| Capela de Nossa Senhora da Penha, em Portalegre |
A Capela de Nossa Senhora da Penha, erguida no cume da colina que flanqueia
a zona oeste de Portalegre, é um dos segredos mais bonitos do Alto Alentejo.
Trata-se de um monumento repleto de espiritualidade e de uma beleza
arquitetónica singular que se funde de forma perfeita com a paisagem natural
circundante, que pode observar balouçando-se com a cidade aos seus pés.
Classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1983,
a Capela de Nossa Senhora da Penha, erguida no cume da colina na zona oeste de
Portalegre, oferece uma das vistas panorâmicas mais deslumbrantes sobre toda a
cidade de Portalegre e sobre a região.
A história deste templo remonta ao início do século XVII. Por volta
de 1620, um eremita local decidiu construir uma pequena ermida no cume do
monte. O local de difícil acesso rapidamente se tornou um ponto de recolhimento
espiritual.
Anos mais tarde, motivado pela forte devoção mariana da região, o então
corregedor de Portalegre, João Zuzarte da Fonseca, determinou a demolição da
estrutura primitiva para dar lugar a um templo maior e mais imponente. As obras
da atual capela decorreram ao longo das décadas seguintes, ficando concluídas
na primeira metade do século XVII. Mais tarde, por volta de 1675, a
administração do espaço passou a estar ligada aos religiosos Agostinhos
Descalços.
O acesso ao santuário reflete o próprio espírito de peregrinação. Os mais devotos
podem subir a enorme escadaria de mármore. Quem não tiver
forças para tal, pode ir de carro…
Visualmente, a fachada principal destaca-se pelo forte contraste cromático
barroco, com linhas estruturais realçadas a azul sobre o fundo branco
tradicional alentejano. Quatro grossas pilastras-contraforte sustentam a
cornija, culminando num frontão triangular clássico que ostenta um óculo
central e um campanário tradicional.
Em maio, o local anima-se com a tradicional romaria e as festividades
religiosas. Fiéis e locais sobem a colina em procissão, cumprindo promessas e
renovando uma devoção com séculos de existência.