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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O forte de Golconda




A 11 de quilómetros de Hiderabade está a cidade de Golconda, originalmente conhecida pelo nome de Mankal, construída sobre uma colina de granito de 120 metros de altura.
Da vila sobressai o forte, cuja construção data de 1143, durante o reinado da dinastia hindu dos Kakatiya. O nome deriva do termo telugú, a língua falada na região, Golla Konda, que significa “colina do pastor”. Poderá também vir de Gol konda que significa “montanha redonda”.
O forte de  Golconda foi construído pela dinastia Kakatiya como parte das suas defesas ocidentais. A sua impressionante estrutura foi capaz de resistir as prolongadas ocupações das tropas da Mongólia.
O forte foi reconstruído e fortificado pela rainha Rani Rudrama Devi e pelo seu sucessor, Prataparudra. Mais tarde passou para os Musunuri Nayaks, que derrotaram o exército Tughlaqi. Foi cedido em 1364 por Musunuri Kapaya Naidu ao sultanato Bahmani. Foi durante este sultanato que Golconda floresceu. O sultão Quli Qutb-ul-Mulk  (século XV/XVI) estabeleceu aqui a sede do seu governo em 1501. Nos anos que seguiram, os sultões Qutb Shahi aumentaram o forte para a presente estrutura, uma fortificação maciça de granito
Em 1590, o foi decidido trasladar a capital para Hiderabade. Após um cerco de oito anos, a cidade e o forte foram tomados em 1687 pelas tropas de Aurangzeb, o imperador mughal
O conjunto de Golconda consiste em quatro fortes diferentes, com uma muralha exterior de 10 quilómetros de extensão e 87 bastiões semicirculares. Embora a maioria dos edifícios esteja atualmente quase destruídos, a fortaleza acolhia outrora diversos palácios cujos restos ainda são visíveis.
A entrada é realizada através da Fateh Darwaza, a Porta da Vitória. Logo a seguir, alcança-se a Grande Porta. Bata as palmas. Graças à sua fantástica acústica vão ser ouvidas a um quilómetro de distância. Tudo foi estudado e não foi deixado ao acaso. Esta acústica servia para avisar os habitantes do forte quando havia perigo.

A cidade fortificada foi famosa pelo negócio de diamantes devido às minas desta pedra preciosa que existem nos arredores.

Mulheres de Hiderabade







  













segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Hiderabade, Índia



Vasco da Gama demorou meses a chegar à Índia. Eu demorei 13h e achei muito. Mas apesar de não ter dormido nos voos – o transbordo a meio da noite quebra o sono, ou a possibilidade de dormir – quando aterrei nesta cidade cheia de vida fiquei espertíssima.
Hiderabade é uma cidade muito frenética, cheia de engarrafamentos mas com uma história com mais de 400 anos. Foi a cidade dos Nizams, do quais resta o belíssimo e o enorme palácio entre muitos outros. Em tempos foi famosa pelos seus palácios e pérolas – e em 2017 é a capital do empreendedorismo da Índia.
Um segundo lar para gigantes como a Amazon, Google, Apple e Uber, entre muitos outros, Hiderabade tornou-se nos últimos anos um solo fértil para inovações e a atividade  empreendedora no país. A cidade criou todo um ambiente holístico com fantásticos apoios ao empreendedorismo e uma forte infraestrutura dedicado ao empreendedorismo, tendo impulsionado uma infraestrutura robusta, tanto física como tecnológica.
Os parques tecnológicos, os cinemas e muitas sedes de empresas também contribuem para tornar Hiderabade uma das maiores – e das mais eficientes - placas giratórias de IT não só de Índia mas também do mundo – e esse bairro ganhou o nome de Cyberabad.


Para receber a Cimeira Global do Empreendedorismo que começa amanhã com a presen çae do primeiro-ministro da Índia e da filha do presidente americano, Ivanka Trump, Hiderabade  engalanou-se. A decoração da estrada que leva ao centro de congressos estava hoje a ser terminada Foram colocados jardins verticais,  foram tapados os bairros de lata com rede sombra. Por todo o lado há cartazes de boas vindas aos participantes … e a Ivanka Trump.

Mas alheemo-nos um pouco da cimeira. A viagem de carro até ao centro não e para corações fracos. O trânsito é infernal: muitos carros, milhares de tuk-tuk, de motoretas e de pessoas. Todos apitam constantemente. Índia!


Fomos até Charminar, o centro da cidade antiga. Primeira paragem: palácio de Chowmahalla ou Chowmahallatuu (4 palácios), o palácio dos Nizams de Hiderabade , a residência oficial da dinastia de Asaf Jahi enquanto reinava a cidade. Ainda hoje o palácio pertence a Barkat Ali Khan Mukarram Jah, o herdeiros dos Nizams.
Em Urdu,  Char significa quatro – e quatro são os palácios dentro do complexo. Mahalat é o plural de Mahalel e significa palácios.

Construído no século XIX, o palácio de Chowmahalla é um dos locais mais visitados em Hiderabade. O seu estilo lembra o palácio do Xá em Teerão.
A construção do palácio de Chowmahalla foi iniciada por Nizam Salabat Jang em 1790, mas só foi terminada entre 1857 e 1869 durante o reinado do 5º Nizam, Afzar-ud-Daulah, Asaf Jav V. Originalmente o palácio ocupava uma área de 45 hecttares, indo do bazar Laad a norte à Rua Aspan Chowk a sul. Atualmente ocupa somente 12 hectares.
Não muito longe está a mesquita Mecca onde estão os túmulos dos Nizams. De notar que este estado indiano é predominantemente muçulmano.
Para lá chegar atravessamos um mercado de rua, o bazar Laad, muito animado: romãs bem vermelhas, pérolas, pulseiras de ouro, chá, saris, perfumes - tudo ali se encontra. 
A mesquita Mecca  é uma das mais antigas de Hiderabade e uma das maiores na Índia. Pode acolher 8 000 fiéis e demorou 77 anos a ser construída.
Muhammad Quli Qutb Shah, o 5º governante da dinastia Qutb Shahi, mandou vir tijolos feitos com a terra de Meca, o local mais sagrado do Islão, que foram usados para a construção do arco central da mesquita. As fachadas foram esculpidas de único bloco de granito que demorou cinco anos a ser retirado da pedreira 





domingo, 26 de novembro de 2017

8ª Cimeira Global de Empreendedorismo (CGE)


De partida para Hiderabade (Índia) para a 8ª Cimeira Global de Empreendedorismo (CGE) / (Global Entrepreneurship Summit - GES) e que tem lugar de 28 e 30 de novembro, numa organização conjunta dos governos dos Estados Unidos e da Índia. Pela vez a cimeira vai ser realizada na Ásia, em Hiderabad, a capital do estado de Telangana e o berço da T-Hub, a maior incubadora de start-ups da Índia, com um forte ecossistema de start-ups, uma grande presença das maiores empresas tecnológica americanas e um governo que apoia largamente a inovação.
1500 participantes, incluindo 300 investidores, de 150 países, com idades que vão dos 13 (!) aos 84 anos. Mais de 52.5 % dos participantes são mulheres! Pela primeira vez, o número de mulheres supera o dos homens!
A CGE é a reunião anual mais importante de empreendedorismo, congregando empresários, investidores e apoiantes emergentes de todo o mundo. Ao longo de 2 ½  dias – a agenda https://www.ges2017.org/agenda/ já espelha um pouco o que lá se vai passar - , a CGE capacita os empresários para lançar suas ideias, criar parcerias, garantir financiamento, inovar e encontrar seus clientes-alvo, criando novos bens e serviços que irão transformar as sociedades. As relações comerciais que surgiram nas cimeiras passadas transcenderam indústrias e setores e converteram ideias em empresas. A cimeira também serve como um vínculo vital entre os governos e o setor privado, e convoca participantes globais para mostrar projetos, trocar ideias e defender novas oportunidades de investimento
Este ano a cimeira, com o lema Mulheres em Primeiro Lugar, Prosperidade para Todos, irá centrar-se no apoio a mulheres empreendedoras e fomentando o crescimento económico globalmente. Os temas de trabalho dividir-se-ão pelos setores de Energia & Infraestrutura, Cuidados Médicos & Ciências da Vida, Tecnologia Financeira & Economia Digital, e Meios de Comunicação & Entretenimento.
Investir em mulheres empreendedoras não só vai dar força ao crescimento económico como incentive a inovação ao abordar os desafios críticos que as comunidades estão a enfrentar em todo o mundo. As mulheres líderes em empreendedorismo, inovação e investimentos têm também a chave para fomentar sociedades prósperas e dinâmicas.

De certeza que regressarei de Hiderabade cheia de novas ideias – e, espero eu, com um investidor para os meus novos projetos.