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Monte do Sobral |
No meio da planície alentejana, perto de Évora e de Viana do Alentejo, Alcáçovas é um lugar cheio de História onde vale a pena passar um fim de semana.
Comecemos pela história mais recente. A 9 de setembro
de 1973, 130 capitães reuniram-se no Monte do Sobral sem levantar suspeitas nem
à PIDE nem à PSP. O Monte do Sobral, um típico monte alentejano,
estava muito isolado. O caseiro, um homem adverso ao regime, aceitou o repto
dum primo para se reunir aí com os seus camaradas de armas que não concordavam com
dois decretos assinados pelo então ministro do Exército e publicados em julho e
em agosto de 1973, através dos quais o regime pretendia fazer face à falta de candidatos
à Academia Militar, promovendo rapidamente os oficiais milicianos ao quadro permanente
das Forças Armadas. Desta reunião nasceu um movimento que meses mais tarde traria
a liberdade e a democracia a Portugal.
Mas já desde o século XV que Alcáçovas faz parte ativa
da História de Portugal. Foi nesta vila, que na altura era sede de concelho, que,
a 4 de setembro de 1479, foi assinado o tratado de paz de Alcáçovas-Toledo entre
os representantes dos Reis
Católicos, Isabel
de Castela e Fernando de Aragão, e o rei D.
Afonso V de Portugal e seu filho
João II. Com este tratado pretendia-se terminar a
Guerra de sucessão de Castela, que já durava havia quatro anos. No entanto, como Castela não cumpriu partes do acordo, foi necessário
voltar às negociações, das quais resultou um novo acordo: o Tratado de Tordesilhas,
assinado em 1494 em Tordesilhas.
O Tratado de Alcáçovas foi assinado no Paço dos Henriques,
na altura o grande senhor de Alcáçovas. Foi
construído nos finais do século XIII, no local do antigo castelo, por ordem do rei
D. Dinis, para servir como residência real.
D. Fernando Henriques (1365-1438), filho bastardo de
D. Henrique de Castela, chegou a Portugal no reinado do rei D. João I, que criou
o Senhorio das Alcáçovas em 1429. Foram- lhe igualmente doados as jurisdições e
os direitos reais do Reguengo ou julgado de Alcalá. O senhorio foi tornado de juro e herdade
em 1518 por D. Manuel I. O 14.º Senhor foi elevado a Conde das Alcáçovas, de juro
e herdade, por Decreto de 1 de Dezembro de 1834 de D. Maria II
No Paço dos Henriques realizaram- se em 1447 os contratos
nupciais da infanta D. Isabel como. João II, rei de Castela, e de D. Beatriz com
D. Fernando, 2º duque de Viseu e 1º duque de Beja.
E em 1495 o rei D. João II mandou redigir o seu testamento.
O rei deparava-se com um grave problema de sucessão uma vez que o único herdeiro
do trono, filho do seu casamento com a Rainha D. Leonor, o Príncipe Afonso, tinha
morrido em 1491. O rei tinha ainda um filho bastardo D. Jorge que tentou legitimar
e apresentar como sucessor, um plano contrariado pela rainha que defendia os direitos
sucessórios para o seu irmão D. Manuel. Prevaleceu
a vontade da rainha D. Leonor e, no seu testamento, D. João II passa a coroa a D.
Manuel.
Junto ao paço, foi construído um jardim muito especial, conhecido como Jardim
das Conchinhas, todo decorado
com conchas e pedaços de porcelana, vindos de todo o mundo. Muito interessantes
são as duas janelas
conversadeiras, ainda existentes.
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Rosácea |
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Altar da capela |
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Janela namoradeira |
No horto do Paço dos Henriques existe ainda a capela
de nossa Senhora da Conceição. O período exato da sua construção é desconhecido.
Todavia terá sido adquirida pela família Henriques por contestação com a câmara
em 1622. O edifício existente resultará de campanhas de obras da década de 40 ou
50 do século XVII sendo resultado dos desígnios de D. Jorge Henriques. 6º senhor
de Alcáçovas, e de D. Henrique Henriques, 7º senhor de Alcáçovas.
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Cavaleiro no Horto dos Henriques |
Para quem quiser, pernoitar num local com História, pode ficar no Monte do Sobral, atualmente um Turismo Rural, O Lodge Monte do Sobral. Tem uma mão cheia de suítes, com um ou dois quartos, alguns deles virados para a piscina.
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Um quarto |
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Sala |
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Lareira |
Zona da piscina do Monte do Sobral |
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Torresmos |