quarta-feira, 20 de março de 2019

5ºdia - Serengeti

Acordar ao som dos ruídos da selva africana é sem dúvida um luxo. Da nossa cama, na tenda sobre o nosso jipe, vimos o sol alaranjado subir por detrás das árvores. 
Se ontem preparámos o jantar sob a “supervisão” de um chimpanzé, hoje tivemos três gnus a alguns metros de nós a pastar placidamente e uns lindos pássaros de peito vermelho enquanto nós comíamos o nosso pão tanzaniano com um deslavado queijo fundido dinamarquês (!) que compráramos no supermercado em Arusha. Valeu a companhia dos animais e a vista . 


Falei com um guia de um dos grupos que estava também no campo e perguntei-lhe onde se poderiam ver manadas da elefantes e leopardos. Deu- me algumas boas dicas e partiu com o seu grupo. 
Quando estávamos a arrumar as coisas, veio ter comigo o cozinheiro. Deu-me o telemóvel e disse que era uma chamada para mim. Estranhei. Quem me iria telefonar? Era o guia a acusar-me que havia uma manada de elefantes a 5 km do nosso campo a atravessar a aldeia dos trabalhadores do parque. Tenho de confessar que fiquei comovida com a atitude e a simpatia. 
 Partimos para a descoberta da savana africana. 
Primeira paragem, a poucos quilómetros do campo: uma poça de lama cheia de hipopótamos e alguns crocodilos. A dada altura um bebé hipopótamo salta para cima da mãe. 
Seguimos viagem sempre perscrutando a savana. Junto a uma rocha debaixo de uma árvore um leão descansava calmamente. Parámos o jipe a uns 3 metros dele. Aproxima-se uma leoa e deita-se. O leão levanta-se, põe-se em cima dela e em segundo despacha o assunto. Volta para o seu lugar e a leoa fica uns instantes imóvel. Depois deita-se de costas e ali fica com as patas para o ar. 
O leão ainda sozinho


Vem a leoa

E o leão vai direito ao assunto


Mais adiante uns elefantes comem erva. Manadas de gazelas e impalas.

Continuamos o caminho e de repente descobrimos que estávamos mos de novo na poça dos hipopótamos. Interessante! Não nos tínhamos apercebido que andáramos em círculo. 



Seguimos por outra picada. Nova poça de lama com imensos hipopótamos. Batemos as palmas e todas as orelhinhas se espetaram para cima. O cheiro é nauseabundo mas é interessante ficar ali a vê-los a gozar placidamente a lama. 
Alguns metros adiante umas girafas comiam sem se incomodar com o que havia à volta. Uma era tão grande que comia a parte de cima da copa da árvore! As mais pequenas  ficavam pelas folhas mais baixas. Começavam uma, mudavam para a árvore do lado, atravessam a picada e iam para as árvores daquele lado. 
Continuámos o caminho e parámos de repente. Um elefante estava na borda da picada a trincar um ramo seco. Ao lado um elefante mais pequeno fazia o mesmo.  Não se perturbaram com a nossa presença. 



Regressámos ao campo passando por grandes manadas de impalas e gazelas. 
Hoje não nos apetecia voltar a comer arroz com cavalas.  Fui então falar com o cozinheiro de um dos grupos e perguntei-lhe se não poderia fazer uma dose a mais para eu não ter que cozinhar. Disse logo que sim. 20 dólares por um menu completo feito na hora. No meio da selva. Com pipocas para aperitivo, acabadas de fazer, sopa, pilau com carne de vaca e salada e banana frita para sobremesa. Um banquete! 


Enquanto esperávamos pelo jantar, vimos a macaca de ontem. Entrou no campo e foi buscar comida. Voltou para árvore e distribuiu a comida pelos filhotes. 




4º dia - Mto Wu Mbu - Ngorongoro - Serengeti (Tumbili camp)

Ontem já estávamos a dormir quando fomos acordados pela senhora da recepção. Tinham chegado os senhores da tenda. Arrancados ao sono saímos da tenda meio zombies.  À nossa frente estavam três homens: Valcel,  da empresa de aluguer de jipes, o maasai, da segurança do campo, e o condutor do carro. E em cima do carro, diretamente em cima do tejadilho, a nossa tenda. 
Com muito pouco profissionalismo, os homens tiraram a tenda do carro e puseram-na sobre o nosso jipe. Não a prenderam à instalação que lá estava para o efeito mas diretamente ao tejadilho. Valcel subiu para cima do jipe (!) para a ajeitar. 
Quando terminaram, pedimos-lhe que a abrissem para ver se estaria tudo bem. Faltavam os paus que seguram as abas. Mas Valcel prometeu (!) que as traria amanhã às 5h da manhã. Dissemos-lhe que poderia ser às 6. Enfim quem quiser que acredite...
Vaicel e o condutor voltaram para Arusha e nós para a tenda do chão. 
Acordámos cedo e preparámos-nos para sair. Decidimos alterar o plano inicial, que era visitar o parque nacional de Manyara durante a manhã, e irmos logo para o Serengeti. Foi uma boa decisão. 
Na descida do parque de campismo para a estrada principal cruzámo-nos com muitos macacos. E junto à estrada centenas de cegonhas brancas, voando e recolhendo raminhos para os ninhos. 
Pouco tempo depois chegámos a  Karatu, a última localidade antes dos parques. A última oportunidade de atestar o carro e fazer compras. 
Imensos vendedores de souvenirs a querer vender-nos tudo e mais alguma coisa. Um deles era mais esperto e tentou uma aproximação diferente. Falou connosco em Alemão. Pediu-nos se lhe poderíamos trocar vinte euros que ele tinha em moedas por uma nota. E para nós agradecer, “oferecia-nos “ uma “linda” (pirosissima) pulseira de missangas cor-de-rosa por somente 2 dólares! 
Rapidamente fugimos dali. Karatu é uma cidadezinha sem graça nenhuma e não queríamos perder tempo. 
Alguns quilómetros depois chegámos à porta do parque de Ngorongoro. Dissemos que íamos para o Serengeti... mas tivemos de pagar na mesma a taxa ... Começou a doer... Os parques nacionais da Tanzânia são caríssimos. 
A meio do parque um miradouro com uma fantástica vista sobre a caldeira (não cratera, porque o vulcão há está extinto). Lá em baixo um lago e centenas de gnus, elefantes, hipopótamos. Lindo! 

Ao princípio da tarde chegámos ao Parque Nacional de Serengeti. Novo pagamento. Continuou a doer... 
Mas valeu a pena. Começámos por ver alguns gnus, algumas zebras, algumas gazelas. Incluindo uma zebra acabada de nascer!

A dada altura centenas, milhares de gnus e zebras numa corrida desesperada, como se estivessem a fugir da própria sombra. Pensaríamos que se iriam atropelar uns aos outros e aos filhotes pequenos que estavam pelo meio mas não. Ali ficamos um tempo a observar a migração este-oeste dos gnus e a ponderar ao mesmo tempo como haveríamos de continuar o caminho pois toda aquela massa de animais estava a atravessar a “nossa” picada. Não se via nem o princípio nem o fim da coluna de gnus e zebras. 

Ligámos a ignição. Os animais ao aperceberem-se daquele barulho partiram a coluna, andaram um pouco para o lado e retomaram a correria louca atrás do nisso jipe. Uau! Que emoção! Sentia-me no meio de um documentário de Sir Richard Attenborough. 
No cimo de umas rochas, um grupo de leões e leoas descansava.


Seguimos o nosso caminho. Comendo as folhas de uma árvore estava uma girafa que nada se incomodou com a nossa presença. 
Parámos no Centro dos Visitantes mas não havia ninguém para dar informações. Somente guias a oferecer trabalho. É uma lagartixa colorida que parecia de plástico mas que se mexia muito rapidamente. 
Ao final da tarde chegámos ao campo que nos tinha sido atribuído ao entraram-mos no parque.
Não havia ainda ninguém, somente algumas tendas espalhadas pelo campo e um cozinheiro - há grupos que viajam com guia e cozinheiro. Não é o nosso caso. Nós não temos nem um nem outro. 
Falámos um pouco. Contou-nos que na véspera tinha passado pelo campo uma grande manada de elefantes. 
Abrimos a nossa tenda, as mesas de campismo e as cadeiras. Tirámos o fogão e começámos a cozer arroz. Alguns metros à nossa frente, um grande macaca preto estava sentado num ramo caído no chão. Parecia estar a meditar. 
Deitámo-nos e adormecemos envolvidos nos sons africanos. 


sábado, 16 de março de 2019

3º dia - Arusha - Mto Wo Mbu

Ontem após o jantar resolvemos dar um pequeno passeio pelas redondezas. O hotel fica já quase fora de portas de Arusha. Os últimos 600 m são de terra batida. 
Saindo do portão, guardado por um masaai à noite, temos algum comércio local: um barbeiro que aluga DVD e vídeos  (sim, ainda se alugam vídeos!), dois bares, todos protegidos por grades (normal por aqui), uma cozinha/restaurante e uma fonte onde as pessoas se abastecem de água. 
Continuámos a andar e.... de repente tudo ficou às escuras. Um apagão, também normal por aqui. Passear às escuras não nos apetecia e regressámos só hotel. 

Pequeno-almoço com um delicioso sumo de melancia e um fantástico sumo de manga, feito especialmente para nós. 
Agora era necessário fazer as compras de tudo o que é preciso para os parques. Mas....continuávamos sem xelins - exceto o troco que afinal a gerente do hotel nos deu. Ou seja, a prioridade número um era arranjar xelins. À medida que nos aproximávamos do centro da cidade íamos procurando um banco. Um desafio, uma vez que mal se distinguem. O que chama à atenção são homens de metralhadora à porta.  Vimos um mas não conseguimos parar. Descobrimos outro, Tpb Bank, mas do carro não nos conseguíamos perceber se estaria aberto. Sai do carro e vi dois homens armados à porta, sentados em cadeiras de plástico verde intenso. Num canto da porta umas letras brilhantes diziam “Yes, we’re open”. Entrei. Seis guinchets, um com uma funcionária. À frente, uma longa fila. Aproximei -me do guichet, dizendo que só queria fazer uma pergunta. Se trocavam dólares. A funcionária olhou para mim e perguntou-me quantia e se tinha o passaporte. Confirmei e ela voltou a perguntar. Voltei a confirmar e ela voltou a perguntar. Após a minha terceira confirmação, disse-me que sim. Pus-me na fila. Uma outra funcionária apareceu, chamou-me e voltou a perguntar-me o mesmo. Voltei a confirmar. Disse -me para preencher o impresso cor de rosa. Que na realidade era um impresso de depósito de dinheiro numa conta. Ao dizer-lhe que o impresso não parecia ser o correto, ela perguntou admirada se eu não tinha conta no banco. Respondi que não com a cabeça. Preenchi o impresso e voltei para a fila. 
Entretanto, eram 12h e o banco fechou. A funcionária, porém , não se incomodou. Finalmente chegou a minha vez. Demorou algum tempo até ter o monte de notas, correspondente às minhas notas. 

Agora já podíamos ir às compras e atestar o jipe. Às compras fomos à um supermercado ocidental, novinho, com mais empregados do que clientes. 
E depois pusemos o jipe a rolar em direção ao lago Manyara onde nas suas margens há leões que sobem às árvores. 
Caminho tranquilo em estrada asfaltada. Passámos por algumas aldeias cheias de movimento, com belos mercados de frescos. Bananas-pão grandes e bananas  anãs. Anonas enormes. Tomate. Cebolas. Alhos. Senhoras sentadas em banquinhos assando e vendendo batata-doce, mandioca e milho assados. Montinhos de lenha e sacas de carvão. 
Ao aproximarmo-nos do lago vimos uns pássaros muito grandes a voar. Eram cegonhas. Dezenas de cegonhas nas árvores e a voar. Muitas delas com plantas no bico para fazer os ninhos. A proximidade da água atraiu-as. 



E no cimo do monte junto ao lago o parque de campismo Nigombani, na posse de um holandês que o mantém num brinquinho: relva verdíssima, uma piscina infinita com uma vista soberba sobre o lago, casas de banho limpas. No caminho um macaco atreva-se-nos mesmo em frente do jipe. Tínhamos chegado à selva. 


Quando chegámos fomos logo informados de que a nossa tenda chegaria às 22h mas que entretanto nos tinham montado uma no chão. O campo tem internet e assim pudemos receber as mensagens da empresa  de aluguer de carros com a mesma informação. Veremos...

sexta-feira, 15 de março de 2019

2º dia - Doha - Kilimanjaro - Arusha

Chegámos descansados a Doha. 
Qatar é um país no deserto. Hoje de manhã, ao aterrarmos, chovia. Chuva no deserto. 
O voo não teve direito a manga pelo que tivemos direito a batismo de boas vindas. 
O aeroporto é moderno com uma grande zona comercial. Tem pelo menos duas salas de oração, ambas com as separações obrigatórias para mulheres e homens. 


O voo de Doha para Kilimanjaro foi num A319 - também meio vazio em Económica nas cheio em Business. Todos os 8 lugares foram ocupados por membros de uma família qatari. As mulheres entraram com abbaya, mas minutos depois já estavam de calças de ganga e as abbayas pretas no fundo do saco. 

Na classe económica, a maioria dos passageiros são adultos nos 30 anos e que me parece - isto é pura especulação - irem subir o Kilimanjaro. Um dia também o farei. Mas a subida ao kilimanjaro e um Safari são normalmente projetos separados. Com a subida convém contar com, pelo menos, 5 - 6 dias. Fazer ambas as rotas fica muito apertado e stressante. 

Estranhei a falta de entretenimento a bordo num voo com uma duração de 6h20. Se no outro voo tivemos uma variada paleta de 400 filmes e não sei quantas horas de música, neste não há nada. Não me preocupei. À falta de filmes mergulhei no meu livro. 

O que realmente me chamou à atenção nestes dois voos da Qatar foi o cuidado que a tripulação tem com a limpeza do cabine, especialmente da casa de banho. A 1a vez que fui à casa de banho fiquei toda contente de ser a primeira: o papel higiénico estava com a ponta dobrada em triângulo e a sanita estava coberta com um papel protetor. Senti-a muito limpa (tenho de confessar que as casas de banho dos aviões me repugnam mas, mesmo assim, tenho de as usar. Não há volta a dar, em especial nos voos de longo curso. Tenho visto - e infelizmente usado - casas de banho que é melhor nem descrever...). O interessante foi que de todas as vezes que ia à casa de banho tinha a sensação de ser a 1ª pessoa a usá-la: estava sempre  com o papel higiénico com a ponta dobrada em triângulo e a sanita  coberta com um papel protetor! Será que a tripulação verifica as casas de banho depois de cada utilização? 

O meu lugar preferido nos aviões é na coxia. Mas nos voos diurnos sobrevoando terra gosto de ir à janela a observar a paisagem. Este voo entre Doha e o Kilimanjaro foi especialmente bonito pois sobrevoámos a Península Arábica e conseguimos ver o deserto e os caminhos que o atravessam. Muito belo foi também ver como o deserto se atira para o mar ao chegar ao golfo, como se quisesse beber toda a sua água para acalmar a sede. Lindo o contraste do amarelo torrado do deserto com o azul do mar. 





Entrámos no continente africano pela região de Djibouti, que continua a ser uma mancha amarela. No passado - as lendas falam do tempo da rainha do Sabá - a Península Arábia e o Norte e África estavam juntos e a rainha reinava sobre toda a região. 
Gosto também de ver as nuvens brancas por baixo de mim, lembrando verdadeiros rebanhos, com as sombras na terra. A primeira vez que andei de avião, nos idos de 1972, fi-lo num avião da Força Aérea que levava soldados para a guerra nas nossa colónias em África. No meio daqueles soldados todos, duas meninas: eu e a filha de um outro oficial. A meio da noite houve uma grande tempestade tropical. Nós estávamos a voar por cima e lembro-me perfeitamente de ter ficado maravilhada de ver a origem dos relâmpagos. 

Quase ao aterrar tivemos então a felicidade de ver o Kilimanjaro, o pico mais alto do continente africano com os seus 5895 m de altitude. Ali estava ele, a espreitar por cima das nuvens. Ao lado um outro pico, mais baixo e sem neve. Dizem os peritos que as neves do Kilimanjaro estão muito reduzidas o que já está a originar problemas de falta de água as populações. E há ainda que não acredite no aquecimento global e nas alterações climáticas. 

O Kilimanjaro
O aeroporto do Kilimanjaro é pequenino. Começa -se por se tratar do visto. Sem problema nenhum. Estranho é pagar-se e não se receber nenhum recibo bem comprovativo. Cá fora esperava-nos Ahmed, o senhor da agência de alugueres dos jipes, CHAH. Muito simpático propôs assinarmos logo ali o contrato e pagar o que faltava (pagáramos um sinal ao reservar). Achei estranho. Ali, no parque de estacionamento? Não seria a 1ª fez. Em Pemba foi assim que recebemos o jipe. Mas dissemos que preferíamos ir ao escritório 
Fomos então para Arusha para o escritório que era mais ou menos um barracãozito. Mostrou- nos as ferramentas do jipe. E o equipamento de campismo. Pedi-lhe para abrir a tenda. “Não tem nada que saber. É como abrir um livro”. Insisti. Vem, era um daqueles livros difíceis.... nada batia certo. Tudo com um aspeto de nunca ter sido limpo.
Ahmed, do escritório de Arusha do CHAH



O estado da tenda

A tenda foi retirada
Recusámos. Que nos dessem outra tenda. O problema é que do tinham mais tendas em Dar es Salam. Depois de falar para o escritório na capital económica disse -nos que iriam trazer uma tenda “como as da África do Sul” e que nos entregariam amanhã ao final do dia vá terra onde estivermos. Veremos... Agora temos um jipe sem tenda. 
Entretanto escurecera. O jipe estava quase sem combustível. Tínhamos de atestar mas... só tínhamos dólares. E as bombas não aceitam cartão de crédito. 
Achávamos que ainda conseguiríamos chegar ao hotel mas a dada altura vimos que não. Parámos numa bomba e começámos a negociar. Ao fim de 20 minutos conseguimos pôr 20 l de gasóleo e pagar com dólares. Uff!

Quarto no The Vijiji Center




No Vijiji Center, que tínhamos reservado, fomos muito bem recebidos. O restaurante estava quase a fechar mas ainda nua fizeram , de raiz, uma galinha guisada com arroz e batatas fritas - e, claro, cerveja Kilimanjaro. Uma premium lager muito boa. 


Ao fim de 30 horas depois de termos saído de casa, caímos na cama 

1º dia - 2ª parte - Madrid

A passagem por Madrid não foi menos confusa. Não é a 1a  vez que viajo via Madrid. Mas hoje achei Barajas um aeroporto confuso e pouco amigo do passageiro. 
Ao desembarcarmos do voo de Lisboa não vimos informação nenhuma sobre onde estávamos. Mesmo em frente da local do desembarque havia uma informação electrónica... sobre “tus tiendas y restaurantes”. O quadro da parede com as informações de voo só apresentava voos até às 21.15... e depois a partir da madrugada. Onde estava o nosso voo às 22h20?
Como tínhamos tempo decidimos dar uma voltinha por ali pois talvez encontrássemos um balcão de informações. Porém nada. Olhámos de novo para o cartão de embarque: T4S. Terminal 4S era claro, mas em que terminal estávamos e como se ia para o outro terminal? 
À falta de um balcão de informações perguntámos numa loja. Teríamos de sair e apanhar um autocarro. “Es muy lejos”, avisou-nos a funcionária da loja. 
Ainda na dúvida saímos para a parte da entrega de bagagens e daí para fora. Ainda não deviam sinais indicando o terminal 4. Mas havia um balcão de informações onde o funcionário nos disse que teríamos de ir até ao piso 2, aí sair para a rua e apanhar o autocarro
Só aí apareceram sinais com T4! 
Fomos para a paragem onde havia uma informação sobre o deslocamento da mesma para uns metros adiante. Para lá fomos mas quando o autocarro chegou o condutor não parou ali mas fez um sinal com a mão indicando que a paragem era .... no sítio original! Que confusão !
O terminal 4 é mesmo “muy lejos”. 


Por outro lado, o voo de Madrid para Doha foi muito relaxante. A Qatar tem 3 (três!!!!) voos diários para Madrid o que significa que não os enche na época baixa. Dos 254 lugares do avião deveriam estar ocupados uns 70. O que permitiu que na classe económica quase todos os passageiros tivessem uma “cama”, leia-se, uma fila de três lugares para dormir. 

O pessoal de bordo era muito atencioso. Mesmo na classe económica a Qatar distribui um mino-estojo de toilette. A manta é grande e quentinha. A comida muito boa. Após o Gin Tonic de aperitivo, comi uma deliciosa carne de vaca, às tiras, tenríssima, com molho tailandês

quinta-feira, 14 de março de 2019

Viagem à Tanzânia - 1º dia - 1ª parte - Lisboa-Madrid-Doha

Tanzânia. O país com o maior número de animais de grande porte, com uma grande população de masaais  e belas paisagens africanas (grandes savanas, o pico mais alto do continente com neves eternas, lindos embondeiros). 
Espera-nos um safari de  nove dias. Sozinhos no nosso Toyota Land Cruiser com a tenda sobre o tejadilho vamos à descoberta dessa interessante região, o noroeste da Tanzânia. 
Estamos igualmente com alguma excitação por irmos voar com a Qatar Airways. Uma estreia. A Qatar ainda não voa para Lisboa (aparentemente só a partir do verão). No entanto,  tem 3 (três!) voos diários de Madrid para Doha - e daí para o resto do mundo. Tem fama de ser uma boa companhia aérea, com bom serviço e pessoal atencioso. 
Para chegar a Madrid a Qatar coopera com a TAP. Mas, infelizmente, este 1º voo da nossa viagem de ida não correu sobre rodas. 
O check-in da TAP está todo automatizado. Ou pelo menos, a TAP tenta que tudo seja feito nas máquinas. Só que as máquinas... são um stress. Chegámos atempadamente ao aeroporto mas as máquinas não davam o cartão de embarque porque “tínhamos muitos stopovers “, como nos informou a funcionária quando pedimos ajuda. “Têm de fazer o check-in com o meu colega”. 
O colega estava com pouca vontade de trabalhar. Fez-nos os Check-in e deu-nos todos os papéis ao molho. Fomos para as máquinas das bagagens ...que não aceitaram as etiquetas que a outra máquina tinha dado. Depois os funcionários não percebiam porque não funcionava. Enfim com tudo isto chegámos ao controlo de segurança 4 minutos antes do embarque. Tempo de espera: 10 minutos! 
Com muitos “com licença”, “com licença”, “com licença” fomos passando à frente de toda a gente da fila. Saímos do controlo 5 minutos depois da hora do embarque. Agora havia que dar corda aos sapatos. A nossa porta de embarque era a 07, a porta para voos Schengen mais afastada. Foi correr correr correr. 

O voo está apinhado o que fez com que partisse atrasado. Felizmente temos um tempo de transbordo alargado e não estamos em stress. 

sexta-feira, 8 de março de 2019

Um belíssimo de um navio: o MSC Bellissima






Quem passou pela Baixa, decerto viu o colossal navio que ontem aportou ao Terminal de Cruzeiros, em frente à Estação de Santa Apolónia, donde partirá amanhã rumo ao Mediterrâneo.

Trata-se do MSC Bellissima que saiu de Southampton no dia 2 de março para a sua viagem inaugural. No passado sábado, a MSC Cruzeiros, a maior companhia privada de cruzeiros do mundo e líder de mercado na Europa, incluindo Portugal, inaugurou oficialmente o seu 14º navio. Como sempre, a madrinha deste navio foi a eterna Sophia Loren.
Muitas são as novidades deste navio, sendo que a principal preocupação da MSC é a proteção do ambiente. O MSC Bellissima é o segundo navio da classe Meraviglia; estes navios são concebidos para todas as estações e tem disponível um grande número de características ambientais e tecnologia inovadora para reduzir seu impacto ambiental. Tal como o seu navio-irmão, MSC Meraviglia, o navio está equipado com um sistema de limpeza de gases de escape de última geração, uma avançada estação de tratamento de águas residuais, sistemas inteligentes de aquecimento, ventilação e ar condicionado (HVAC) para recuperação do calor dos espaços de máquinas e dispositivos inteligentes e iluminação LED para poupança significante de energia – o maior céu em LED no mar com 80 metros de comprimento envolve a magnífica promenade ao estilo Mediterrânico com 96 metros de comprimento, desenhada para se tornar no centro social do navio.

A nível de gastronomia, o MSC Bellissima tem 12 espaços diferentes de refeições e mais de 20 bares e lounges, que proporcionam aos viajantes uma infinidade de escolhas: pub inglês, bistrôt francês, sushi bar, entre outros. O navio tem também uma fábrica de chocolate para os mais gulosos, sob a responsabilidade do famoso pasteleiro Jean-Philippe Maury. 

O chocolatier em ação

A fábrica de chocolate


Grande importância é dada à cozinha


Também neste navio não falta a sempre presente escadaria com cristais Swarovsky.
A escadaria

Grande novidade é a Zoe, a primeira assistente pessoal virtual de cruzeiro, que a comando de voz dá resposta a mais de dois milhões de perguntas. Outro destaque importante são os dois novos espetáculos do Cirque du Soleil at Sea, criados em exclusivo para os viajantes da MSC Cruzeiros. SYMA – Sail beyond Imagination vai levar os viajantes numa épica viagem de um jovem marinheiro de imaginação muito fértil. VARÉLIA – Love in Full Colour coloca um twist futurístico num conto tradicional dos tempos medievais.
As crianças não foram esquecidas com uma oferta de atividades criada em parceria com a LEGO e a Chicco.


Quem não prescinde do luxo tem ao seu dispor o MSC Yacht Club com alojamento ao longo de três decks, instalações privadas e serviço de mordomo 24 horas por dia.
Há porém alojamentos para todas as bolsas. O navio tem 10 tipos de camarotes diferentes à escolha.
A MSC Cruzeiros é maior companhia privada de cruzeiros do mundo e a companhia número um na Europa, incluindo Portugal, e América do Sul. Inovadora no sector dos cruzeiros, a empresa alcançou 800% de crescimento nos primeiros dez anos, construindo uma reputação global na indústria com uma das frotas mais recentes no mar.
No âmbito do seu ambicioso plano de investimento sem precedentes na indústria de €13.6 mil milhões, a sua frota deverá aumentar para 29 navios de cruzeiro até 2027. Até ao momento, a MSC Cruzeiros já criou seis novas classes de grandes navios, todos eles protótipos da arquitetura e design marítimo, e ainda uma classe de ultra-luxo com opções inovadores no que respeita ao conforto do viajante.


(Fotos: Hans-Jürgen Müller)