terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O desafio da ascensão aeroportuária: Navegando entre expectativas e realidade operacional

Lucio Rosseto e Lars Redeligx 

 

O setor da aviação atravessa um período de transformação sem precedentes. No recente painel sobre os crescentes desafios aeroportuários e a evolução das expectativas dos viajantes, líderes da indústria como Lars Redeligx, CEO do Aeroporto de Düsseldorf, e Lucio Rosseto, COO Regional para a Europa da Lagardère Travel Retail, debateram a urgência de uma mudança de paradigma. O consenso é claro: o passageiro moderno mudou, mas as estruturas que o sustentam ainda lutam para acompanhar o ritmo.

A vontade de viajar vs. o custo da conectividade

Lars Redeligx abriu o debate com uma observação fundamental: "As pessoas querem viajar". O desejo de mobilidade, seja por lazer ou negócios, permanece resiliente, superando até as previsões mais otimistas do período pós-pandemia. No entanto, este entusiasmo enfrenta uma barreira económica crescente. Segundo Redeligx, as taxas aeroportuárias são excessivamente altas, o que cria um entrave direto à competitividade dos hubs europeus.

O CEO utilizou o termo "Self-imposed disadvantages" (desvantagens autoimpostas) para descrever a situação na Alemanha e em partes da Europa. Ao sobrecarregar o setor com taxas de segurança elevadas, impostos sobre passagens e regulamentações ambientais unilaterais, os governos estão, na prática, a dificultar a vida das suas próprias infraestruturas. Quando os custos operacionais sobem, as companhias aéreas reduzem frequências e os passageiros procuram alternativas em hubs fora da União Europeia, onde as condições económicas são mais favoráveis.

A experiência do passageiro: Uma responsabilidade coletiva

Um dos pontos mais críticos discutidos no painel foi a fragmentação da experiência de viagem. Para o passageiro, o aeroporto é uma entidade única. No entanto, operacionalmente, é um mosaico de competências: polícia de fronteira, empresas de segurança privada, equipas de handling, companhias aéreas e retalhistas.

"Quando um passageiro tem um problema no controlo de segurança, ele não quer saber se a causa está na polícia, na falta de pessoal ou nas máquinas. Ele apenas não quer ter problemas. Ele quer passar rapidamente", relembrou Lars Redeligx

Esta afirmação resume o grande desafio da gestão aeroportuária moderna. A eficiência operacional tornou-se o principal KPI (indicador de desempenho) para a satisfação do cliente. Para que o passageiro tenha uma experiência de viagem global positiva, todos os setores têm de trabalhar juntos. A falta de comunicação entre a entidade que gere as filas (segurança) e a entidade que gere o fluxo comercial (retalho) pode arruinar a viagem de um cliente antes mesmo de ele chegar à porta de embarque.

Evolução do comportamento e adaptação do retalho

Lucio Rosseto, da Lagardère Travel Retail, trouxe a perspetiva do consumo para o debate. O comportamento dos passageiros está em constante evolução, impulsionado pela digitalização e por uma nova consciência de valor. O tempo que o passageiro passa no aeroporto — o chamado "dwell time" — já não é garantido. Se o controlo de segurança for lento e stressante, a disposição do passageiro para consumir no Duty Free ou nos restaurantes cai drasticamente.

A adaptação da oferta do aeroporto é, por isso, uma tarefa dinâmica. Rosseto explicou que os aeroportos de sucesso são aqueles que conseguem personalizar a experiência. Isso inclui:

  • Digitalização do retalho: Opções de "click & collect" onde o passageiro compra online e levanta a mercadoria na porta de embarque.
  • Oferta híbrida: Espaços que combinam trabalho, lazer e gastronomia de alta qualidade, respondendo às necessidades do viajante corporativo e do turista de lazer simultaneamente.
  • Agilidade na resposta: Utilizar dados em tempo real para ajustar a oferta. Se um voo para Seul está prestes a partir, a oferta linguística e de produtos naquele terminal específico deve refletir esse público.

O papel da digitalização e da desburocratização

Para resolver o dilema entre "taxas altas" e "necessidade de rapidez", a solução reside invariavelmente na tecnologia. A digitalização não é apenas uma conveniência; é o único caminho para a desburocratização.

A implementação de sistemas de biometria facial e controlo de segurança inteligente (CT Scanners que permitem manter líquidos e eletrónicos dentro das malas) é vital. Estes avanços permitem processar mais passageiros com menos atrito, reduzindo a necessidade de aumentos constantes nas taxas de segurança que Redeligx tanto critica.

Além disso, a burocracia documental tem de ceder lugar a processos digitais fluídos. O objetivo é criar um "caminho de menor resistência" do meio-fio à cabine do avião. Quando os processos são rápidos e flexíveis, o aeroporto torna-se mais competitivo, atraindo mais companhias aéreas e, consequentemente, diluindo os custos fixos.

Sustentabilidade e o futuro: Um equilíbrio delicado

O painel também abordou como a proteção ambiental se cruza com estas expectativas. Tanto os passageiros como as entidades reguladoras exigem voos mais limpos. No entanto, a descarbonização não pode ser um fardo solitário da aviação europeia. Como discutido por líderes alemães como Manfred Pentz e Stefan Schnorr, as regras têm de ser globais.

Se a Europa impõe quotas rígidas de SAF (Combustível Sustentável de Aviação) sem que o resto do mundo as acompanhe, o custo das passagens subirá, alimentando o ciclo de taxas altas que Lars Redeligx denunciou. A inovação tecnológica deve ser incentivada por políticas públicas que não penalizem a competitividade das empresas europeias.

Conclusão: Trabalhar em ecossistema

O futuro dos aeroportos depende da transição de "gestores de infraestruturas" para "orquestradores de ecossistemas". O sucesso não é medido apenas pelo número de aviões que aterram, mas pela fluidez com que o passageiro atravessa o sistema.

A colaboração entre aeroportos, fornecedores de retalho e autoridades políticas é o único caminho para superar os desafios atuais. É necessário:

  1. Baixar as taxas para manter a competitividade global.
  2. Digitalizar agressivamente para eliminar gargalos de segurança.
  3. Adaptar a oferta comercial às novas exigências de um viajante cada vez mais informado e impaciente.

A mensagem final do painel foi clara: o passageiro não quer saber de jurisdições ou problemas técnicos internos. Ele quer a liberdade de voar, com conforto, rapidez e a um preço justo. Aqueles que não conseguirem orquestrar esta sinfonia de serviços ficarão para trás num mundo cada vez mais conectado.

 

Descolagem digital: O futuro das viagens passa pela desburocratização e pela digitalização

 

Manfred Pentz falando na Cimeira da Aviação

A indústria da aviação está a viver um momento de viragem e o destino final é claro: uma viagem mais fluida, tecnológica e sustentável. Na última Cimeira AviationEvent, em Frankfurt, o debate foi dominado por dois conceitos que vão mudar a forma como todos viajamos: desburocratização e digitalização.

Frankfurt: Mais do que um hub, um motor de inovação

Se já passou pelo Aeroporto de Frankfurt, sabe que a sua magnitude é impressionante. Mas o aeroporto é muito mais do que pistas e terminais; é um dos maiores empregadores da região de Hesse. Atualmente, o grande destaque é a construção do Terminal 3. Longe de ser apenas uma obra, este é um investimento estratégico para garantir que a Europa não perde terreno para os gigantes do Médio Oriente e da Ásia.

Menos burocracia, melhores viagens

Stefan Schnorr


Ninguém gosta de taxas altas ou filas intermináveis. Stefan Schnorr (Secretário de Estado federal dos Transportes) e Manfred Pentz (Ministro dos Assuntos Federais e Europeus e da Desburocratização do Estado de Hesse) estão na linha da frente para mudar isto. A meta é clara:

  • Guerra à "selva" regulatória: Implementar a regra "one in, two out" (por cada nova lei, eliminam-se duas antigas) para tornar o setor mais ágil.
  • Taxas mais competitivas: Reduzir os custos operacionais e de segurança para que os bilhetes de avião não sofram aumentos asfixiantes.

A digitalização não é um luxo, é a solução para o passageiro moderno. Imagine um fluxo onde o papel desaparece e o tempo de espera é reduzido ao mínimo:

  • Biometria em tempo real: Sistemas de identificação que permitem atravessar o aeroporto com menos controlos físicos e mais rapidez.
  • Logística inteligente: Substituição de processos manuais por redes digitais para passageiros e carga.


Sustentabilidade: O sol como aliado

O aeroporto de Frankfurt está a dar o exemplo no caminho para as "emissões zero". No outono de 2025, entrou em funcionamento uma impressionante instalação fotovoltaica vertical com 37 000 módulos solares.

Além disso, a transição para o SAF (Combustível Sustentável de Aviação) já é uma realidade: a quota de mistura começou nos 2% e irá subir gradualmente. A mensagem dos líderes é justa: a proteção ambiental é essencial, mas as regras devem ser iguais para todos — da Alemanha à China — para garantir que a aviação europeia continue forte.


O próximo destino: Alianças globais

A ambição de Hesse atravessa continentes. Estão a ser reforçadas parcerias estratégicas com a Coreia do Sul e, em breve, com a Índia, atraindo tecnologia de ponta para melhorar a conectividade global.

O futuro da aviação desenha-se com processos mais rápidos, taxas mais baixas e um compromisso sério com o planeta. Quando a tecnologia resolve a burocracia, quem ganha é o viajante.

 

A inovação pode avançar apesar da regulação? O dilema digital nos céus e em terra

 

Painel sobre inovação e regulamentação


A indústria da aviação vive um paradoxo fascinante: é, simultaneamente, um dos setores mais tecnologicamente avançados do mundo e um dos mais rigidamente regulados. Esta foiuma das conclusóes a que se chegou na Cimiera de Aviação AviationEvent que teve lugar em Frankfurt, na Alemanha, no início de fevereiro,

Enquanto a inteligência artificial (IA) e a robótica prometem revolucionar desde a manutenção de pistas até à limpeza de terminais, uma teia complexa de normas, taxas e resistências psicológicas ameaça travar o ritmo do progresso. A questão que domina os conselhos de administração e os painéis de especialistas é urgente: poderá a inovação prosperar num ambiente onde a regulação parece ser, por definição, um travão?

A barreira invisível: medo e resistência

O primeiro obstáculo à inovação não é técnico, mas humano. "As pessoas são muito resistentes à mudança, têm medo do novo", observa-se frequentemente nos debates do setor. A regulamentação, em princípio, não é um inimigo; ela nasce da necessidade absoluta de segurança — o valor supremo da aviação. No entanto, o desafio surge quando o ritmo da lei não acompanha o ritmo da tecnologia.

Jürgen Krumtünger, Diretor Executivo da Prologis, é direto: "A regulação trava a inovação". Para este líder, o excesso de camadas administrativas cria um ambiente onde a experimentação é punida pela lentidão burocrática. Por outro lado, Dietmar Schneider, Diretor Global de Vendas da ADB SAFEGATE, procura um caminho de conciliação. Para este profissional, a chave reside em encontrar um "meio termo" entre a necessidade de segurança normativa e a urgência de implementar tecnologias que podem salvar o setor da estagnação económica.

Airside 4.0: A tecnologia que desafia os limites

A ADB SAFEGATE é, talvez, o melhor exemplo de como a inovação está a tentar "dar a volta" às limitações físicas e regulatórias. Como uma das maiores referências mundiais em infraestrutura aeroportuária, a empresa foca-se no "lado ar" (airside) — o ecossistema crítico onde o avião se move desde a aproximação até ao estacionamento.

A visão da empresa assenta no conceito Airside 4.0, uma tríade de segurança, eficiência e sustentabilidade que opera em quatro pilares fundamentais:

  1. Pista: Líderes em sistemas de iluminação LED inteligente (AGL), que permitem guiar pilotos em condições de visibilidade quase nula.
  2. Porta de embarque/placa: Através dos sistemas Safedock (DGS), os ecrãs digitais orientam o piloto para estacionar com precisão milimétrica, eliminando o erro humano e acelerando o desembarque.
  3. Torre de controlo: Software integrado que reduz o esforço manual dos controladores, unindo radares e sensores de pista.
  4. Serviços e software: O uso de análise de dados e IA para prever "engarrafamentos" no solo antes de eles ocorrerem.

Esta tecnologia tem um impacto económico direto: tempo no chão é tempo em que o avião não gera lucro. Ao acelerar a atracagem e reduzir os atrasos causados por nevoeiro ou tempestades, a inovação tecnológica está a fazer o trabalho que a burocracia muitas vezes impede: aumentar a rentabilidade sem comprometer a segurança.

Robots e IA: O caso da limpeza e os testes em Luton

Se no ar a tecnologia é sofisticada, nos terminais ela enfrenta barreiras igualmente complexas. Thomas Jessberger, gestor na Sasse Aviation, responsável pela limpeza de grandes aeroportos europeus, partilhou as dificuldades de implementar sistemas apoiados por IA.

Os testes com robots de limpeza realizados no Aeroporto de Luton revelaram que, embora a tecnologia estivesse pronta — beneficiando da proximidade geográfica da equipa de desenvolvimento no Reino Unido —, a regulamentação foi o maior entrave. Introduzir uma máquina autónoma num ambiente com milhares de passageiros imprevisíveis exige uma reescrita de normas de segurança que, muitas vezes, leva anos a ser aprovada.

A velocidade da mudança vs. a lentidão da lei

Esta desfasagem temporal é o ponto central da análise de Richard Maslen, Diretor de Análise do CAPA (Centro de Aviação), que realça que a aviação é uma indústria em movimento perpétuo, mas "leva muito tempo a mudar as regulamentações". O conselho do analista é pragmático: as empresas têm de trabalhar tentando "dar a volta" às regulamentações existentes, inovando dentro das margens possíveis enquanto pressionam por mudanças legislativas.

A indústria não pode esperar dez anos por um novo quadro normativo se a tecnologia de descarbonização ou de IA muda a cada seis meses. Como se viu no outono passado com as decisões do governo alemão para aumentar a posição da Alemanha como hub de transporte aéreo, há uma vontade política de simplificar, mas a implementação no terreno é lenta.

Desburocratização: A única rota de fuga

A necessidade de processos mais rápidos e flexíveis é um grito comum. No estado de Hesse, Manfred Pentz tem liderado a bandeira da desburocratização, entendendo que a sobrevivência do Aeroporto de Frankfurt e de outros hubs depende da eliminação de "desvantagens autoimpostas" (self-imposed disadvantages).

As taxas de aeroporto e de segurança são altas, em parte, devido à ineficiência de processos manuais e burocráticos. A digitalização de passageiros e de carga não é apenas um "luxo tecnológico"; é a ferramenta necessária para baixar a regulamentação física e, por consequência, reduzir as taxas que retiram competitividade à Europa face a regiões como a Ásia ou o Médio Oriente.

O caminho futuro: Equidade e colaboração

Para que a inovação avance verdadeiramente, a proteção ambiental e as regras de segurança têm de ser justas. A indústria exige as mesmas regras para todos — na Alemanha, na China ou na Índia. Se a regulação europeia for a única a ser rígida, a inovação fugirá para outros mercados.

A aviação do futuro será definida pela capacidade de política e sociedade trabalharem juntas. A implementação de SAF (Combustível Sustentável de Aviação), que este ano começa com 2% e aumentará gradualmente, exige uma infraestrutura de apoio que só a desburocratização pode acelerar.

Os participantes deste painel na Cimeira da Aviação AviationEvent, que teve lugar em Frankfurt, reconheceram que a inovação não só pode como tem de avançar apesar da regulação. O segredo reside na colaboração: os reguladores devem tornar-se facilitadores, e as empresas, como a ADB SAFEGATE ou a Sasse Aviation, devem continuar a provar que a tecnologia não é uma ameaça à segurança, mas sim a sua maior aliada. O Terminal 3 em Frankfurt é o símbolo desta visão: não é apenas um projeto de construção, é um investimento na competitividade de uma nação que recusa ficar para trás no tempo.

 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

SOLTRÓPICO LANÇA CAMPANHA "SOLOVERS" COM PRODUTO CHARTER

A Soltrópico, Operador Turístico do Grupo Newtour, acaba de lançar a sua nova campanha "Solovers", uma iniciativa comercial, que decorre a partir de hoje até 30 de janeiro, destinada aos destinos charter que o operador tem no seu portefólio. As condições especiais da campanha aplicam-se aos seguintes destinos: Ilha do Sal, Ilha da Boavista, Djerba, Monastir, Malta, Porto Santo, Senegal e Saïdia. 



Para a Ilha do Sal, a oferta, com partida do Porto a 28 de fevereiro de 2026, inclui uma estadia de 7 noites, no Aguahotels Sal Vila Verde, unidade hoteleira de 4 estrelas, em regime de só alojamento, a partir de 606 euros por pessoa. 



Para a Ilha da Boavista, a oferta, com partida de Lisboa a 11, 18 e 25 de julho de 2026, inclui uma estadia de 7 noites, no Ouril Hotel Agueda, unidade hoteleira de 3 estrelas, em regime de alojamento e pequeno-almoço, a partir de 815 euros por pessoa. 



Para Djerba, a oferta, com partida de Lisboa a 18 de abril de 2026, inclui uma estadia de 7 noites, no Seabel Aladin, unidade hoteleira de 3 estrelas, em regime de tudo incluído, a partir de 599 euros por pessoa. 



Para Monastir, a oferta, com partida de Lisboa a 3 de junho e do Porto a 1 de junho de 2026, inclui uma estadia de 7 noites, no Monarque Club Rivage, unidade hoteleira de 4 estrelas, em regime de tudo incluído, a partir de 699 euros por pessoa. 



Para Malta, a oferta, com partida de Lisboa a 1, 8, 15, 22 e 29 de julho de 2026, inclui uma estadia de 7 noites, no Hotel Soreda, unidade hoteleira de 4 estrelas, em regime de alojamento e pequeno-almoço, a partir de 880 euros por pessoa. 



Para Porto Santo, a oferta, com partida do Porto a 7 e 14 de junho de 2026, inclui uma estadia de 7 noites, no Hotel Praia Dourada, unidade hoteleira de 3 estrelas, em regime de alojamento e pequeno-almoço, a partir de 587 euros por pessoa. 



Para Senegal, a oferta, com partida de Lisboa a 6 de setembro de 2026, inclui uma estadia de 7 noites, no Royal Horizon Baobab, unidade hoteleira de 4 estrelas, em regime de tudo incluído, a partir de 1 196 euros por pessoa. 



Para Saïdia, a oferta, com partida de Lisboa a 4 de junho de 2026, inclui uma estadia de 7 noites, no Iberostar Waves Saïdia, unidade hoteleira de 5 estrelas, em regime de tudo incluído, a partir de 718 euros por pessoa. 


Para Daniel Graça, diretor de vendas da Soltrópico, "a campanha "Solovers" nasce com o objetivo de recompensar os verdadeiros amantes do sol, oferecendo preços exclusivos para os destinos de praia fantásticos que temos disponíveis na nossa programação. Queremos apoiar os agentes de viagem com uma ferramenta comercial forte e, ao mesmo tempo, proporcionar aos clientes finais propostas altamente competitivas e de qualidade." 


O programa inclui voo de ida e volta para qualquer um dos destinos referidos, estadia no hotel em número de noites e regime conforme selecionado, transfer in and out do aeroporto para o hotel, seguro multiviagens, taxas de aeroporto, segurança e combustível informadas na simulação (sujeito a alterações nos termos previstos da lei).   


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

“DIRTY DANCING: IN CONCERT” CHEGA AO MSC POESIA NA PRÓXIMA TEMPORADA DE VERÃO NO ALASCA

 



  • A MSC Cruzeiros alarga a sua colaboração com a Lionsgate a um terceiro navio, com Dirty Dancing: In Concert previsto para estrear a bordo do MSC Poesia para a temporada inaugural da companhia no Alasca, neste verão.

·         A MSC Cruzeiros é a única companhia de cruzeiros a trazer o icónico filme dos anos 80 da Lionsgate no mar, com uma banda ao vivo, cantores e bailarinos.

·         Cruzeiros de sete noites com partida a 11 de maio de 2026 de Seattle, para explorar as paisagens deslumbrantes, a vida selvagem e o património cultural do Alasca.

 

A MSC Cruzeiros levará o Dirty Dancing: In Concert – o concerto ao vivo inspirado no filme, criado pela  Lionsgate e pela GEA Live – para o MSC Poesia para a sua tão aguardada temporada de verão no Alasca, a partir de 11 de maio de 2026.

Dando continuidade à colaboração já existente entre a MSC Cruzeiros e a Lionsgate, o MSC Poesia tornar-se-á o terceiro navio da frota da companhia a apresentar o aclamado concerto ao vivo baseado no filme de sucesso, após a excelente receção a bordo do MSC World America, com partidas de Miami, nos EUA, e do MSC Virtuosa, nas suas viagens de verão com saídas de Southampton, no Reino Unido. O concerto também continuará no MSC Virtuosa na sua própria temporada de inverno no Sul das Caraíbas.

O espetacular concerto ao vivo de 90 minutos, baseado no filme, dará vida ao adorado filme dos anos 80 da Lionsgate, Dirty Dancing, contando com uma talentosa banda ao vivo, além de cantores e bailarinos sensacionais, que atuam em perfeita sincronia com o filme.

Os passageiros que viajarem a bordo do MSC Poesia  terão a oportunidade de assistir ao concerto ao vivo durante todo o cruzeiro, incluindo sessões vespertinas nos dias de navegação - tudo isso enquanto viajam para destinos fascinantes no Alasca e no Canadá, com embarque em Seattle, EUA.

Steve Leatham, Vice President of Entertainment da MSC Cruises, afirmou: “Estamos muito felizes por apresentar “Dirty Dancing: In Concert” a bordo do MSC Poesia nas primeiras viagens da MSC Cruzeiros para o Alasca nesta temporada de verão. Após a incrível resposta que vimos desde o lançamento no MSC World America e no MSC Virtuosa, estamos entusiasmados em poder oferecê-lo em mais navios para que os nossos passageiros desfrutem desta experiência verdadeiramente única no mar”.

Com sede em Genebra, na Suíça, a MSC Cruzeiros é a terceira maior companhia de cruzeiros do mundo e líder de mercado na Europa, incluindo Portugal, a América do Sul, o Médio Oriente e a África do Sul, com uma presença forte e crescente na América do Norte.    

Enquanto marca global de cruzeiros com 23 navios modernos que oferecem viagens pelos cinco continentes, os passageiros podem visitar mais de 100 países em todo o mundo, com mais de 300 destinos, criando memórias inesquecíveis e desfrutando da melhor hospitalidade.

MSC Poesia passará por uma das maiores remodelações da história da MSC Cruzeiros, incluindo a adição do MSC Yacht Club, dois restaurantes de especialidade, Butcher’s Cut e Kaito Sushi Bar, o All-Stars Sports Bar, um MSC Aurea Spa renovado e um ginásio MSC Gym Powered by Technogym® melhorado. Os passageiros que viajarem a bordo do MSC Poesia poderão usufruir destas novas funcionalidades na temporada inaugural da MSC Cruzeiros no Alasca, com cruzeiros de 7 noites para alguns dos destinos mais pitorescos da região, incluindo Ketchikan, Icy Strait Hoonah, Tracy Arm, Juneau (Alasca, EUA) e Victoria (Colúmbia Britânica, Canadá).

Para mais informações, visite Navio MSC Poesia - Planos de Deck e Itinerários | MSC Cruizeiros

 

 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

A Corunha e a Torre de Hércules

 


Torre de Hércules


A Corunha é a "Cidade de Cristal" — um título que ganha devido às famosas varandas envidraçadas (galerias) que refletem a luz do oceano na Avenida da Mariña. É uma cidade vibrante, muito cosmopolita e com uma ligação profunda ao mar.

Avenida Mariña






O seu ícone mundial é a Torre de Hércules:, o farol romano mais antigo do mundo ainda em funcionamento e Património da Humanidade pela UNESCO. Do cimo dos seus 55 m  (242 degraus!) tem-se uma vista fantástica de 360º. Com quase 2.000 anos de história, é Património Mundial da UNESCO desde 2009.

Torre de Hércules

Foi edificada no século I d.C. (provavelmente durante os reinados de Nero ou Vespasiano) para guiar os navios que navegavam para as Ilhas Britânicas e para o norte da Europa. Uma inscrição na base revela que o seu arquiteto foi Caius Sevius Lupus, originário de Aeminium (a atual cidade de Coimbra, em Portugal). Ele dedicou a obra ao deus Marte.

O que se vê atualmente por fora é uma "casca" neoclássica do século XVIII, obra do engenheiro Eustaquio Giannini, mas o núcleo interno romano permanece intacto. 

Segundo a mitologia (popularizada pelo rei Afonso X), o herói Hércules veio a estas terras para derrotar o gigante Gerião, um tirano que aterrorizava a população. Após uma batalha de três dias, Hércules cortou a cabeça do gigante e enterrou-a no local onde hoje está a torre. Diz-se que a cidade da Corunha foi fundada sobre essa vitória, e o escudo da cidade ainda hoje mostra a Torre de Hércules com uma caveira e ossos por baixo, simbolizando a cabeça enterrada de Gerião.

Para além do mito grego, existe a lenda celta: o rei Breogán teria construído aqui uma torre tão alta que o seu filho, Ith, conseguiu avistar as costas da Irlanda a partir do topo, partindo depois para a conquistar. É por isso que a estátua de Breogán te recebe logo à entrada do parque escultórico.

A Torre de Hércules está "geminada" com a Estátua da Liberdade em Nova Iorque, como um símbolo de união entre as duas margens do Atlântico.

Aos pés da milenar Torre de Hércules, na Corunha, estende-se uma imensa e colorida Rosa dos Ventos, um mosaico circular que é um autêntico hino à cultura celta e atlântica. Com cerca de 25 metros de diâmetro, esta obra não serve apenas para indicar os pontos cardeais, mas funciona como um mapa místico da herança galega.

A rosa dos ventos


Cada uma das suas direções aponta para um dos povos de origem celta, representados por símbolos tradicionais: desde a harpa da Irlanda ao tríscele da Ilha de Man. É um lugar de energia única onde, entre o rugido do oceano e o vento constante, os visitantes sentem a profunda ligação da Galiza com o mar e com as lendas de Breogán.

Segundo a lenda, o rei milenar Breogán fundou a cidade de Brigantia (Corunha) e nela ergueu uma torre tão alta que tocava as nuvens. Numa noite límpida de inverno, o seu filho Ith subiu ao topo e, fixando o olhar no horizonte sobre o oceano, avistou um brilho verde distante: era a Irlanda.

Seduzido pela visão, Ith partiu para explorar a ilha, mas foi morto pelos seus habitantes. Para vingar a morte, os filhos de Mil, descendentes de Breogán, invadiram a Irlanda, estabelecendo o laço eterno entre a Galiza e as nações celtas, hoje imortalizado na Rosa dos Ventos.


Pontevedra, a cidade galega do conforto

Virgem Peregrina
 

Pontevedra é muitas vezes apelidada de "a cidade dos miúdos" ou a "capital do conforto", porque o seu centro histórico é quase inteiramente pedonal. É uma das cidades mais charmosas da Galiza, perfeita para percorrer a pé sem o barulho dos carros.

No coração histórico, temos a Praça da Peregrina, o símbolo da cidade. Aqui está a Igreja da Virgem Peregrina, com a sua planta curiosa em forma de vieira (o símbolo do Caminho de Santiago, uma paragem obrigatória para quem percorre o Caminho Português de Santiago).

Virgem Peregrina, padroeira da província e do Caminho Português

Esta igreja é única no mundo devido à sua arquitetura peculiar. Construída em 1778, tem uma planta em forma de concha de vieira, o símbolo do Caminho de Santiago, na qual está inscrita uma cruz. Mistura elementos do barroco, rococó e neoclássico.

Na entrada, existe uma concha gigante natural usada para água benta, trazida das Filipinas pelo contra-almirante Méndez Núñez no século XIX.

No canto da praça, onde antigamente existia uma farmácia, encontra-se a estátua de ferro de um papagaio. Ravachol foi o animal de estimação do farmacêutico Perfecto Feijoo no final do século XIX. Era famoso pelo seu vocabulário sarcástico e por pregar partidas aos clientes. O papagaio morreu no Carnaval de 1913, causando tal tristeza que a cidade lhe organizou um funeral de Estado. Até hoje, o Carnaval de Pontevedra termina com o "Enterro do Ravachol", uma paródia ao seu funeral original.

A praça Praça da Peregrina é totalmente pedonal e está rodeada de esplanadas, lojas e outros pontos de interesse.

Logo ao lado, está a Praza da Ferrería, uma das praças mais amplas da cidade, onde se encontra o Convento de São Francisco. É uma praça ampla e cheia de vida, rodeada de arcadas e cafés, o lugar ideal para sentir o pulso da cidade.

Praça da Lenha

Um pouco mais adiante, temos a Praça da Lenha, para muitos, a praça mais bonita da Galiza. É pequena, rodeada de casas típicas com varandas de madeira e cheia de "taperías" onde se pode comer um bom polvo e bom marisco.

Rua Sarmiento, apinhada de jovens 

Bem perto, temos a rua Sarmiento no coração da zona de bares, junto ao Museu de Pontevedra. Frei Martín Sarmiento (1695–1772) é uma das figuras mais fascinantes e importantes do Iluminismo em Espanha e, acima de tudo, um herói cultural da Galiza. Embora tenha vivido grande parte da sua vida em Madrid, o seu coração e a sua obra estavam profundamente ligados à sua terra natal, Pontevedra. Era um monge beneditino com uma curiosidade insaciável, o que hoje chamaríamos de um verdadeiro polímata. Escreveu sobre quase tudo. 

É considerado o pai da filologia galega. Defendeu o uso do galego, estudou a sua origem e lutou para que o povo fosse alfabetizado na sua própria língua. Foi um pioneiro no estudo da flora galega e um grande defensor da agricultura e do aproveitamento dos recursos naturais. 

Um dos seus episódios mais famosos foi a viagem que fez de Madrid à Galiza em 1745. Escreveu um diário detalhado onde descreveu tudo o que viu: costumes, monumentos, plantas e palavras. Mapeou e documentou o património da Galiza como ninguém tinha feito até então.

Apesar de ter nascido em Vilafranca do Bierzo, Sarmiento cresceu em Pontevedra e  considerava-se pontevedrino, sentindo um carinho especial pela cidade

A casa onde viveu em criança fica precisamente nesta rua, onde também encontramos o Museu de Pontevedra (um dos melhores da Galiza), que ocupa edifícios históricos, preservando o espírito intelectual que ele tanto prezava, e o Edifício García Flórez (parte do Museu), com os seus famosos brasões de pedra.


A Galiza desconhecida - 3 - Castro de Boroña

 


O Castro de Baroña é um dos tesouros arqueológicos mais fascinantes da Galiza, em Espanha. Localizado no concelho de Porto do Son (província da Corunha), destaca-se por ser um povoado fortificado da Idade do Ferro construído numa península rochosa à beira-mar, o que o torna visualmente espetacular e historicamente único.

Foi habitado aproximadamente entre o século I a.C. e o século I d.C. Situa-se numa pequena península rodeada pelo Oceano Atlântico, uma localização estratégica que oferecia defesa natural e acesso direto aos recursos marinhos.

Pensa-se que foi abandonado por volta do século I d.C., possivelmente devido à pressão da romanização que levou as populações para zonas mais férteis e acessíveis no interior.

O fosso entre as duas muralhas

O castro é famoso pela sua excelente preservação e pelo complexo sistema defensivo. Possui duas grandes linhas de muralhas que protegiam o acesso por terra. Existe também um fosso escavado na rocha, com cerca de 4 metros de largura.

No interior, podem ver-se as bases de cerca de 20 casas circulares e ovais. Ao contrário de outros castros, estas não tinham janelas e a vida familiar concentrava-se em torno de uma lareira central.

A entrada no castro

 Na zona mais alta e protegida, situava-se possivelmente a área de maior importância ou refúgio final.

Os habitantes de Baroña eram autossuficientes, mas com uma forte ligação ao mar. Comiam principalmente peixe, marisco (mexilhões e caramujos) e praticavam a pastorícia de cabras e ovelhas.

Foram encontrados vestígios de metalurgia (fornos para trabalhar ferro e ouro), tecelagem e olaria.

Curiosamente, não foi encontrada uma fonte de água doce dentro do castro, o que sugere que os habitantes tinham de sair das muralhas diariamente para se abastecerem.