A
indústria da aviação está constantemente confrontada com novas regulamentações.
Desde o início do ano, as companhias aéreas têm de todos
os voos
que
partam da UE têm obrigatoriamente
que usar 2% de SAF -
Sustainable Aviation Fuel. Obviamente, este foi um dos grandes
temas discutidos na conferência. Os europeus têm objetivos muito altos para a
descarbonização até 2050 – o que é muito difícil atingir para aeroportos
pequenos sem apoios governamentais. A adoção generalizada de SAF depende do
desenvolvimento de uma cadeia de abastecimento robusta e da redução dos custos,
sendo fundamental a colaboração entre governos, aeroportos, companhias aéreas e
outras partes interessadas.
Os aeroportos também se têm de adaptar às
novas diretrizes europeias e investir na descarbonização.
A descarbonização dos aeroportos tornou-se, assim, um imperativo urgente para
mitigar o seu impacto ambiental e promover um futuro mais sustentável para a
aviação. No painel “A Europa está sozinha? Os principais atores da aviação
estão a abandonar a via da liberalização e da descarbonização?”, discutiu-se o
desafio da descarbonização que, para os aeroportos, é um desafio complexo que
exige uma abordagem multifacetada.
Askim Demir, presidente
do Conselho de Administração do Aeroporto de Dacar, realçou o investimento que
foi feito nesse aeroporto em painéis solares. “Dacar construiu a sua planta
solar para se tornar autónomo“. Em África, há uns anos, 20 aeroportos africanos
tinham aderido aos programas de descarbonização, hoje são 45.
As emissões de carbono
nos aeroportos provêm de diversas fontes, incluindo os aviões, os Equipamentos
de Apoio em Terra (como tratores de reboque, carregadores de bagagem e veículos
de abastecimento, que utilizam combustíveis fósseis e, assim, contribuem para
as emissões nos aeroportos), e os próprios edifícios e infraestruturas, ao
consumir energia para iluminação, aquecimento, ventilação e ar condicionado, gerando
emissões indiretas através da produção de eletricidade. Para alcançar a
descarbonização, os aeroportos devem implementar uma variedade de estratégias.
Um
outro exemplo apresentado foi o do aeroporto de Singapura. O seu projeto “Blue
Print”, oficialmente conhecido como Singapore Sustainable Air Hub Blueprint, é
um plano abrangente e ambicioso lançado em fevereiro de 2024. O seu principal
objetivo é descarbonizar o setor da aviação em Singapura, tornando o aeroporto
e as operações aéreas mais sustentáveis a longo prazo, atingindo a neutralidade
carbónica até 2050. O projeto "BLUE print" delineia várias
estratégias para atingir as suas metas de sustentabilidade, focando em três
áreas principais: aeroporto, companhias aéreas e Gestão do Tráfego Aéreo.
Um
dos pontos a trabalhar e o melhoramento da eficiência energética dos edifícios
e operações do aeroporto, através da otimização de sistemas de iluminação.
Sobre este tema também falou Gert Taeymans, da empresa ADB SAFEGATE, uma
empresa líder global que fornece soluções integradas para aeroportos,
companhias aéreas e prestadores de serviços de navegação aérea (ANSPs). As suas
atividades, em mais de 2 500 aeroportos em mais de 175 países, abrangem toda a
experiência de um avião no aeroporto, desde a aproximação inicial até à
partida, com o objetivo de aumentar a eficiência, melhorar a segurança,
impulsionar a sustentabilidade ambiental e reduzir os custos operacionais.
A
ADB SAFEGATE está cada vez mais focada na sustentabilidade, desenvolvendo
soluções que ajudam os aeroportos a reduzir o seu impacto ambiental. Isto
inclui o desenvolvimento de produtos energeticamente eficientes, como
iluminação LED, e soluções que otimizam as operações para reduzir o consumo de
combustível e as emissões. A empresa também se comprometeu a operar de forma
sustentável nas suas próprias atividades, tendo alcançado a certificação de
neutralidade climática.
A
tecnologia e a inovação desempenham um papel fundamental na descarbonização dos
aeroportos. Interessante a abordagem de Clara Sasse, copresidente do Conselho
de Administração do Gupo Sasse, uma empresa familiar internacional com sede em
Munique (Alemanha), que oferece serviços integrados de gestão de instalações.
Fundada em 1976, a empresa cresceu constantemente e hoje emprega cerca de 9 000
pessoas em diversos países, incluindo em Portugal. O Grupo Sasse está empenhado
na sustentabilidade, investiu muito em tecnologia, tornando-se assim não só
mais eficiente como mais ecológica.
Estes foram alguns dos temas debatidos no AviationEvent em Cluj em meados de março de 2025, organizada pela AviationEvent, pelo Aeroporto Internacional de Cluj e pela RAA, a Associação dos Aeroportos Romenos, e que reuniu líderes do setor, especialistas e partes interessadas de todo o mundo para discutir os principais desafios, oportunidades e tendências que moldam o futuro da aviação em tempos bastante instáveis. A importância do transporte aéreo para a riqueza da Europa foi outro dos tópicos abordados. Centrado na inovação, na colaboração e no crescimento sustentável, o evento proporcionou uma plataforma para debates esclarecedores, criação de redes e intercâmbio de conhecimentos.