segunda-feira, 24 de março de 2025

Investimento em descarbonização e tecnologia nos aeroportos

 


A indústria da aviação está constantemente confrontada com novas regulamentações. Desde o início do ano, as companhias aéreas têm de todos os voos que partam da UE têm obrigatoriamente que usar 2% de SAF - Sustainable Aviation Fuel. Obviamente, este foi um dos grandes temas discutidos na conferência. Os europeus têm objetivos muito altos para a descarbonização até 2050 – o que é muito difícil atingir para aeroportos pequenos sem apoios governamentais. A adoção generalizada de SAF depende do desenvolvimento de uma cadeia de abastecimento robusta e da redução dos custos, sendo fundamental a colaboração entre governos, aeroportos, companhias aéreas e outras partes interessadas.

Os aeroportos também se têm de adaptar às novas diretrizes europeias e investir na descarbonização. A descarbonização dos aeroportos tornou-se, assim, um imperativo urgente para mitigar o seu impacto ambiental e promover um futuro mais sustentável para a aviação. No painel “A Europa está sozinha? Os principais atores da aviação estão a abandonar a via da liberalização e da descarbonização?”, discutiu-se o desafio da descarbonização que, para os aeroportos, é um desafio complexo que exige uma abordagem multifacetada.

Askim Demir, presidente do Conselho de Administração do Aeroporto de Dacar, realçou o investimento que foi feito nesse aeroporto em painéis solares. “Dacar construiu a sua planta solar para se tornar autónomo“. Em África, há uns anos, 20 aeroportos africanos tinham aderido aos programas de descarbonização, hoje são 45.

As emissões de carbono nos aeroportos provêm de diversas fontes, incluindo os aviões, os Equipamentos de Apoio em Terra (como tratores de reboque, carregadores de bagagem e veículos de abastecimento, que utilizam combustíveis fósseis e, assim, contribuem para as emissões nos aeroportos), e os próprios edifícios e infraestruturas, ao consumir energia para iluminação, aquecimento, ventilação e ar condicionado, gerando emissões indiretas através da produção de eletricidade. Para alcançar a descarbonização, os aeroportos devem implementar uma variedade de estratégias.

Um outro exemplo apresentado foi o do aeroporto de Singapura. O seu projeto “Blue Print”, oficialmente conhecido como Singapore Sustainable Air Hub Blueprint, é um plano abrangente e ambicioso lançado em fevereiro de 2024. O seu principal objetivo é descarbonizar o setor da aviação em Singapura, tornando o aeroporto e as operações aéreas mais sustentáveis a longo prazo, atingindo a neutralidade carbónica até 2050. O projeto "BLUE print" delineia várias estratégias para atingir as suas metas de sustentabilidade, focando em três áreas principais: aeroporto, companhias aéreas e Gestão do Tráfego Aéreo.

Um dos pontos a trabalhar e o melhoramento da eficiência energética dos edifícios e operações do aeroporto, através da otimização de sistemas de iluminação. Sobre este tema também falou Gert Taeymans, da empresa ADB SAFEGATE, uma empresa líder global que fornece soluções integradas para aeroportos, companhias aéreas e prestadores de serviços de navegação aérea (ANSPs). As suas atividades, em mais de 2 500 aeroportos em mais de 175 países, abrangem toda a experiência de um avião no aeroporto, desde a aproximação inicial até à partida, com o objetivo de aumentar a eficiência, melhorar a segurança, impulsionar a sustentabilidade ambiental e reduzir os custos operacionais.

A ADB SAFEGATE está cada vez mais focada na sustentabilidade, desenvolvendo soluções que ajudam os aeroportos a reduzir o seu impacto ambiental. Isto inclui o desenvolvimento de produtos energeticamente eficientes, como iluminação LED, e soluções que otimizam as operações para reduzir o consumo de combustível e as emissões. A empresa também se comprometeu a operar de forma sustentável nas suas próprias atividades, tendo alcançado a certificação de neutralidade climática.

A tecnologia e a inovação desempenham um papel fundamental na descarbonização dos aeroportos. Interessante a abordagem de Clara Sasse, copresidente do Conselho de Administração do Gupo Sasse, uma empresa familiar internacional com sede em Munique (Alemanha), que oferece serviços integrados de gestão de instalações. Fundada em 1976, a empresa cresceu constantemente e hoje emprega cerca de 9 000 pessoas em diversos países, incluindo em Portugal. O Grupo Sasse está empenhado na sustentabilidade, investiu muito em tecnologia, tornando-se assim não só mais eficiente como mais ecológica.



Estes foram alguns dos temas debatidos no AviationEvent em Cluj em meados de março de 2025, organizada pela AviationEvent, pelo Aeroporto Internacional de Cluj e pela RAA, a Associação dos Aeroportos Romenos, e que reuniu líderes do setor, especialistas e partes interessadas de todo o mundo para discutir os principais desafios, oportunidades e tendências que moldam o futuro da aviação em tempos bastante instáveis. A importância do transporte aéreo para a riqueza da Europa foi outro dos tópicos abordados. Centrado na inovação, na colaboração e no crescimento sustentável, o evento proporcionou uma plataforma para debates esclarecedores, criação de redes e intercâmbio de conhecimentos.

sexta-feira, 21 de março de 2025

Para o desenvolvimento de uma região as ligações são fundamentais

 

1º painel da AviationEvent CLJ

Estamos em Cluj, uma cidade que a maioria dos Portugueses desconhecem. Cluj fica na Roménia, é, por assim dizer, a porta da Transilvânia. É a 2ª maior cidade do país, uma cidade jovem, com uma universidade muito dinâmica que atrai muitos estudantes.

Os responsáveis pela cidade têm-se focado em desenvolver o turismo. Como disse Maria Forna, governadora de Cluj, a nossa missão é ligar pessoas. E isso significa investir em ligações, sejam elas rodoviárias, ferroviárias ou aéreas. David Ciceo, presidente do Conselho de Administração do Aeroporto Internacional de Cluj, realçou o trabalho árduo que tem sido feito para promover a cidade e a região que os europeus têm vindo a descobrir. 90% dos 3.3 milhões de passageiros que chegam são estrangeiros. Como é que todo este desenvolvimento foi possível? Atraindo as companhias aéreas, especialmente companhias de baixo custo.  Wizz Air tem 60% do tráfego em Cluj, mas a direção do aeroporto tem planos para diversificar, por exemplo, com voos diretos para os EUA. Para tal há ainda que fazer mais investimentos, aumentar a pista para  poder receber aviões maiores. Há grandes planos para a criação de um “corredor leste-este” que ligue toda a Europa , passando por Cluj.



E esse corredor já chegou a Portugal, com as ligações bissemanais da Wizz Air entre Lisboa e Cluj, que têm levado muitos romenos da Transilvânia às belas praias portuguesas. Em outubro do ano passado, a Wizz Air iniciou voos bissemanais de Cluj para Lisboa, às 2as e às 6as.

quarta-feira, 12 de março de 2025

Em Cluj (Románia) vão ser discutidos os principais desafios e oportunidades do sector da aviação

 

Aeroporto de Cluj-Napoca


O Aviation-Event 2025 CLJ terá lugar no dia 21 de março de 2025, em Cluj-Napoca, reunindo líderes da indústria, decisores políticos e especialistas para debater o futuro da aviação no meio de cenários geopolíticos, económicos e ambientais em ebulição. A conferência, acolhida pelo Aeroporto Internacional de Cluj e organizada pela Aviation-Event, contará com uma série de painéis perspicazes e sessões de apresentação que abordarão os principais desafios, como a descarbonização, a harmonização regulamentar e a inovação no sector.

David Ciceo, Diretor Executivo do Aeroporto Internacional de Cluj, apresentará o panorama da aviação na Roménia e, em especial, em Cluj-Napoca. Candace McGraw, Presidente do Conselho de Administração Mundial da ACI, falará sobre os principais desafios da política aeronáutica num cenário em mudança.

A conferência incluirá três painéis principais:

*  A Europa por si só? Os principais atores da aviação estão a abandonar a via da liberalização e da descarbonização? Este painel examinará as implicações da mudança de políticas para a concorrência, os objetivos ambientais e o futuro da aviação europeia.

* Moldar o futuro da aviação centrar-se-á no equilíbrio entre as empresas estabelecidas e as startups na promoção da inovação, explorando os desafios de financiamento, os obstáculos regulamentares e as potenciais colaborações.

* O roteiro para a implementação da segurança e regulamentação da aviação salientará a necessidade de uma abordagem global unificada das normas de segurança da aviação.

David Ciceo, diretor executivo do Aeroporto Internacional de Cluj

Para David Ciceo, “embora esta seja a quarta edição da conferência Aviation-Event organizada pelo Aeroporto Internacional de Cluj, damos prioridade à introdução de temas novos e relevantes. Reunir líderes de vários sectores da indústria permite-nos identificar soluções que não só abordam os desafios atuais, mas também abrem caminho às melhores soluções para os atuais desafios globais enfrentados pelo sector.”

A Aviation-Event, que organiza a conferência, é uma plataforma líder para a criação de redes, partilha de conhecimentos e discussão de políticas no sector da aviação. Todos os anos, a Aviation-Event organiza conferências proeminentes em toda a Europa, reunindo partes interessadas de companhias aéreas, aeroportos, agências governamentais e fornecedores de tecnologia para promover a colaboração e impulsionar a inovação. Com um compromisso durante todo o ano para melhorar o diálogo no sector, a Aviation-Event desempenha um papel fundamental na definição do futuro da aviação.

segunda-feira, 10 de março de 2025

MSC CRUISES ESCOLHE DREW BARRYMORE COMO MADRINHA DO NOVO NAVIO EMBLEMÁTICO MSC WORLD AMERICA

 


A MSC Cruises, a terceira maior companhia de cruzeiros do mundo, anunciou que Drew Barrymore será a madrinha do seu novo navio emblemático nos Estados Unidos da América, o MSC World America. 

Barrymore cortará a fita e a garrafa de champanha será partida na proa do navio, ao lado de Orlando Bloom, com quem contracena na campanha da companhia “Let’s Holiday”, que estreou durante o Big Game. 

A Cerimónia de Nomeação do MSC World America será realizada na noite, de quarta-feira, 9 de abril, no novo Terminal da MSC Cruzeiros em Miami, que será o maior do mundo. 

“Quando a MSC Cruises me pediu para ser a madrinha do MSC World America, eu disse imediatamente que sim!” afirmou Drew Barrymore, atriz e apresentadora do Drew Barrymore Show. “Adoro viajar—isso alimenta a minha alma—e fazer parte de algo que ajuda as pessoas a embarcarem em aventuras incríveis é simplesmente fantástico. Há algo tão mágico nos cruzeiros; permitem-nos descobrir o mundo de uma forma muito divertida e inesperada. E poder nomear o MSC World America e enviar o navio com votos de felicidade e boa sorte é uma grande honra”. 

“Como uma companha familiar com mais de 300 anos de herança marítima, estes eventos têm um significado especial e pessoal para nós. Valorizamos a  importante tradição marítima em que a nossa madrinha parte uma garrafa de champanhe no casco e nomeia oficialmente o navio, trazendo boa sorte e proteção”, observou Suzanne Salas, EVP, Marketing, eCommerce & Sales da MSC Cruises USAS. 

“A Drew é a madrinha perfeita para o MSC World America, e estamos entusiasmados por continuar a fazer parceria com ela para esta campanha. Ela personifica a nossa marca na perfeição, com o seu estilo requintado e gracioso, e a sua paixão pelo conforto e aventura que encontramos através das viagens”.

 

Cerimónia de Nomeação e Navegação Inaugural

Os passageiros da Cerimónia de Nomeação do MSC World America incluirão a imprensa mundial, dignatários e consultores de viagens. Desfrutarão de um jantar de gala e entretenimento, para além da oportunidade de experimentar tudo o que o navio tem para oferecer. Após a cerimónia, o MSC World America partirá numa viagem comemorativa de 3 noites para a Ocean Cay MSC Marine Reserve-a deslumbrante ilha privada da MSC Cruzeiros nas Bahamas-que Barrymore e Bloom são vistos a visitar na campanha “Let´s Holiday”. 

Enquanto estiver atracado na Ocean Cay MSC Marine Reserve, a MSC Foundation irá organizar uma cerimónia de corte de fita para o seu novo Centro de Conservação Marinha. A instalação servirá como um centro para cientistas e estudantes envolvidos no Programa Super Coral da Fundação, bem como um lugar onde os passageiros podem aprender mais sobre a missão do programa de restaurar recifes de corais que foram impactados pelas alterações climáticas.

 

Sobre o MSC World America 

O MSC World America inaugurará um novo mundo de cruzeiros, combinando na perfeição o estilo europeu com o conforto americano. As características incluem:

·         Sete distritos com o objetivo de proporcionar espaços distintos que permitem que cada tipo de viajante aproveite a sua própria experiência de férias.

·         19 locais para refeições, incluindo o único restaurante Eataly no mar.

·         18 bares e lounges, incluindo novos locais como o All Stars Sports Bar e o comedy club The Loft.

·         The Harbour, um novo espaço ao ar livre para famílias com o baloiço sobre a água, Cliffhanger, um percurso de cordas, um parque aquático, um parque infantil, áreas de relaxamento e refeições gratuitas para levar.

·         A World Promenade ao ar livre, com lojas, restaurantes e um dos maiores escorregas aquáticos no mar, para além de vistas fantásticas do oceano.

·         A World Galleria, com 3 pisos, cheia de atividades e repleta de bares, lojas e restaurantes.

·         O maior MSC Yacht Club nas Caraíbas, que oferece luxo e exclusividade com características como serviço de mordomo 24 horas, acesso através de key-card e comodidades privadas. 

Todos os cruzeiros do  MSC World America a partir de Miami incluem visitas à Ocean Cay, com os seus quilómetros de praias de areia branca, águas azul-turquesa cristalinas e uma variedade de atividades para todas as idades. Os itinerários disponíveis incluem:

·         Caraíbas Orientais: Puerto Plata, República Dominicana, San Juan, Porto Rico; Ocean Cay MSC Marine Reserve.

·         Caraíbas Ocidentais: Costa Maya e Cozumel, México; Roatan, Honduras; Ocean Cay

 

Para saber mais sobre o MSC World America, clique aqui.


quinta-feira, 6 de março de 2025

Bestravel levou à Horta 200 agentes de viagem, representantes do setor, operadores e imprensa

Apesar de todos os constrangimentos logísticos,, a
 Bestravel, a rede de agências de viagens mais antiga de Portugal, instalada no nosso país há 22 anos e com 48 agências franchisadas, conseguiu reunir na Horta, ilha do Faial, 200 pessoas, onde se incluíam agente de viagens, representantes do setor, parceiros, operadores, imprensa, entre outros, para a XX Convenção Anual .

O lema escolhido foi “Impossble is nothing”, pois tratou-se de uma operação logisticamente desafiadora e que levou dois anos a preparar, como disse Carlos Baptista, administrador do Grupo Newtour, que detém o franchising Bestravel. Até à data nunca foram realizados encontros com este número tão alto de participantes na Horta, mas graças às sinergias entre todos os fornecedores, inovando e superando as dificuldades, o barco chegou a bom porto.


da esq para a dir, Ricardo Teles, Carlos Baptista e Diana Laranjeiro

Como referiu o criativo André Rabanéa na apresentação que fez na convenção, é possível criar valor “pensando fora da caixa”, quebrando barreiras e tendo sempre em mente novos horizontes. É o que tem feito a Bestravel e que talvez seja a razão para terem fechado em alta o ano de 2024 e o corrente ano estar a correr muito bem, como referiu Ricardo Teles, diretor operacional da Bestravel. “2024 foi um excelente ano, foi um ano de estabilidade”. No ano passado, a rede aumentou de 46 para 48 agências, o que corresponde a um crescimento de 7%, mantendo-se, no entanto, o valor médio por agência: “Em 2024, com as taxas de inflação elevadas, subidas das taxas de juros, e consequentemente, perda de poder de compra, começámos o ano com grande apreensão, mas terminámos com um aumento, o que nos deixou muito satisfeitos”, realçou. O objetivo para este ano é superar as 50 agências, tentando regressar aos números pré-pandemia, quando existiam 56 unidades.

Quanto à faturação em 2024, a Bestravel tem na sua rede duas agências que venderam mais de 3 milhões de euros, 12 agências que faturaram mais de 2 milhões de euros (vs. 11 em 2023) e nove unidades com uma faturação superior a 1 milhão de euros (vs. 7 em 2023). A rentabilidade das agências da rede manteve-se, mas “as campanhas last minute, que acontecem pelo excesso de produto no mercado, preocupam-nos, pois pressionam as margens de lucro e dificultam o planeamento das reservas”, refere Carlos Baptista. O administrador da Bestravel-Newtour vê o ano em curso com otimismo. “Até à data, há um crescimento de 15% nas vendas antecipadas”, sendo os top de vendas “Portugal, como sempre, que gerou, em 2024, 13 milhões de euros em vendas, Cabo Verde, as Caraíbas, mas também Brasil, EUA, Maldivas e o Dubai, não só como stopover, mas também como destino final”.

Para Carlos Baptista, “este ano começou bem e temos boas expetativas. Com as taxas de juro mais baixas do que no ano passado, as pessoas estão a investir em viagens e o ano promete ser muito bom”. A Bestravel quer continuar a crescer, especialmente nalgumas zonas geográficas, como por exemplo Viseu, onde já houve agências Bestravel e atualmente não há. Em janeiro abriu uma agência em Setúbal e em fevereiro outra em Sacavém.

Ainda para o ano em curso, a Bestravel fechou contratos com DMCs (Destination Management Companies) estrangeiras, empresas especializadas na organização de serviços turísticos locais, que irá aumentar a competitividade das agências, permitindo-lhes criar programas próprios com maior apoio. Aliás, o setor DMC está com uma “tendência de crescimento muito consistente”, como referiu Carlos Baptista.

Além disso, a Rede está a assinar cada vez mais contratos com hotéis, com preços muito competitivos, inclusive em relação às agências virtuais. Neste setor, a Bestravel investiu na tecnologia com um comparador de hotéis num único ambiente, que possibilita a análise e comparação entre fornecedores. “Estes novos contratos dão grande competitividade às agências”.

A formação dos agentes não está esquecida, sendo oferecidos vários programas personalizados, tanto para agências já bem estabilizadas na Rede, como para novas agências. “Queremos aumentar a eficiência das agências e dos agentes e alterar o modo como nos posicionamos em relação ao cliente”. Estes programas CRM (Customer Relationship Management), baseados na IA (Inteligência Artificial), apresentam várias ferramentas que integram diversos serviços numa só plataforma,  automatizando o trabalho.

Carlos Baptista anunciou também novas parcerias muito úteis para os seus clientes. Em colaboração com a Breeze, as agências da Rede podem disponibilizar aos seus clientes cartões e-SIM para melhorar a conectividade quando estão no estrangeiro. A Bestravel também planeia a implementação de cartões de crédito físicos e digitais, assim como sistemas de pagamento a prestações, trazendo mais flexibilidade e inovação ao setor.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Os Caretos de Podence: Uma Tradição Ancestral no Nordeste de Portugal

 



Aproxima-se o Carnaval e logo nos vêm à mente os caretos, aquelas figuras coloridas e barulhentas que percorrem algumas aldeias do Nordeste transmontano. Os caretos, uma manifestação cultural uma tradição com raízes pagãs, que remonta a tempos ancestrais, são umas das tradições mais enigmáticas e fascinantes de Portugal que tem sobrevivido ao tempo.
 





A tradição dos Caretos de Podence é um exemplo notável de como uma pequena comunidade rural conseguiu preservar e revitalizar uma prática cultural ancestral. Ao longo dos anos, a aldeia de Podence tem trabalhado para manter viva esta tradição, passando-a de geração em geração e adaptando-a aos tempos modernos sem perder a sua essência. Este trabalho deu frutos. Os caretos foram reconhecidos como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, em 2019.

 

Origens e Significado


 

A origem dos Caretos de Podence é incerta, mas acredita-se que a tradição tenha raízes em antigos rituais de fertilidade. Os Caretos seriam uma representação dos espíritos da natureza que saíam para celebrar a chegada da primavera.


São figuras mascaradas, que representam animais ou figuras mitológicas, que desfilam pelas ruas de Podence e de outras aldeias durante o período do Carnaval, envolvendo-se em brincadeiras, danças e uma energia contagiante que mistura o sagrado e o profano. As máscaras, feitas de couro, latão ou madeira, e os trajes coloridos, compostos por franjas de lã vermelha, verde e amarela, conferem aos Caretos um ar misterioso e quase sobrenatural.


 O Carnaval de Podence é marcado por uma atmosfera de liberdade e transgressão, onde os Caretos, com as suas máscaras assustadoras e os seus chocalhos, assumem o papel de provocadores. Eles correm pelas ruas, perseguindo as pessoas, especialmente as mulheres jovens. Este comportamento, aparentemente caótico, é na verdade profundamente ritualizado e faz parte de um ciclo festivo que inclui também o Entrudo e o Domingo Gordo.

 

O Ritual dos Caretos

 

A festa dos Caretos começa no Domingo Gordo, quando os mascarados saem às ruas pela primeira vez. Os homens da aldeia, tradicionalmente os únicos a poderem vestir o traje de Careto, preparam-se cuidadosamente para a ocasião. O traje é composto por uma máscara, que cobre o rosto e confere anonimato, e um fato de cores vivas, com franjas que balançam ao ritmo dos movimentos. Os chocalhos, presos à cintura, produzem um som característico que anuncia a chegada dos Caretos.


 Durante os dias de festa, os Caretos percorrem as ruas da aldeia, entrando nas casas, dançando e brincando com os habitantes. A energia é contagiante. No entanto, há uma regra não escrita: os Caretos não devem ser reconhecidos. O anonimato é parte fundamental do ritual, permitindo que os participantes se libertem das convenções sociais e se entreguem à celebração.

 

No último dia do Carnaval, os Caretos despedem-se com um cortejo fúnebre, onde é queimado um boneco de palha, simbolizando o fim do ciclo festivo e o regresso à normalidade. Este momento é carregado de simbolismo, representando a morte do Inverno e o renascimento da Primavera.

 

Os Caretos representam a ligação profunda entre as pessoas e a natureza, entre o passado e o presente, e entre o sagrado e o profano, mantendo viva uma tradição que é, acima de tudo, uma celebração da vida.


 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

O Rossio de Aveiro - o coração da cidade

 

Os coloridos barcos moliceiros são uma imagem de marca da cidade

Aveiro tem uma história rica que remonta à época romana. Ao longo dos séculos, a cidade cresceu e prosperou graças à pesca, à produção de sal e ao comércio marítimo. A influência da Ria de Aveiro, um estuário que se estende por toda a região, é fundamental para a identidade da cidade.

Aveiro vive-se junto à ria, no Rossio. O Rossio, sempre identificado como parça pública de encontros e memória, ponto de ligação com a laguna ria, surge referenciada a partir do século XV. Lugar de ligações fluviais e terrestres, polo de economia local e além mar, local de encontros e de práticas religiosas, culturais e sociais.

O Rossio está presente no topónimo Marinha Rossia ou Rocia, evocando a prática social da atividade salícola, grande fonte económica de Aveiro até meados do século XX.  Zona do porto, do comércio, de alfândega e de feiras, de festas religiosas, de convívio e lazer.

Ao longo do século XV, verificou-se um grande desenvolvimento da atividade portuária, inicialmente junto dos canais que limitavam Aveiro, o que de imediato leva a que se consolide o povoado próximo das áreas ribeirinhas e dos cais do postagem, junto das portas da muralha.

Aveiro é um verdadeiro museu a céu aberto da arquitetura arte nova

Com aumento da população e da burguesia endinheirada, e com as influências de outros países, o Rossio cresceu na ocupação do território, envolto pelo casario de pendor arte nova. Novos paradigmas de cultura, de gostos e de formas de vida associado a uma recente republica , transforma o espaço, enquadrada pela frente urbana construída. 

Porta do Museu de Arte Nova

Entre as décadas de 50 e 80 do século XX, a praça já tem a configuração idêntica à que podemos ver atualmente. Continua, contudo, a ser um Rossio, uma praça pública, o “ local de esperança de uma Aveiro moderno e atual “. A relevância do comércio marítimo confere uma grande importância a Aveiro e esta zona central destaca-se pela abundância de circulação de pessoas e bens. Os registos documentam que por Aveiro passavam embarcações de grande porte, sendo esta a zona de entrada e o ponto central do comércio que se fazia das localidades próximas e os centros de comércio internacional. Com todo esse movimento, o Rossio ganha importância central de confluência de interesses comerciais e sociais.

Homem-estátua

Pela localização central e pela importância histórica, o Rossio é paragem obrigatória dos aveirenses e ponto de partida para visitar Aveiro. No século XV taça grande desenvolvimento da atividade portuária marítima fixantes expandir despovoado junto às zonas ribeirinhas.

O canal central da tem um local um lugar privilegiado na história da evolução urbana de Aveiro. Foi durante muitos séculos a via de acesso privilegiado de ir para a vila cidade de Aveiro. É mais do que um braço da Ria. É o sistema natural e de relevo que leva a paisagem abraço homem e pela múltiplas ocupações.

Várias pontes juntam as duas margens dos canais. Os estudantes usam-nas para lá colocar fitas a lembrar as amizades forjadas durante o tempo da universidade. 










Talvez por ser uma cidade jovem tem uma grande coleção de arte urbana.











Não podemos terminar sem falar dos ovos moles de Aveiro, o ex-libris doce da cidade. Os ovos moles de Aveiro são um dos doces mais emblemáticos de Portugal com uma combinação única de sabores e texturas.

A receita tradicional dos ovos moles de Aveiro é relativamente simples e levam somente três ingredientes principais: gemas de ovo, açúcar e água. Os ovos moles podem depois colocar-se nas conhecidas cápsulas de hóstia, com formatos variados, como peixes, conchas e outros motivos marítimos, ou então em barricas, em cornucópias, e num sem fim de doces. 









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A atração mágica do Pico

 

A ilha do Pico, vista do Faial


Quando estivemos na Horta na XX Convenção Anual da Bestravel, ficámos num hotel num quarto com uma bela varanda virada para o Pico. E essa montanha exerceu sobre nós um fascínio, uma atração mágica.

A montanha envolta em nuvens

A sua vista a partir do Faial muda n-vezes ao longo do dia: ou está completamente envolto em nuvens, ou a sua base está encoberta, mas o seu cume descoberto, brilhando ao sol, ou a bruma envolve-a como com um manto transparente, numa combinação infinita.



Até que nos decidimos atravessar os 6 km do Canal do Faial, entre a Horta e a Madalena, a capital do Pico.

Com 42 km de comprimento e 15 km de largura, a ilha do Pico é a 2ª maior do arquipélago dos Açores - e , com os seus 250 mil anos, a mais nova. É também a ilha com maior diversidade económica e que encanta seus visitantes com maravilhosas paisagens vulcânicas, uma cultura rica e um ambiente natural exuberante. As paisagens vulcânicas do Pico são um testemunho da força da natureza, com campos de lava negra, grutas misteriosas e formações rochosas únicas.

Há vida no meio das pedras da lava


Localizada no grupo central das ilhas, a Ilha do Pico é um paraíso para os amantes da natureza e entusiastas da geologia. O seu nome vem da montanha cujo sopa ocupa praticamente toda a superfície da ilha. O nome da montanha vem do seu cume em forma de pico - a 2351 m de altura. É a montanha mais alta do nosso país.

97% da ilha não é arável. Como não tinham terra, os picoenses viraram- se para o mar.

O seu solo é lava, mas, com mestria, os picoenses plantam vinhas entre as pedras, fazendo um delicioso vinho vulcânico.



A cultura especial da vinha foi declarada Património Mundial da UNESCO em 2004. A Vinha da Criação Velha é um exemplo notável de como a mão humana adaptou-se à paisagem vulcânica, criando um labirinto de currais de pedra para proteger as vinhas do vento e do mar. No século XIX, o vinho da ilha do Pico era exportado para a corte do czar em São Petersburgo. Até hoje, inúmeras pequenas adegas oferecem não só vinho, mas também aguardente caseira. O Museu do Vinho vale uma visita.

Na parte leste da ilha, há um pequeno planalto e algumas pequenas crateras de vulcões, onde há pastagens para vacas.

Em 1439, a coroa portuguesa tomou a ilha. Os primeiros colonos chegaram à ilha a partir de 1460. Viviam do cultivo de cereais e taro, bem como da criação de gado. A viticultura foi acrescentada mais tarde. As erupções do Pico em 1562 e 1718 provocaram a emigração parcial da população.

Em meados do século XIX, a viticultura foi gravemente afetada pelo míldio. No entanto, a caça à baleia prosperou e foi uma importante fonte de rendimento para a população durante um século. A caça profissional à baleia, que os ilhéus praticavam em pequenas embarcações tripuladas por 10 a 20 remadores (“Botes Baleiros”), foi abandonada em 1984 e a última baleia foi capturada em 1987. Atualmente existem dois museus baleeiros no Pico. Um situa-se nas Lajes do Pico e o outro, uma “fábrica da baleia” restaurada, em São Roque.

A Ilha do Pico oferece uma variedade de atividades ao ar livre para todos os gostos. Além da escalada do Pico, é possível fazer caminhadas por trilhos belíssimos, observar baleias e golfinhos em seu habitat natural, mergulhar em águas cristalinas, explorar grutas vulcânicas e muito mais. Atualmente, o Pico é um centro de observação de baleias na Europa, uma indústria que se desenvolveu desde 1985. Das Lajes e da Madalena partem barcos para observar os mamíferos marinhos. Na Madalena, os operadores especializaram-se em viagens para fazer snorkeling com golfinhos selvagens.

As paisagens verdejantes, as flores coloridas e a fauna diversificada tornam a Ilha do Pico um destino perfeito para os amantes da natureza e para quem busca tranquilidade e contacto com a natureza.

 

Dicas para a visita:

* Melhor época para visitar: A melhor época para visitar a Ilha do Pico é durante os meses de verão, de junho a setembro, quando as temperaturas são mais agradáveis e há menos hipóteses de chuva. No entanto, a ilha é bela em qualquer estação.

* Como chegar: A Ilha do Pico possui um aeroporto com voos para as outras ilhas dos Açores. Também é possível chegar à ilha de barco a partir de outras ilhas do arquipélago.

* Onde ficar: A Ilha do Pico oferece uma variedade de opções de hotéis, pousadas e alojamentos locais.