sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

SOLTRÓPICO LANÇA CAMPANHA "SOLOVERS" COM PRODUTO CHARTER

A Soltrópico, Operador Turístico do Grupo Newtour, acaba de lançar a sua nova campanha "Solovers", uma iniciativa comercial, que decorre a partir de hoje até 30 de janeiro, destinada aos destinos charter que o operador tem no seu portefólio. As condições especiais da campanha aplicam-se aos seguintes destinos: Ilha do Sal, Ilha da Boavista, Djerba, Monastir, Malta, Porto Santo, Senegal e Saïdia. 



Para a Ilha do Sal, a oferta, com partida do Porto a 28 de fevereiro de 2026, inclui uma estadia de 7 noites, no Aguahotels Sal Vila Verde, unidade hoteleira de 4 estrelas, em regime de só alojamento, a partir de 606 euros por pessoa. 



Para a Ilha da Boavista, a oferta, com partida de Lisboa a 11, 18 e 25 de julho de 2026, inclui uma estadia de 7 noites, no Ouril Hotel Agueda, unidade hoteleira de 3 estrelas, em regime de alojamento e pequeno-almoço, a partir de 815 euros por pessoa. 



Para Djerba, a oferta, com partida de Lisboa a 18 de abril de 2026, inclui uma estadia de 7 noites, no Seabel Aladin, unidade hoteleira de 3 estrelas, em regime de tudo incluído, a partir de 599 euros por pessoa. 



Para Monastir, a oferta, com partida de Lisboa a 3 de junho e do Porto a 1 de junho de 2026, inclui uma estadia de 7 noites, no Monarque Club Rivage, unidade hoteleira de 4 estrelas, em regime de tudo incluído, a partir de 699 euros por pessoa. 



Para Malta, a oferta, com partida de Lisboa a 1, 8, 15, 22 e 29 de julho de 2026, inclui uma estadia de 7 noites, no Hotel Soreda, unidade hoteleira de 4 estrelas, em regime de alojamento e pequeno-almoço, a partir de 880 euros por pessoa. 



Para Porto Santo, a oferta, com partida do Porto a 7 e 14 de junho de 2026, inclui uma estadia de 7 noites, no Hotel Praia Dourada, unidade hoteleira de 3 estrelas, em regime de alojamento e pequeno-almoço, a partir de 587 euros por pessoa. 



Para Senegal, a oferta, com partida de Lisboa a 6 de setembro de 2026, inclui uma estadia de 7 noites, no Royal Horizon Baobab, unidade hoteleira de 4 estrelas, em regime de tudo incluído, a partir de 1 196 euros por pessoa. 



Para Saïdia, a oferta, com partida de Lisboa a 4 de junho de 2026, inclui uma estadia de 7 noites, no Iberostar Waves Saïdia, unidade hoteleira de 5 estrelas, em regime de tudo incluído, a partir de 718 euros por pessoa. 


Para Daniel Graça, diretor de vendas da Soltrópico, "a campanha "Solovers" nasce com o objetivo de recompensar os verdadeiros amantes do sol, oferecendo preços exclusivos para os destinos de praia fantásticos que temos disponíveis na nossa programação. Queremos apoiar os agentes de viagem com uma ferramenta comercial forte e, ao mesmo tempo, proporcionar aos clientes finais propostas altamente competitivas e de qualidade." 


O programa inclui voo de ida e volta para qualquer um dos destinos referidos, estadia no hotel em número de noites e regime conforme selecionado, transfer in and out do aeroporto para o hotel, seguro multiviagens, taxas de aeroporto, segurança e combustível informadas na simulação (sujeito a alterações nos termos previstos da lei).   


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

“DIRTY DANCING: IN CONCERT” CHEGA AO MSC POESIA NA PRÓXIMA TEMPORADA DE VERÃO NO ALASCA

 



  • A MSC Cruzeiros alarga a sua colaboração com a Lionsgate a um terceiro navio, com Dirty Dancing: In Concert previsto para estrear a bordo do MSC Poesia para a temporada inaugural da companhia no Alasca, neste verão.

·         A MSC Cruzeiros é a única companhia de cruzeiros a trazer o icónico filme dos anos 80 da Lionsgate no mar, com uma banda ao vivo, cantores e bailarinos.

·         Cruzeiros de sete noites com partida a 11 de maio de 2026 de Seattle, para explorar as paisagens deslumbrantes, a vida selvagem e o património cultural do Alasca.

 

A MSC Cruzeiros levará o Dirty Dancing: In Concert – o concerto ao vivo inspirado no filme, criado pela  Lionsgate e pela GEA Live – para o MSC Poesia para a sua tão aguardada temporada de verão no Alasca, a partir de 11 de maio de 2026.

Dando continuidade à colaboração já existente entre a MSC Cruzeiros e a Lionsgate, o MSC Poesia tornar-se-á o terceiro navio da frota da companhia a apresentar o aclamado concerto ao vivo baseado no filme de sucesso, após a excelente receção a bordo do MSC World America, com partidas de Miami, nos EUA, e do MSC Virtuosa, nas suas viagens de verão com saídas de Southampton, no Reino Unido. O concerto também continuará no MSC Virtuosa na sua própria temporada de inverno no Sul das Caraíbas.

O espetacular concerto ao vivo de 90 minutos, baseado no filme, dará vida ao adorado filme dos anos 80 da Lionsgate, Dirty Dancing, contando com uma talentosa banda ao vivo, além de cantores e bailarinos sensacionais, que atuam em perfeita sincronia com o filme.

Os passageiros que viajarem a bordo do MSC Poesia  terão a oportunidade de assistir ao concerto ao vivo durante todo o cruzeiro, incluindo sessões vespertinas nos dias de navegação - tudo isso enquanto viajam para destinos fascinantes no Alasca e no Canadá, com embarque em Seattle, EUA.

Steve Leatham, Vice President of Entertainment da MSC Cruises, afirmou: “Estamos muito felizes por apresentar “Dirty Dancing: In Concert” a bordo do MSC Poesia nas primeiras viagens da MSC Cruzeiros para o Alasca nesta temporada de verão. Após a incrível resposta que vimos desde o lançamento no MSC World America e no MSC Virtuosa, estamos entusiasmados em poder oferecê-lo em mais navios para que os nossos passageiros desfrutem desta experiência verdadeiramente única no mar”.

Com sede em Genebra, na Suíça, a MSC Cruzeiros é a terceira maior companhia de cruzeiros do mundo e líder de mercado na Europa, incluindo Portugal, a América do Sul, o Médio Oriente e a África do Sul, com uma presença forte e crescente na América do Norte.    

Enquanto marca global de cruzeiros com 23 navios modernos que oferecem viagens pelos cinco continentes, os passageiros podem visitar mais de 100 países em todo o mundo, com mais de 300 destinos, criando memórias inesquecíveis e desfrutando da melhor hospitalidade.

MSC Poesia passará por uma das maiores remodelações da história da MSC Cruzeiros, incluindo a adição do MSC Yacht Club, dois restaurantes de especialidade, Butcher’s Cut e Kaito Sushi Bar, o All-Stars Sports Bar, um MSC Aurea Spa renovado e um ginásio MSC Gym Powered by Technogym® melhorado. Os passageiros que viajarem a bordo do MSC Poesia poderão usufruir destas novas funcionalidades na temporada inaugural da MSC Cruzeiros no Alasca, com cruzeiros de 7 noites para alguns dos destinos mais pitorescos da região, incluindo Ketchikan, Icy Strait Hoonah, Tracy Arm, Juneau (Alasca, EUA) e Victoria (Colúmbia Britânica, Canadá).

Para mais informações, visite Navio MSC Poesia - Planos de Deck e Itinerários | MSC Cruizeiros

 

 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

A Corunha e a Torre de Hércules

 


Torre de Hércules


A Corunha é a "Cidade de Cristal" — um título que ganha devido às famosas varandas envidraçadas (galerias) que refletem a luz do oceano na Avenida da Mariña. É uma cidade vibrante, muito cosmopolita e com uma ligação profunda ao mar.

Avenida Mariña






O seu ícone mundial é a Torre de Hércules:, o farol romano mais antigo do mundo ainda em funcionamento e Património da Humanidade pela UNESCO. Do cimo dos seus 55 m  (242 degraus!) tem-se uma vista fantástica de 360º. Com quase 2.000 anos de história, é Património Mundial da UNESCO desde 2009.

Torre de Hércules

Foi edificada no século I d.C. (provavelmente durante os reinados de Nero ou Vespasiano) para guiar os navios que navegavam para as Ilhas Britânicas e para o norte da Europa. Uma inscrição na base revela que o seu arquiteto foi Caius Sevius Lupus, originário de Aeminium (a atual cidade de Coimbra, em Portugal). Ele dedicou a obra ao deus Marte.

O que se vê atualmente por fora é uma "casca" neoclássica do século XVIII, obra do engenheiro Eustaquio Giannini, mas o núcleo interno romano permanece intacto. 

Segundo a mitologia (popularizada pelo rei Afonso X), o herói Hércules veio a estas terras para derrotar o gigante Gerião, um tirano que aterrorizava a população. Após uma batalha de três dias, Hércules cortou a cabeça do gigante e enterrou-a no local onde hoje está a torre. Diz-se que a cidade da Corunha foi fundada sobre essa vitória, e o escudo da cidade ainda hoje mostra a Torre de Hércules com uma caveira e ossos por baixo, simbolizando a cabeça enterrada de Gerião.

Para além do mito grego, existe a lenda celta: o rei Breogán teria construído aqui uma torre tão alta que o seu filho, Ith, conseguiu avistar as costas da Irlanda a partir do topo, partindo depois para a conquistar. É por isso que a estátua de Breogán te recebe logo à entrada do parque escultórico.

A Torre de Hércules está "geminada" com a Estátua da Liberdade em Nova Iorque, como um símbolo de união entre as duas margens do Atlântico.

Aos pés da milenar Torre de Hércules, na Corunha, estende-se uma imensa e colorida Rosa dos Ventos, um mosaico circular que é um autêntico hino à cultura celta e atlântica. Com cerca de 25 metros de diâmetro, esta obra não serve apenas para indicar os pontos cardeais, mas funciona como um mapa místico da herança galega.

A rosa dos ventos


Cada uma das suas direções aponta para um dos povos de origem celta, representados por símbolos tradicionais: desde a harpa da Irlanda ao tríscele da Ilha de Man. É um lugar de energia única onde, entre o rugido do oceano e o vento constante, os visitantes sentem a profunda ligação da Galiza com o mar e com as lendas de Breogán.

Segundo a lenda, o rei milenar Breogán fundou a cidade de Brigantia (Corunha) e nela ergueu uma torre tão alta que tocava as nuvens. Numa noite límpida de inverno, o seu filho Ith subiu ao topo e, fixando o olhar no horizonte sobre o oceano, avistou um brilho verde distante: era a Irlanda.

Seduzido pela visão, Ith partiu para explorar a ilha, mas foi morto pelos seus habitantes. Para vingar a morte, os filhos de Mil, descendentes de Breogán, invadiram a Irlanda, estabelecendo o laço eterno entre a Galiza e as nações celtas, hoje imortalizado na Rosa dos Ventos.


Pontevedra, a cidade galega do conforto

Virgem Peregrina
 

Pontevedra é muitas vezes apelidada de "a cidade dos miúdos" ou a "capital do conforto", porque o seu centro histórico é quase inteiramente pedonal. É uma das cidades mais charmosas da Galiza, perfeita para percorrer a pé sem o barulho dos carros.

No coração histórico, temos a Praça da Peregrina, o símbolo da cidade. Aqui está a Igreja da Virgem Peregrina, com a sua planta curiosa em forma de vieira (o símbolo do Caminho de Santiago, uma paragem obrigatória para quem percorre o Caminho Português de Santiago).

Virgem Peregrina, padroeira da província e do Caminho Português

Esta igreja é única no mundo devido à sua arquitetura peculiar. Construída em 1778, tem uma planta em forma de concha de vieira, o símbolo do Caminho de Santiago, na qual está inscrita uma cruz. Mistura elementos do barroco, rococó e neoclássico.

Na entrada, existe uma concha gigante natural usada para água benta, trazida das Filipinas pelo contra-almirante Méndez Núñez no século XIX.

No canto da praça, onde antigamente existia uma farmácia, encontra-se a estátua de ferro de um papagaio. Ravachol foi o animal de estimação do farmacêutico Perfecto Feijoo no final do século XIX. Era famoso pelo seu vocabulário sarcástico e por pregar partidas aos clientes. O papagaio morreu no Carnaval de 1913, causando tal tristeza que a cidade lhe organizou um funeral de Estado. Até hoje, o Carnaval de Pontevedra termina com o "Enterro do Ravachol", uma paródia ao seu funeral original.

A praça Praça da Peregrina é totalmente pedonal e está rodeada de esplanadas, lojas e outros pontos de interesse.

Logo ao lado, está a Praza da Ferrería, uma das praças mais amplas da cidade, onde se encontra o Convento de São Francisco. É uma praça ampla e cheia de vida, rodeada de arcadas e cafés, o lugar ideal para sentir o pulso da cidade.

Praça da Lenha

Um pouco mais adiante, temos a Praça da Lenha, para muitos, a praça mais bonita da Galiza. É pequena, rodeada de casas típicas com varandas de madeira e cheia de "taperías" onde se pode comer um bom polvo e bom marisco.

Rua Sarmiento, apinhada de jovens 

Bem perto, temos a rua Sarmiento no coração da zona de bares, junto ao Museu de Pontevedra. Frei Martín Sarmiento (1695–1772) é uma das figuras mais fascinantes e importantes do Iluminismo em Espanha e, acima de tudo, um herói cultural da Galiza. Embora tenha vivido grande parte da sua vida em Madrid, o seu coração e a sua obra estavam profundamente ligados à sua terra natal, Pontevedra. Era um monge beneditino com uma curiosidade insaciável, o que hoje chamaríamos de um verdadeiro polímata. Escreveu sobre quase tudo. 

É considerado o pai da filologia galega. Defendeu o uso do galego, estudou a sua origem e lutou para que o povo fosse alfabetizado na sua própria língua. Foi um pioneiro no estudo da flora galega e um grande defensor da agricultura e do aproveitamento dos recursos naturais. 

Um dos seus episódios mais famosos foi a viagem que fez de Madrid à Galiza em 1745. Escreveu um diário detalhado onde descreveu tudo o que viu: costumes, monumentos, plantas e palavras. Mapeou e documentou o património da Galiza como ninguém tinha feito até então.

Apesar de ter nascido em Vilafranca do Bierzo, Sarmiento cresceu em Pontevedra e  considerava-se pontevedrino, sentindo um carinho especial pela cidade

A casa onde viveu em criança fica precisamente nesta rua, onde também encontramos o Museu de Pontevedra (um dos melhores da Galiza), que ocupa edifícios históricos, preservando o espírito intelectual que ele tanto prezava, e o Edifício García Flórez (parte do Museu), com os seus famosos brasões de pedra.


A Galiza desconhecida - 3 - Castro de Boroña

 


O Castro de Baroña é um dos tesouros arqueológicos mais fascinantes da Galiza, em Espanha. Localizado no concelho de Porto do Son (província da Corunha), destaca-se por ser um povoado fortificado da Idade do Ferro construído numa península rochosa à beira-mar, o que o torna visualmente espetacular e historicamente único.

Foi habitado aproximadamente entre o século I a.C. e o século I d.C. Situa-se numa pequena península rodeada pelo Oceano Atlântico, uma localização estratégica que oferecia defesa natural e acesso direto aos recursos marinhos.

Pensa-se que foi abandonado por volta do século I d.C., possivelmente devido à pressão da romanização que levou as populações para zonas mais férteis e acessíveis no interior.

O fosso entre as duas muralhas

O castro é famoso pela sua excelente preservação e pelo complexo sistema defensivo. Possui duas grandes linhas de muralhas que protegiam o acesso por terra. Existe também um fosso escavado na rocha, com cerca de 4 metros de largura.

No interior, podem ver-se as bases de cerca de 20 casas circulares e ovais. Ao contrário de outros castros, estas não tinham janelas e a vida familiar concentrava-se em torno de uma lareira central.

A entrada no castro

 Na zona mais alta e protegida, situava-se possivelmente a área de maior importância ou refúgio final.

Os habitantes de Baroña eram autossuficientes, mas com uma forte ligação ao mar. Comiam principalmente peixe, marisco (mexilhões e caramujos) e praticavam a pastorícia de cabras e ovelhas.

Foram encontrados vestígios de metalurgia (fornos para trabalhar ferro e ouro), tecelagem e olaria.

Curiosamente, não foi encontrada uma fonte de água doce dentro do castro, o que sugere que os habitantes tinham de sair das muralhas diariamente para se abastecerem.
















A Galiza desconhecida - 2 - Ponte medieval de Seira

 


A ponte medieval de Seira, é um exemplo magnífico da engenharia civil medieval e desempenhou um papel crucial na história da região. 

A ponte atravessa o rio Sar e está situada numa zona de grande importância estratégica, ligando as terras de Iria Flavia e Padrão à zona de Santiago de Compostela. O nome "Seira" provém da aldeia onde se encontra.

Destaca-se pelo seu imponente arco de meio ponto, construído em cantaria de granito, que impressiona pela sua altura e largura. Possui o perfil típico das pontes medievais, conhecido como "lombo de asno", onde a calçada sobe acentuadamente até ao centro do arco e depois desce.

Foi desenhada para resistir às fortes correntes do rio Sar durante as épocas de chuva, algo que tem conseguido fazer com sucesso ao longo dos séculos.

Como muitas pontes na Galiza, a Ponte de Seira está envolta em história e tradição. A sua proximidade com Padrão (onde, segundo a tradição, chegou a barca com os restos do Apóstolo Tiago) torna-a um ponto de interesse nas rotas jacobeias secundárias. Durante séculos, foi a principal via de passagem para o comércio de peixe e vinho entre a costa e o interior da Galiza.

O ambiente envolvente é dominado por uma densa vegetação de ribeira e águas cristalinas.



 

A Galiza desconhecida - 1 - Petróglifos de Mogor

Para além das torres da Catedral de Santiago e do bulício das praias das Rias Baixas, existe uma Galiza que pulsa num ritmo antigo e secreto. É um território de névoa e granito, onde a natureza se mantém indomável e as tradições se escondem em aldeias esquecidas pelo tempo. Partimos à descoberta duma Galiza desconhecida.

Começámos por Marin, a uns 7 km de Pontevedra, onde nos fascinámos com as formas circulares dos Petróglifos de Mogor, um dos conjuntos de arte rupestre mais emblemáticos e misteriosos da Galiza. São mundialmente conhecidos, sobretudo, pelas suas raras formas de labirinto. A peça central deste conjunto é a Pedra do Labirinto. Ao contrário da maioria dos petróglifos galegos, que costumam representar círculos concêntricos ou animais, este apresenta um desenho labiríntico circular complexo, de cerca de 42 cm.

Pedra do Labirinto

Este desenho é quase idêntico a labirintos encontrados em locais como a Cornualha (Inglaterra), o que reforça a ideia de que existiam rotas comerciais e culturais atlânticas muito ativas na Pré-história. Embora o seu propósito exato seja desconhecido, teoriza-se que possam ser símbolos religiosos, mapas estelares ou marcações de território.

Laxe dos Mouros

Além da Pedra do Labirinto, podemos observar, na Pedra dos Campiños, círculos concêntricos e "cazoletas" (pequenos buracos escavados na rocha). Na Laxe dos Mouros, vemos uma grande rocha com diversos motivos circulares e vestígios de figuras de animais.

Estima-se que estas gravuras tenham sido feitas entre o Neolítico Final e a Idade do Bronze (aproximadamente entre 2500 a.C. e 1500 a.C.). Estão situados numa encosta com vista para a Ria de Pontevedra, muito perto da Praia de Mogor. Esta localização privilegiada sugere que o mar tinha uma importância vital para os povos que ali viviam.

O significado dos labirintos de Mogor (e de outros semelhantes na Europa Atlântica) é um dos maiores enigmas da arqueologia. Como não existem registos escritos da Idade do Bronze, os investigadores baseiam-se em interpretações simbólicas, astronómicas e rituais.

Quais são as principais teorias sobre o que estes desenhos poderiam representar?

1. Metáfora Espiritual e Ritos de Passagem Esta é a teoria mais aceite por muitos historiadores modernos. Ao contrário de um "labirinto-armadilha" (onde nos podemos perder), o labirinto de Mogor é um labirinto unicursal: existe apenas um caminho que leva inevitavelmente ao centro e volta à saída.

* A Jornada da Vida: Pode representar o caminho da vida, a morte e o renascimento.

* Purificação: O ato de seguir o desenho com o dedo ou com o olhar poderia ser um ritual de meditação ou purificação antes de entrar num estado espiritual diferente.

* Iniciação: Poderia marcar um local onde os jovens passavam por rituais para se tornarem guerreiros ou adultos.

2. Mapas e Geografia Sagrada

* Rotas Marítimas: Dada a localização de Mogor (sobre a Ria de Pontevedra), alguns investigadores sugerem que os labirintos poderiam ser "mapas" simbólicos de correntes marítimas ou entradas de portos seguros, servindo como guias para os navegadores da Idade do Bronze.

* Marcadores Territoriais: Os desenhos poderiam sinalizar que aquela terra pertencia a um determinado clã ou que o local era um ponto de encontro importante para várias tribos.

3. Astronomia e Calendários

Alguns estudos sugerem que a geometria destes petróglifos não é aleatória:

* Movimentos Solares: A orientação de certas rochas e a forma dos sulcos poderiam ser usadas para observar o sol durante os solstícios ou equinócios, ajudando os povos antigos a prever as estações do ano, essenciais para a agricultura e pastoreio.

4. A Ligação Atlântica e o Mito de Teseu O desenho de Mogor é quase idêntico ao "Labirinto Clássico" (ou Cretense). Isto levanta questões fascinantes. Será que a lenda do Minotauro e de Creta chegou à Galiza através de rotas comerciais de metais (estanho e cobre)?

* Proteção: Em muitas culturas antigas, o labirinto era gravado à entrada de locais para "prender" os maus espíritos, que ficariam perdidos no traçado e não conseguiriam entrar na comunidade ou nas casas.

5. Estados de Transe (Teoria Xamânica)

Alguns arqueólogos acreditam que estes padrões geométricos (espirais, círculos e labirintos) são "fenómenos entópticos" — imagens que o cérebro humano gera naturalmente durante estados de transe ou rituais xamânicos. Os artistas pré-históricos estariam a "gravar" na pedra o que viam durante as suas visões espirituais.


quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Viagem à Guiné-Bissau - Ilha de Orango


Da ilha das Galinhas seguimos na lancha para Bubaque, onde esperámos pelo transporte para a ilha de Orango, o coração ecológico e cultural dos Bijagós, para onde viemos de piroga apesar de a minha companheira de viagem sempre ter dito que não andaria de piroga…. Mas não era uma piroga tradicional, feita de um tronco de árvore, mas uma piroga de metal com motor.

A ilha de Orango é uma das maiores ilhas - e das mais significativas - do Arquipélago dos Bijagós, pois é o lar do Parque Nacional de Orango (PNO, o lar do hipopótamo marítimo. O arquipélago dos Bijagós é formado por 88 ilhas e ilhotes - um mundo por si, diversificado e singular. Declarado Reserva da Biosfera pela UNESCO em 1996, inclui três áreas protegidas, entre as quais se destaca o na Parque Nacional de Orango, de grande valor tanto do ponto de vista científico como ecoturístico.

Este espaço protegido ocupa integralmente a ilha do mesmo nome e possui ecossistemas tão variados como os mangais, as praias, os palmeirais, a savana e os bosques tropicais.


O parque é um verdadeiro paraíso para as aves, que ocupam desde os bosques mais inacessíveis aos intermináveis bancos de areia que surgem com a maré baixa. Nas águas que rodeiam e criam a ilha habitam manatins, crocodilos, golfinhos e tartarugas marinhas.

Este grupo de ilhas representa a segunda área mais importante de dedica de tartarugas marinhas de toda a África Oriental.

A tabanca principal de Orango é Eticoga. É daqui que vêm os funcionários do hotel no Parque Nacional de Orango, gerido por uma ONG espanhola. São 14 quartos, divididos por 2 “palhotas” amarelas com 8 quartos standard e 6 “palhotas” brancas com 6 quartos premium. A época alta é na época seca, de outubro a dezembro. Janeiro e fevereiro, quando começa a época das chuvas, é época intermédia e de março a junho a época baixa. Entre julho e setembro o hotel fecha.

 


O aspeto mais notável desta ilha é a sua população de hipopótamos marinhos (Hippopotamus amphibius), que se adaptaram a viver em ambientes de água salgada, frequentando os mangais e o mar. Este é um fenómeno biológico extremamente invulgar: durante o dia vivem na lagoa de Anor, de água doce e, ao pôr do sol , atravessam o mar (salgado) até à ilha de Uno, aproveitando para limpar a pele dos parasitas.

Com muita curiosidade, fomos com o Eduardo, o guia do hotel, para a piroga que nos levou para a ponta da ilha, onde está Anor. Está somente a 10 km do hotel, mas é mais fácil ir de piroga do que atravessar a selva tropical húmida.

A piroga atacou na praia. Saltámos para a água e o guia verificou se estávamos preparados: sapatos de borracha ou impermeáveis, calças compridas e blusas/camisas de manga comprida. Tudo isso era importante porque iríamos atravessar savana com plantas que picam e uma zona pantanosa.


Lá fomos em “fila indiana” pelo caminho trilhado no chão. Eduardo levava numa das mãos uma catana e na outra um pau, para nos defender caso encontrássemos algum animal. Não esquecer que estávamos numa reserva onde os animais vivem em liberdade.

No caminho íamos explicando as árvores e os arbustos que víamos e apontando para aves diversas.

E assim chegámos a uma clareira com algumas árvores apinhadas de pássaros e no meio uma lagoa onde pastelavam os hipopótamos. Eduardo chamou- nos igualmente a atenção para dois olhos que se viam na linha de água. Um crocodilo espiava os nossos movimentos…

Do crocodilo só se viam os olhos

Apesar de serem vegetarianos - comem 35 kg de ervas por dia! - e de parecerem ser pachorrentos (pesam, na idade adulta 3 toneladas), são muito perigosos. Aqui em Orango, os hipopótamos eram os grandes inimigos dos camponeses, pois destruíam-lhes constantemente os campos de arroz. Os camponeses não tinham piedade e matavam- nos. Somente com a criação do Parque Nacional, é que os hipopótamos passaram a ser protegidos. Mas não se podia proteger os hipopótamos e não pensar nos camponeses. Assim, foram colocadas vedações eletrificadas à volta dos campos de arroz, que, deste modo, ficaram a salvo dos animais.













Não tendo agora inimigos em Orango, os hipopótamos chegam aos 40-42 anos!

No caminho de regresso, Eduardo verificou os pés de cada um e nos meus viu uma sanguessuga! Que eu entrei em pânico, mas Eduardo, calmamente, tirou-ma do pé e atirou-a de novo para o lamaçal.

Falemos agora um pouco do povo que habita este arquipélago. Os bijagós, cujo nome significa “o povo perfeito”, habitam nestas ilhas há já vários milhares de anos. As suas tabancas, cujas casas se constroem com tijolo cru, paus e palha, encontram- se perfeitamente integradas neste meio.

De tradição animista, isto é, reconhecem uma força vital em todos os seres e na inter-relação entre o mundo dos vivos e dos mortos, os bijagós vivem da agricultura, especialmente do arroz, da criação de animais domésticos - alguns dos quais fazem parte dos seus rituais - e da pesca artesanal. Da palmeira, um símbolo da Guiné Bissau , obtêm- se azeite e vinho. Das folhas fazem- se as saias tradicionais das mulheres, cestos, as esteiras para dormir ou para enterrar os mortos. As folhas das palmeiras são também usadas nas cerimónias e como “papel “ para mandar mensagens. Com a madeira fabricam-se objetos de uso diário (tigelas, colheres, pilões, paus para cozinhar, bancos e banquetas) , instrumentos para limpar o arroz ou o milho e canoas.




Várias partes do território são sagradas onde se fazem as cerimónias mais importantes. Nalgumas ilhas vivem os espíritos e só os iniciados podem lá ir.  

Uma nota muito interessante sobre Orango : foi nesta ilha que nasceu e reinou a única rainha dos Bijagós, Okinca Pampa Kanyimpa, entre 1910 e 1930, uma figura histórica e lendária fundamental para a identidade cultural do povo Bijagó que governou a ilha no século XIX e é um símbolo do sistema social matriarcal (ou matrilinear) que caracteriza a sociedade Bijagó.

Ela é reverenciada como uma das últimas rainhas do arquipélago - e das mais poderosas -, um símbolo da liderança feminina e da resistência cultural Bijagó. O seu reinado ocorreu durante a segunda metade do século XIX, num período de crescente pressão colonial portuguesa sobre o arquipélago. Numa sociedade que tradicionalmente reconhece a importância e a autoridade das mulheres nas esferas política e ritual (sistemas matriarcais/matrilineares), Pampa Kanyimpa destacou-se pela sua inteligência e astúcia política.

A rainha notabilizou-se por evitar confrontos diretos com as forças portuguesas, preferindo utilizar a diplomacia e a estratégia para manter a soberania e as tradições do seu povo. O seu legado é visto como uma personificação da estrutura social Bijagó, onde a mulher não é apenas a guardiã do ritual, mas também detém o poder da decisão.

Hoje, Okinca Pampa Kanyimpa é um mito fundador e uma referência constante na ilha de Orango, que é o coração do Parque Nacional. A sua história é contada para inspirar o respeito pela autoridade feminina e para reforçar a ligação do povo Bijagó à sua terra e aos seus antepassados. Ela representa a força, resiliência e a dignidade da mulher Bijagó face a desafios externos.

O poder feminino e o respeito pelos mais velhos continuam a ser pilares da vida em Orango.

Orango é o local ideal para quem quer retemperar energia. Passar aqui uns dias, fazendo caminhadas na areia finíssima e branca, gozando as águas quentes da praia ou vendo a população na sua labuta diária (seja em pirogas na pesca, seja noutra atividade), fazem-nos esquecer as preocupações, descansando o corpo e a alma.


Praia de Orango

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Viagem à Guiné-Bissau: Ilha das Galinhas




Estes dias mas ilhas foram verdadeiramente de regresso ao básico. 

Primeiro visitámos a ilha das galinhas e depois a ilha da Orango. 



Ilha das Galinhas

Durante muitos séculos, a ilha das Galinhas - com os seus 28x21 km, uma das maiores dos Bijagós - esteve inabitada. Era, porém, muito fértil e, assim, durante alguns meses do ano, os povos das ilhas vizinhas iam para a ilha fazer as plantações. Para sobreviver levavam tudo o que precisariam durante esse tempo, incluindo galinhas. Após as colheitas, regressavam às suas ilhas de origem, levando tudo o que lhes pertencia. Contudo, não conseguiam apanhar todas as galinhas que ficavam e se reproduziam. Foi, assim, que a ilha ficou com um número muito elevado de aves galináceas e ganhou o seu nome .



Chegar à Ilha das Galinhas a partir de Bissau envolve uma longa viagem de barco (lancha rápida ou embarcação tradicional), o que contribui para a sua sensação de isolamento.



O que me levou à ilha das Galinhas foi ver de perto o projeto da Associação de Beneficência Luso-Alemã (ABLA) , focado no setor da Educação e na Saúde Alimentar, visando combater o abandono escolar e a pobreza.

A ABLA é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) e Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) portuguesa e concentra a sua atuação na Ilha das Galinhas através de parcerias com organizações locais, tentando garantir que as crianças tenham acesso à escolaridade e à alimentação básica.

A ABLA financiou a construção de pelo menos duas escolas na Ilha das Galinhas e  cobre os salários dos professores locais que, com um salário de aproximadamente €85/mês, são essenciais para manter o sistema de ensino a funcionar. A ABLA também doa material didático.

Um dos aspetos mais cruciais do projeto é a distribuição diária de uma refeição quente aos alunos nas escolas. Para muitas das crianças, esta é a única refeição quente que comem durante o dia, o que é fundamental para a saúde e para incentivar a frequência escolar.

Através do financiamento escolar, do fornecimento de material escolar e da alimentação, a ABLA visa quebrar o ciclo da pobreza e combater o abandono escolar precoce, garantindo a frequência de centenas de crianças (mais de 600 em 2023) nas escolas que apoia. 

Nestas escolas, fiz sessões de contos, um dos objetivos que me levaram à Guiné-Bissau. 

Para além do núcleo educacional, a ABLA tem procurado dar apoio em outras vertentes. Tem tentado manter em funcionamento um posto de primeiros socorros na Ilha das Galinhas, que infelizmente enfrenta problemas de abastecimento de medicamentos.


No dia que planeámos ir visitar as escolas da ilha das Galinhas, criadas pela igreja evangélica e apoiadas pela ABLA, levantámo- nos cedo, pois o barco zarparia às 7h45. 

Como a ilha é muito pobre e não tem lugares  onde se  possa comer, a Nia Gomes preparou um farnel: frango guisado com batatas fritas e pão. Este teve ainda de ser comprado, o que fez atrasar a partida. O mar estava calmo e a travessia de 1h30 fez- se sem sobressaltos. 

A lancha chegou bem perto do praia, mas mesmo assim tivemos que saltar para a água. Na praia, um montão de crianças já nos esperava. Olharam- nos com ar de espanto, mas com curiosidade. Quiseram dar-nos as mãos, tocavam- nos, passavam os dedos pelos nossos braços e pelas nossas mãos, agarravam- nos. 

E, com este “séquito” saímos da praia em direção à escola, passando pela tabanca, uma das seis tabancas da ilha. 







É uma aldeia tipicamente africana, com palhotas redondas e quadradas com tetos de colmo, e outras com tetos de zinco. As pessoas viviam da pesca e de agricultura de subsistência - e do apoio do PAM, Programa de Alimentação Mundial da ONU. 

Mulheres lavavam a roupa em alguidar, homens construíam blocos de adobe para construírem as suas casas. Um homem fazia um tambor. 



Uma mulher fazia uma saia tradicional (chamada saia de defunto ou veste mortadja) . Estas saias são feitas com fibras vegetais provenientes da flor de tara (Raphia SP.). O processo envolve a colheita, a lavagem com água do mar e a secagem à sombra, o que lhes confere uma coloração castanha antes de serem tecidas.



Finalmente - e sempre com um montão de crianças agarradas a nós, chegámos à Escola Evangélica de Ensino Unificado  Tedepi-Nindo. Mais de duas centenas de crianças brincavam enquanto  esperavam que o almoço ficasse pronto. Nesse dia, o almoço - arroz com sardinhas - só pôde começar a ser feito quando chegou o arroz do PAM, pois já não havia arroz na tabanca. 

Entrega de um livro à professora e de um avental da AAAIO


Os alunos da 3ª classe ainda estavam na sala de aula. Assim, pudemos fazer a sessão de contos que tínhamos planeado e oferecer o 1º livro para uma futura biblioteca escolar. 






Quando terminámos a sessão de contos, o arroz estava cozido e pôde iniciar- se a distribuição do almoço   Esta refeição, apoiada pela ABLA, é extremamente importante, pois para a grande maioria das crianças é a única do dia. Cada criança traz de casa uma tigela. Põem- se n uma fila, começando pelos mais novos, e um a um vão revendo a sua ração. 



Fomos depois, novamente de barco , para a escola da outra tabanca, onde uma centena de alunos faz o seu percurso escolar até ao 9 º ano. Neste dia, estes alunos não receberam almoço porque o arroz do PAM não chegou a tempo. 

Também aqui fizemos a nossa oferta de um livro para a futura biblioteca escolar, de lápis e de calculadoras solares. A ABLA ofereceu ao Centro de Saúde uma grande quantidade de medicamentos, recolhidos pelas crianças do jardim de infância e da escola dessa associação em

Carcavelos. 

Medicamentos oferecidos pela ABLA