| As cruzes brancas do cemitério americano |
A Praia de Omaha é talvez o local mais famoso - e mais trágico - do Dia D. Foi aqui que as tropas americanas (1ª e 29ª Divisões de Infantaria) enfrentaram a resistência alemã mais feroz, resultando num número de baixas tão elevado que a praia ficou conhecida como "Omaha Sangrenta".
Originalmente, o local serviu como um cemitério temporário estabelecido pelas tropas dos EUA após o Dia D em junho de 1944. Inicialmente, tanto soldados americanos como alemães foram enterrados aqui devido à necessidade prática de sepultamento rápido após os intensos combates na região de Cherbourg.
Após o fim da guerra, entre 1945 e 1946, os corpos dos soldados americanos foram transferidos para o cemitério de St. Laurent-sur-Mer (Omaha Beach). O Serviço Francês de Sepultamento utilizou então o espaço vazio para reunir soldados alemães que estavam em túmulos isolados ou pequenos cemitérios de campo nos arredores. O cemitério foi oficialmente inaugurado em setembro de 1961 pela Comissão Alemã de Túmulos de Guerra (Volksbund).
O cemitério abriga restos mortais de mais de 10 100 soldados alemães. O local é composto por 28 secções de túmulos dispostas num extenso relvado, marcadas por cruzes de pedra simples que ostentam nomes, postos e datas de nascimento/falecimento. Vários túmulos têm os restos mortais de dois ou mesmo três soldados.
Diferente dos monumentais cemitérios americanos, Orglandes destaca-se pela sua simplicidade e serenidade, oferecendo um espaço para reflexão sobre o custo humano da guerra.Pointe du Hoc
| altas falésias |
| Crateras de bombas dos aliados |
A paisagem ainda está marcada pelas crateras das bombas; é um dos locais mais visuais da guerra. Pointe du Hoc é, visualmente, o local mais impressionante do Dia D. Trata-se de um promontório com falésias verticais de 30 metros de altura que se projeta no mar entre as praias de Omaha e Utah. Para os estrategos aliados, este era o lugar mais perigoso da Normandia e a missão para o capturar foi considerada quase "suicida". O serviço de inteligência acreditava que os alemães tinham instalado ali seis canhões de 155 mm capazes de afundar navios em ambas as praias americanas.
225 rangers americanos, liderados pelo Tenente-Coronel James Rudder, desembarcaram na base da falésia, para tentar escalá-la usando cordas, escadas de bombeiros e ganchos disparados por morteiros, e destruir os canhões.
| Bunker alemão |
| Bunker alemão |
Sob fogo intenso e granadas lançadas do topo, os Rangers escalaram as paredes de pedra. Surpreendentemente, chegaram ao topo em apenas 15 minutos.Ao chegarem aos bunkers, os Rangers descobriram algo inacreditável: os canhões não estavam lá. Devido aos bombardeamentos aéreos constantes nos dias anteriores, os alemães tinham movido as armas para um pomar ali perto, substituindo-as por postes de madeira pintados para enganar os aviões de reconhecimento. Os Rangers acabaram por encontrar os canhões escondidos a cerca de 500 metros de distância e destruíram-nos com granadas térmicas.
A parte mais difícil não foi a subida, mas manter a posição. Os Rangers ficaram isolados por dois dias, sofrendo contra-ataques constantes. Dos 225 homens que iniciaram o assalto, apenas 90 ainda conseguiam lutar quando os reforços finalmente chegaram.
Hoje em dia, Pointe du Hoc é o único local onde o terreno foi deixado exatamente como estava em 1944. É uma visão surreal: o solo está cheio de crateras enormes e profundas, causadas pelos bombardeamentos navais dos couraçados. Podemos entrar em vários bunkers de betão retorcidos pelas explosões. No ponto mais avançado da falésia, existe um monumento em forma de adaga (símbolo dos Rangers) erguido sobre um bunker de observação alemão.
| A adaga, o símbolo dos rangers |
Para relaxar de todas as fortes impressões do dia, jantámos num simpático restaurante de marisco em Port-en-Bessin, uma vila piscatória pitoresca entre as praias.