fluxos turísticos e valorizando o património natural e gastronómico do interior.
Calendário e Próximas Etapas
Embora o relatório técnico marque o encerramento do planeamento de engenharia preliminar, o processo segue um calendário bem definido:
2026 (Julho) ➔ Entrega do Relatório Técnico e do Estudo de Impacte
Ambiental (APA)
2027 (Janeiro) ➔ Apresentação do Relatório Financeiro e Modelo de
Concessão
2029 ➔ Início previsto das obras de construção
2035 – 2037 ➔ Entrada em operação e abertura ao tráfego comercial
O Governo e a concessionária trabalham agora no enquadramento financeiro e na revisão contratual, com o objetivo de otimizar os prazos de execução e garantir que o projeto cumpra os mais elevados padrões de competitividade.
A entrega deste relatório confirma que a transição aeroportuária em Lisboa deixou de ser um debate teórico para se tornar um projeto em marcha. Para hotéis, agências de viagens, companhias aéreas e serviços de hospitalidade, o horizonte a médio e longo prazo ganha finalmente previsibilidade.
O Aeroporto Luís de Camões posiciona Portugal não apenas como um destino maduro de excelência, mas como uma plataforma global preparada para responder às exigências do turismo do século XXI.
