segunda-feira, 13 de julho de 2026

Quinta Lusitânia: A visão de uma médica veterinária transformada num refúgio único em Portugal

 

Nascer do sol na Quinta Lusitânia

No coração das suaves colinas do centro de Portugal, na histórica aldeia de Couto do Mosteiro, junto a Santa Comba Dão, existe um lugar onde o tempo parece correr mais devagar. Chama-se Quinta Lusitânia e é o resultado perfeito da fusão entre a hospitalidade de charme, a paixão pela natureza e uma profunda ligação ao mundo equestre.

Christina Igler a cavalo


Nascido em 2018, este projeto singular foi idealizado por Christina Igler, médica veterinária alemã especializada em medicina dentária equina e amazona há mais de 30 anos. A sua visão foi clara desde o início: erguer um refúgio de tranquilidade onde o bem-estar e o respeito pelos cavalos fossem a prioridade absoluta.

Na Quinta Lusitânia, os cavalos — das raças Lusitano ao Puro Sangue Espanhol (PRE) — não são vistos sob a ótica da performance desportiva, mas sim através de uma relação baseada na confiança, comunicação subtil e vivência em liberdade e comunidade.

 

História, multiculturalidade e hospitalidade de charme

Christina Igler e Miguel Baumgartner


O projeto ganha ainda mais vida com a parceria entre Christina e o seu companheiro, Miguel Baumgartner. Analista de política internacional e geopolítica, Miguel traz para a quinta a sua vasta experiência multicultural e o domínio de várias línguas, complementando o conhecimento técnico e a paixão de Christina com uma visão global e de aproximação entre culturas.



Juntos, recuperaram uma casa senhorial com mais de 200 anos de história, combinando o carácter original da arquitetura com o conforto moderno. Hoje, o espaço funciona como um ecossistema completo de turismo de charme, que inclui alojamento de alta qualidade em ambiente familiar e sereno, escola de equitação e centro equestre focado em horsemanship e respeito pelo animal, experiências personalizadas, desde passeios a cavalo pela paisagem envolvente a programas equestres feitos à medida e espaço para eventos rodeado por jardins e árvores centenárias.

Suite Condessa


Pequeno -almoço


Seja para amantes da equitação que procuram uma abordagem mais consciente e ética, ou simplesmente para viajantes que desejam desligar da rotina e ligar-se com a natureza no centro de Portugal, a Quinta Lusitânia é mais do que um destino de férias. É um projeto de vida partilhado que abraça quem o visita com uma autenticidade inesquecível.

Gostava de viver esta experiência na primeira pessoa?

Localização: Couto do Mosteiro, Santa Comba Dão, Portugal.

Ideal para fugas de fim de semana, turismo equestre ético, retiros de bem-estar e turismo de natureza em família.



 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Nossa Senhora da Penha em Portalegre: Devoção e romaria com vista deslumbrante

Capela de Nossa Senhora da Penha, em Portalegre

 

A Capela de Nossa Senhora da Penha, erguida no cume da colina que flanqueia a zona oeste de Portalegre, é um dos segredos mais bonitos do Alto Alentejo. Trata-se de um monumento repleto de espiritualidade e de uma beleza arquitetónica singular que se funde de forma perfeita com a paisagem natural circundante, que pode observar balouçando-se com a cidade aos seus pés.







Classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1983, a Capela de Nossa Senhora da Penha, erguida no cume da colina na zona oeste de Portalegre, oferece uma das vistas panorâmicas mais deslumbrantes sobre toda a cidade de Portalegre e sobre a região.

A história deste templo remonta ao início do século XVII. Por volta de 1620, um eremita local decidiu construir uma pequena ermida no cume do monte. O local de difícil acesso rapidamente se tornou um ponto de recolhimento espiritual.

Anos mais tarde, motivado pela forte devoção mariana da região, o então corregedor de Portalegre, João Zuzarte da Fonseca, determinou a demolição da estrutura primitiva para dar lugar a um templo maior e mais imponente. As obras da atual capela decorreram ao longo das décadas seguintes, ficando concluídas na primeira metade do século XVII. Mais tarde, por volta de 1675, a administração do espaço passou a estar ligada aos religiosos Agostinhos Descalços.

O acesso ao santuário reflete o próprio espírito de peregrinação. Os mais devotos podem subir a enorme escadaria de mármore. Quem não tiver forças para tal, pode ir de carro…

Visualmente, a fachada principal destaca-se pelo forte contraste cromático barroco, com linhas estruturais realçadas a azul sobre o fundo branco tradicional alentejano. Quatro grossas pilastras-contraforte sustentam a cornija, culminando num frontão triangular clássico que ostenta um óculo central e um campanário tradicional.

Em maio, o local anima-se com a tradicional romaria e as festividades religiosas. Fiéis e locais sobem a colina em procissão, cumprindo promessas e renovando uma devoção com séculos de existência.

O templo do bom comer em Portalegre

 


Quando José Régio escreveu a famosa Toada a Portalegre — “Portalegre, cidade do Alto Alentejo, cercada de serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros...”—, não havia ainda o restaurante Tombalo
bos. Penso que, se este já tivesse existido, o grande poeta português teria dedicado pelo menos um poema a este verdadeiro templo do bom comer, onde a identidade alentejana se senta à mesa com a máxima dignidade.

Situado junto ao histórico Arco do Bispo, num antigo convento de freiras clarissas, o Convento de Santa Clara, o restaurante nasceu em 2002 pelas mãos da família Vintém. O espaço em si é uma viagem no tempo. Os tetos em arco feitos de tijolo burro, a pedra exposta e a iluminação acolhedora convidam a que aí se fique a gozar o ambiente. Ali, o tempo corre mais devagar. O serviço, dotado de uma grande simpatia e profissionalismo, faz-nos sentir imediatamente em casa.

A cozinha, atualmente nas mãos do portalegrense de gema José Júlio Vintém, o cozinheiro que se tornou um verdadeiro embaixador da gastronomia da região, faz valer a pena, por si só, qualquer viagem a esta cidade do Alto Alentejo. José Júlio Vintém não se limita a cozinhar; ele interpreta a paisagem, a caça, as ervas aromáticas e os saberes antigos, elevando-os à categoria de arte. Como se pode ler no portal do restaurante, "na sua cozinha, José Júlio elege por excelência os produtos alentejanos, aos quais junta a riqueza dos ingredientes e condimentos próprios de cada estação do ano. Inspirado na tradição ancestral apresenta-nos uma cozinha de base bem tradicional com algumas inovações e criações. Acredita ainda que o seu segredo está em cozinhar com simplicidade respeitando os aromas e sabores de cada produto."


Cozido de grão


Voltámos mais uma vez ao Tombalobos para comer o fantástico Cozido de Grão Alentejano, que parecia um poema moldado pelo fogo brando. Rico, reconfortante e com o caldo apurado e aromatizado pela hortelã, trazia a alma dos campos alentejanos num equilíbrio perfeito entre o grão tenro, as carnes de porco de qualidade e os enchidos tradicionais da região. É a verdadeira cozinha de panela e a herança das nossas avós.


Cação frito com migas de coentros


Hoje, de manhã, ouvi, fortuitamente, alguém falar de cação frito. Fiquei logo com muito vontade de voltar a comer este prato bem alentejano. Por sorte, havia na ementa do Tombalobos Cação frito com migas de coentros. Não pensei duas vezes. Pedi e estava divinal. O cação, completamente sem espinha central, vinha cortado em pedacinhos pequeninos e apresentava-se incrivelmente bem feito: uma crosta estaladiça por fora e uma carne muito branca que se desfazia na nossa boca, num contraste perfeito com os coentros e o aveludado das migas.

Para encerrar esta sinfonia de sabores, terminámos a refeição com o  Torrão Real. Este doce, um bolo rico de amêndoa e ovos que antigamente saía das mãos sábias e pacientes das freiras dos conventos da região, é o remate perfeito. Com a humidade certa e doçura equilibrada, honra o receituário da doçaria conventual que outrora habitava aquelas mesmas paredes.

O TombaLobos não é apenas um restaurante; é uma paragem obrigatória para quem procura a essência do Alto Alentejo. José Régio cantou a cidade em versos; José Júlio Vintém canta-a no prato. E que belo dueto eles fariam.

domingo, 5 de julho de 2026

O charme genuíno do restaurante Poeiras: Um refúgio alentejano em Portalegre

Entradas do restaurante Poeiras, em Portalegre

Há lugares que guardam a verdadeira essência da gastronomia portuguesa, onde o tempo parece correr mais devagar e cada refeição conta uma história de tradição e dedicação. Em Portalegre, no coração do Alto Alentejo, o restaurante Poeiras destaca-se como um desses tesouros discretos, mas intemporais. Mais do que um espaço para almoçar ou jantar, é um ponto de encontro com o conforto da comida caseira e com a arte da hospitalidade em estado puro.

 A alma da casa: a simpatia de quem sabe acolher 

Ao cruzar a porta do Poeiras - às vezes até mesmo à porta - , há um elemento que transforma imediatamente a experiência de qualquer cliente: a presença de Alexandre. Funcionário da casa há 16 anos, é o verdadeiro motor deste espaço e um exemplo vivo de dedicação. Com uma enorme simpatia que transborda no olhar e nas palavras, assume um papel duplo que impressiona pela fluidez e mestria: tanto cozinha com paixão como serve à mesa com um sorriso. Esta versatilidade e o carinho acumulado ao longo de mais de uma década e meia de serviço criam uma atmosfera familiar única. Alexandre não se limita a registar pedidos; recebe os clientes como se fossem convidados de longa data na sua própria casa, garantindo que ninguém sai dali sem se sentir profundamente mimado.

Comida caseira com sabor a verdade

No Poeiras, a cozinha não segue modas passageiras nem facilitismos industriais. Ali, pratica-se a verdadeira comida caseira, feita de raiz, com paciência e respeito pelos ingredientes.

As entradas - azeitonas, queijo de ovelha e pão - deixaram-nos logo entusiasmados pelo que viria a seguir.


Fatias de perna de borrego grelhadas

O ponto alto da nossa visita foi um prato que honra as melhores tradições da região: as fantásticas fatias de perna de borrego grelhadas. A carne, cortada na perfeição, apresentava-se incrivelmente suculenta, com aquele toque fumado e tostado que só uma grelha bem manejada consegue conferir.

Para acompanhar, fomos brindados com um acompanhamento que hoje em dia é uma autêntica raridade nos restaurantes: batatas fritas verdadeiras! Longe dos pacotes de congelados que inundam a restauração moderna, no Poeiras as batatas são descascadas e cortadas à mão e fritas no ponto perfeito, resultando num equilíbrio divinal entre o crocante e o macio.

A acompanhar este monumento de batata frita, veio ainda para a mesa um arroz solto e uma salada fresca, temperada com o equilíbrio exato, ideal para cortar a riqueza da carne de borrego. E não esqueçamos o piri-piri artesanal, delicioso. 


Piri-piri artesanal

O final perfeito: o pudim 

Para fechar a refeição com chave de ouro, a escolha da sobremesa recaiu sobre um clássico da doçaria conventual portuguesa: o Pudim de Abade de Prisco. Com a textura sedosa que lhe é característica, o equilíbrio perfeito de açúcar e aquele toque inconfundível que derrete na boca, o pudim foi o remate de ouro para um repasto memorável.

O restaurante Poeiras, em Portalegre, é a prova de que o segredo do êxito na restauração assenta na simplicidade, na qualidade dos produtos e no fator humano. Se procura comida honesta, batatas fritas reais e um atendimento liderado pela dedicação incansável de Alexandre, este é um destino obrigatório no Alto Alentejo. Uma experiência que alimenta o corpo e conforta a alma.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Viagem à Normandia - dia 5: Monte Saint Michel

 


O Monte Saint-Michel é um dos locais mais mágicos e fotografados do mundo, situando-se na fronteira entre a Normandia e a Bretanha. É uma ilha rochosa coroada por uma abadia medieval, cercada por uma baía que é o palco das marés mais altas da Europa.


O Fenómeno das Marés

O Monte Saint-Michel torna-se uma ilha completa apenas durante as marés vivas (coeficiente superior a 90). Nestes dias, a água rodeia totalmente o rochedo por cerca de uma hora. 

No entanto, a diferença entre a preia e a baixa mar é enorme. A maré sobe "à velocidade de um cavalo a galope" e existem zonas de areia movediça. 





A Abadia do Monte Saint-Michel

A Abadia do Monte Saint-Michel, frequentemente chamada de "Maravilha do Ocidente", é o coração da ilha. Construída a partir do século X, é um prodígio da arquitetura medieval, com as suas salas góticas empilhadas sobre a rocha. É o ponto mais alto e sagrado do rochedo. Mais do que um monumento, é um prodígio de engenharia que sobreviveu a guerras, cercos e à própria natureza durante mais de mil anos.


A história começa em 708, quando o Arcanjo Miguel terá aparecido em sonhos ao bispo Aubert de Avranches, ordenando a construção de um santuário.

No século X, os monges beneditinos estabeleceram-se ali. Após a Revolução Francesa, a abadia foi ironicamente transformada numa prisão (conhecida como a "Bastilha do Mar"), antes de ser restaurada e declarada Monumento Histórico em 1874. Desde 1979, é reconhecida pela UNESCO pela sua importância cultural e arquitetónica.

A abadia é uma "pilha" de estilos que se adaptaram à forma cónica da rocha:

·         La Merveille (A Maravilha): É o nome dado ao conjunto gótico do lado norte (séc. XIII). Inclui o Claustro, um jardim suspenso entre o céu e o mar, e o Refeitório, onde os monges comiam em silêncio absoluto.

O claustro


·         Igreja Abacial: Mistura o estilo românico na nave com um coro em gótico flamejante (reconstruído após um desabamento em 1421).

·         Criptas: Como a igreja foi construída no topo de uma rocha estreita, foram erguidas várias criptas maciças para sustentar o peso da estrutura superior.

A cripta

·         Estátua de São Miguel: No topo da agulha da igreja, a 170 metros acima do nível do mar, encontra-se a estátua dourada do Arcanjo Miguel derrotando o dragão.



A Grande Rue

É a rua principal, estreita e íngreme - e a abarrotar de visitantes! -, que sobe até à abadia. Está repleta de casas do século XV e XVI, lojas de recordações e restaurantes, entre eles - a famosa Mère Poulard, onde ainda se prepara a omelete da em fogo de lenha segundo uma receita de 1888.

Tudo começou com Annette Poulard, uma cozinheira que abriu a sua estalagem com o marido. Naquela época, os peregrinos chegavam ao Monte cansados e com fome, dependendo das marés. Como os pratos principais demoravam a cozinhar, Annette teve a ideia de servir uma omelete gigante e fofinha, cozinhada rapidamente na lareira, para os confortar à chegada.

A sua fama cresceu tanto que o restaurante recebeu figuras como Claude Monet, Coco Chanel, Ernest Hemingway e inúmeros reis e presidentes.

A feitura da omelete é o grande espetáculo do restaurante. Ao passar-se pela porta na Grande Rue, podem ver-se os cozinheiros vestidos a rigor a bater os ovos em tigelas de cobre, seguindo um ritmo musical, antes de os colocarem em frigideiras de cabo longo sobre o fogo de lenha. O segredo está em bater as claras e as gemas de forma a criar uma textura de "soufflé" — muito leve, espumosa e com um sabor intenso a manteiga salgada da Normandia. É importante realçar que esta é uma experiência cara. Uma omelete pode custar entre 35€ e 45€. Muitos turistas consideram um "luxo necessário" para completar a visita ao Monte, enquanto outros acham excessivo para um prato de ovos.


Viagem à Normandia - dia 4: Paraquedistas, a Praia Utah e o Memorial Britânico





Sainte-Mère-Église é, sem dúvida, uma das localidades mais místicas da Normandia. Foi a primeira vila francesa a ser libertada pelos paraquedistas americanos na madrugada do Dia D e tornou-se mundialmente famosa pelo filme "O Dia Mais Longo". 

O Paraquedista na Torre (John Steele) 


A imagem mais emblemática de Sainte-Mère-Église é o boneco de um paraquedista pendurado na torre da igreja. 
Durante o salto noturno, o soldado John Steele (da 82ª Divisão Aerotransportada) ficou com o paraquedas preso nos ornamentos da torre. Ele ficou lá pendurado durante duas horas, fingindo-se de morto enquanto o combate decorria lá em baixo, antes de ser feito prisioneiro pelos alemães (mais tarde, conseguiu escapar  e juntar-se à sua unidade). 
Vale a pena entrar na igreja e ver os vitrais. Um deles mostra a Virgem Maria rodeada de paraquedistas a cair do céu — uma homenagem permanente aos libertadores. 

Vitral da igreja - Nossa Senhora rodeada por paraquedistas


Mesmo em frente à igreja, o Museu Aerotransportado é dedicado inteiramente aos paraquedistas das divisões 82ª e 101ª, podendo ver-se um planador Waco original (muito raro, pois eram feitos de madeira e lona) e um avião C-47 Dakota, o cavalo de batalha que lançou os paraquedistas. 

Praia Utah 


Praia Utah
Seguimos para a Praia Utah, a mais ocidental das cinco praias e a primeira a ser atacada pelas tropas americanas (4ª Divisão de Infantaria) na manhã de 6 de junho. A sua história é marcada por um "erro" de navegação que acabou por salvar centenas de vidas - um erro que foi uma sorte. Devido às fortes correntes e ao fumo dos bombardeamentos, os primeiros barcos de desembarque derivaram cerca de 2 km para sul do ponto previsto. Quando o General Theodore Roosevelt Jr. (filho do antigo presidente dos EUA) percebeu que estavam no local errado, percorreu a praia sob fogo e tomou uma decisão famosa: "Vamos começar a guerra mesmo a partir daqui!" Este erro tornou-se uma vantagem: o local onde desembarcaram por engano estava muito menos defendido do que o alvo original. Como resultado, Utah foi a praia com o menor número de baixas de todo o Dia D (cerca de 197 homens entre mortos e feridos). 


O apoio dos paraquedistas Utah Beach não pode ser explicada sem mencionar os paraquedistas das 101ª e 82ª Divisões Aerotransportadas (os "Screaming Eagles" e "All-American"). Eles saltaram durante a noite atrás das linhas inimigas para capturar as estradas que saíam da praia. Sem eles, a infantaria que desembarcava em Utah ficaria encurralada, pois a zona atrás da praia tinha sido inundada pelos alemães, criando pântanos intransitáveis. 
A captura de Utah era essencial para os Aliados tomarem o porto de Cherbourg, que era o único porto de águas profundas capaz de receber os grandes navios de abastecimento necessários para a libertação da Europa.

Restaurante Chez Arsène






Antes de seguirmos no nosso programa, parámos para almoçar no restaurante Chez Arsène, em Sainte-Marie-du-Mont, muito próximo do local histórico do desembarque em Utah Beach. É conhecido por combinar uma atmosfera acolhedora com uma cozinha que valoriza os produtos locais da Normandia. O espaço oferece um ambiente elegante e simultaneamente rústico, integrado no Domaine Utah Beach - um local tranquilo, ideal para relaxar após a visita aos monumentos da zona.
O menu foca-se na gastronomia regional francesa, com forte ênfase em grelhados e produtos frescos da época. 




Memorial Britânico da Normandia









Memorial Britânico da Normandia, localizado na vila de Ver-sur-Mer, é um dos mais recentes e impressionantes monumentos dedicados ao Dia D e à Batalha da Normandia. Foi inaugurado oficialmente a 6 de junho de 2021, no 77º aniversário da invasão.


Este é o único local na Normandia que reúne os nomes de todos os militares e civis que morreram sob comando britânico durante o verão de 1944. O projeto foi impulsionado pelo desejo dos veteranos britânicos de terem um memorial centralizado, semelhante aos memoriais americano (em Colleville-sur-Mer) e canadiano (em Juno Beach).

O memorial é composto por 160 colunas de pedra dispostas em torno de um grande pátio. Nelas estão gravados os nomes de 22 442 homens e mulheres que perderam a vida entre 6 de junho e 31 de agosto de 1944.

Situado numa colina com vista para Gold Beach, o local oferece um panorama deslumbrante sobre o canal da Mancha e permite ver, ao longe, os restos do porto artificial "Mulberry" em Arromanches.

Na entrada, destaca-se uma imponente escultura em bronze de três soldados britânicos a desembarcar, obra do escultor David Williams-Ellis.

Viagem à Normandia - dia 3: O setor americano, o Coração do Dia D

As cruzes brancas do cemitério americano

A Praia de Omaha é talvez o local mais famoso - e mais trágico - do Dia D. Foi aqui que as tropas americanas (1ª e 29ª Divisões de Infantaria) enfrentaram a resistência alemã mais feroz, resultando num número de baixas tão elevado que a praia ficou conhecida como "Omaha Sangrenta". 
 Diferente das outras praias, Omaha é rodeada por falésias altas. Os alemães da 352ª Divisão de Infantaria estavam posicionados no topo, com uma visão perfeita de tudo o que acontecia na areia. Muitos barcos de desembarque falharam o alvo devido às correntes. Tanques anfíbios afundaram-se antes de chegar à costa e o bombardeamento prévio falhou em destruir os bunkers alemães. Durante as primeiras horas, as tropas ficaram presas na areia, sob fogo intenso, sem conseguir avançar. Foi o General Norman Cota que proferiu a famosa frase: "Só há dois tipos de pessoas que vão ficar nesta praia: as que já morreram e as que vão morrer. Por isso, vamos sair daqui!" 








O Cemitério Americano da Normandia 
Situado na falésia sobre a praia, em Colleville-sur-Mer, o Cemitério Americano da Normandia é um local de uma solenidade absoluta. Contém as sepulturas de 9 387 soldados americanos, a maioria dos quais perdeu a vida durante o Dia D e as operações seguintes. As fileiras intermináveis de cruzes de mármore branco de Lasa, perfeitamente alinhadas sobre a relva verde com o oceano ao fundo, formam uma das imagens mais emblemáticas da Normandia. 
Um memorial que contém os nomes de 1 557 soldados cujos restos mortais nunca foram encontrados ou identificados. 
O Centro de Visitantes, localizado no cemitério, oferece uma excelente exposição com objetos pessoais, filmes e mapas que explicam a batalha em detalhe. 
Visitar a praia de Omaha é uma experiência emocionalmente forte, que contrasta a beleza natural da costa francesa com a memória de um dos momentos mais sombrios e corajosos da história moderna. 



Aqui repousam os restos mortais dos soldados alemães



O cemitério alemão

Depois de termos visto o cemitério americano e o memorial aos franceses, quisemos ver também o cemitério dos que estavam do outro lado da contenda. Podiam ser os "maus", mas mesmo esses morreram. Independentemente da ideologia, o custo humano foi devastador para ambos os lados.
O Cemitério Alemão de Orglandes, localizado na na península de Cotentin, é um dos principais locais para soldados alemães que morreram durante a Batalha da Normandia na Segunda Guerra Mundial.

Originalmente, o local serviu como um cemitério temporário estabelecido pelas tropas dos EUA após o Dia D em junho de 1944. Inicialmente, tanto soldados americanos como alemães foram enterrados aqui devido à necessidade prática de sepultamento rápido após os intensos combates na região de Cherbourg.

Após o fim da guerra, entre 1945 e 1946, os corpos dos soldados americanos foram transferidos para o cemitério de St. Laurent-sur-Mer (Omaha Beach). O Serviço Francês de Sepultamento utilizou então o espaço vazio para reunir soldados alemães que estavam em túmulos isolados ou pequenos cemitérios de campo nos arredores. O cemitério foi oficialmente inaugurado em setembro de 1961 pela Comissão Alemã de Túmulos de Guerra (Volksbund).

O cemitério abriga restos mortais de mais de 10 100 soldados alemães. O local é composto por 28 secções de túmulos dispostas num extenso relvado, marcadas por cruzes de pedra simples que ostentam nomes, postos e datas de nascimento/falecimento. Vários túmulos têm os restos mortais de dois ou mesmo três soldados. 

Diferente dos monumentais cemitérios americanos, Orglandes destaca-se pela sua simplicidade e serenidade, oferecendo um espaço para reflexão sobre o custo humano da guerra.


Pointe du Hoc

altas falésias
Antes de terminarmos o dias, passámos ainda por Pointe du Hoc, onde os rangers escalaram as falésias. 

Crateras de bombas dos aliados


A paisagem ainda está marcada pelas crateras das bombas; é um dos locais mais visuais da guerra. Pointe du Hoc é, visualmente, o local mais impressionante do Dia D. Trata-se de um promontório com falésias verticais de 30 metros de altura que se projeta no mar entre as praias de Omaha e Utah. Para os estrategos aliados, este era o lugar mais perigoso da Normandia e a missão para o capturar foi considerada quase "suicida".  O serviço de inteligência acreditava que os alemães tinham instalado ali seis canhões de 155 mm capazes de afundar navios em ambas as praias americanas. 

225 rangers americanos, liderados pelo Tenente-Coronel James Rudder, desembarcaram na base da falésia, para tentar escalá-la usando cordas, escadas de bombeiros e ganchos disparados por morteiros, e destruir os canhões. 

Bunker alemão
Bunker alemão

Sob fogo intenso e granadas lançadas do topo, os Rangers escalaram as paredes de pedra. Surpreendentemente, chegaram ao topo em apenas 15 minutos.Ao chegarem aos bunkers, os Rangers descobriram algo inacreditável: os canhões não estavam lá. Devido aos bombardeamentos aéreos constantes nos dias anteriores, os alemães tinham movido as armas para um pomar ali perto, substituindo-as por postes de madeira pintados para enganar os aviões de reconhecimento. Os Rangers acabaram por encontrar os canhões escondidos a cerca de 500 metros de distância e destruíram-nos com granadas térmicas. 

A parte mais difícil não foi a subida, mas manter a posição. Os Rangers ficaram isolados por dois dias, sofrendo contra-ataques constantes. Dos 225 homens que iniciaram o assalto, apenas 90 ainda conseguiam lutar quando os reforços finalmente chegaram. 

Hoje em dia, Pointe du Hoc é o único local onde o terreno foi deixado exatamente como estava em 1944. É uma visão surreal: o solo está cheio de crateras enormes e profundas, causadas pelos bombardeamentos navais dos couraçados. Podemos entrar em vários bunkers de betão retorcidos pelas explosões. No ponto mais avançado da falésia, existe um monumento em forma de adaga (símbolo dos Rangers) erguido sobre um bunker de observação alemão. 

A adaga, o símbolo dos rangers

Para relaxar de todas as fortes impressões do dia, jantámos num simpático restaurante de marisco em Port-en-Bessin, uma vila piscatória pitoresca entre as praias.