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| Discutindo inovação na conferância AviationEvent em Cluj (Roménia) |
Em 2026, os aeroportos deixaram de ser apenas nós
de transporte para se tornarem ecossistemas inteligentes. A integração de
Inteligência Artificial (IA) e robótica não é mais uma "experiência
futurista", mas a base da eficiência operacional para gerir os mais de 10
mil milhões de passageiros anuais previstos globalmente.
O investimento global em sistemas robóticos
aeroportuários atingiu a marca dos 1,98 mil milhões de dólares em 2026, com uma
taxa de crescimento anual superior a 16%.
Os maiores fluxos financeiros destinam-se a frotas
de limpeza autónoma, biometria facial, sistemas de gestão de bagagem baseados
em visão computacional e unidades de desinfeção UV-C.
A América do Norte e a Ásia-Pacífico lideram, com
aeroportos como Incheon (Coreia do Sul) e Changi (Singapura) a servirem de
"bancos de ensaio" para robôs de assistência humanoide.
Eficiência e experiência do passageiro
A adoção destas tecnologias traz ganhos
mensuráveis tanto para o operador do aeroporto como para os passageiros.
A IA prevê e gere fluxos de passageiros em tempo real,
antecipando estrangulamentos na segurança e redirecionando passageiros antes
que a fila se forme.
No campo da bagagem, robôs de triagem e carregamento (como os
testados em Schiphol) reduzem o risco de malas perdidas, trabalhando com
precisão 24/7 – sem fadiga, sem absentismo e sem exigências dos sindicatos.
Se tudo corre bem, sensores IoT e IA permitem que o aeroporto
saiba que uma passadeira rolante vai avariar antes de ela parar, reduzindo o
tempo de inatividade em 35-40%.
A acessibilidade é melhorada. Robôs de guia ajudam passageiros
com mobilidade reduzida ou em dificuldades com idiomas estrangeiros através de
tradução simultânea.
Só maravilhas? Quais as desvantagens e desafios
Nem tudo é um voo sem turbulência. Existem
barreiras críticas à implementação total. Como sempre os custos! O custo inicial
é elevado; o ROI (Retorno sobre o Investimento) pode demorar entre 18 a 31
meses, o que afasta aeroportos regionais com menos capital.
Por outro lado, tem a pedra no sapato da privacidade dos dados
e da cibersegurança. A expansão da biometria gera receios sobre a vigilância em
massa e o armazenamento de dados sensíveis. E um aeroporto gerido por IA
poderá ser um alvo apetecível para ataques informáticos que podem paralisar
todo o tráfego aéreo de um país.
Embora as empresas argumentem que os robôs fazem tarefas
"sujas e perigosas", existe uma tensão crescente sobre o futuro dos
empregos operacionais.
Qual a situação atual (Março de 2026)
Atualmente, vivemos a transição dos "robôs
isolados" para os "aeroportos digitais". Dois exemplos:
Viena (Áustria) e Atenas (Grécia).
Em 2026, os aeroportos de Viena (VIE) e Atenas (AIA)
estabeleceram-se como líderes europeus na transição para o "Aeroporto
Inteligente". Embora ambos utilizem IA e robótica, as suas abordagens
refletem prioridades distintas: Viena foca-se na eficiência de fronteiras e
logística, enquanto Atenas aposta na gestão de fluxos e experiência digital
personalizada. Como realçou Thomas
Dworschak , CEO do aeroporto de Košice e
Diretor de IT Digitalização & Innovação do aeroporto de Viena, na
conferância AviationEvent que se realizou hoje em Cluj (Roménia), “estamos
prontos para o futuro. O nosso plano é tirar toda a interação dos passageiros
com pessoas, exceto no controlo de segurança”.
Viena posicionou-se como o "laboratório
tecnológico" da Europa Central, utilizando o seu New Technologies
Summit para atrair as melhores inovações:
* Fronteiras biométricas (EES): Em
preparação para os prazos da UE em 2026, Viena instalou 24 e-gates de
última geração com reconhecimento facial de alta precisão. O objetivo é uma
experiência kerb-to-gate (do passeio à porta de embarque) sem tocar em
documentos.
* Logística de bagagem: O aeroporto investiu
em robôs de triagem autónomos que utilizam IA para prever picos de carga,
reduzindo drasticamente o tempo de transferência em voos de ligação.
* Assistência virtual (Bebot): Utiliza um
chatbot de IA generativa (Bebot) que não só responde a dúvidas, mas guia os
passageiros através de um sistema digital de navegação pelo aeroporto,
eliminando a sinalização analógica confusa.
* Gestão de energia: O aeroporto utiliza IA
para gerir o seu parque solar fotovoltaico (um dos maiores da Áustria),
prevendo o consumo de energia dos terminais e otimizando o armazenamento.
Eleito o melhor aeroporto do mundo nos
"Routes World 2025", o Aeroporto de Atenas foca-se na integração
profunda entre humanos e máquinas. Sophia Mari, supervisora Stakeholder Management, Programa de
Expansão do Aeroporto de Atenas , comentou na conferência, “temos de combinar
infraestrutura e inovação para melhorar a experiência dos passageiros”.
* Robótica de serviço (Projeto wi.move):
Atenas implementou um ecossistema de robôs humanoides integrados com câmaras
térmicas e conectividade 5G. Estes robôs monitorizam fluxos de passageiros em
áreas de check-in e segurança, detetando anomalias e orientando viajantes em
tempo real.
* Privacidade por design: O sistema de IA em
Atenas utiliza câmaras térmicas para gerir filas. Isto permite à IA contar
pessoas e medir velocidades de movimento sem recolher dados faciais sensíveis,
respeitando o RGPD de forma nativa.
* Redesenho de espaço aéreo (ATHENIAN): Mais
do que robôs no chão, Atenas usa IA para o projeto ATHENIAN, que redesenhou as
rotas de aproximação ao aeroporto. A IA calcula trajetórias de voo mais curtas
e precisas, reduzindo o consumo de combustível e o ruído.
* Digital twins: O aeroporto utiliza
um "Gémeo Digital" — uma réplica virtual alimentada por IA que simula
o impacto de qualquer atraso ou mudança no terminal antes de esta ocorrer na
realidade.











