Entre agosto e novembro, os ensaios e a cerimónia principal dão a conhecer uma das mais antigas tradições do país.
No dia 6 de novembro, o rio Chao Phraya, em Banguecoque, torna-se palco da Procissão de Barcas Reais, uma das mais importantes cerimónias do património real e cultural da Tailândia.
Com séculos de história e ligada a momentos de celebrações reais e religiosas, esta procissão constitui uma das mais importantes expressões cerimoniais tailandesas. Trata-se de uma tradição que combina elementos religiosos, protocolo real, técnicas ancestrais de navegação e um extraordinário trabalho artesanal, preservado ao longo de várias gerações.
Em preparação para a cerimónia, a Marinha Real tailandesa realizará 12 ensaios entre agosto e outubro, incluindo 10 ensaios técnicos e dois ensaios gerais. Cada sessão terá início às 14h30 e poderá ser acompanhada pelo público a partir das áreas de observação instaladas ao longo das margens do rio Chao Phraya, entre a Ponte Krung Thon e o Wat Arun.
A edição de 2026 contará com 52 embarcações reais, tripuladas por cerca de 2200 membros da Marinha Real tailandesa, organizada em cinco colunas e três filas. A frota inclui quatro embarcações históricas de referência: o Suphannahong (Cisne Dourado), o Anantanakkharat (Naga de Múltiplas Cabeças), o Narai Song Suban e o Anekkachatphutchong.
A edição de 2026 assume um significado especial ao integrar as celebrações do 48º aniversário da rainha Suthida Bajrasudhabimalalakshana. Durante a cerimónia, o rei Rama X oferecerá as tradicionais vestes kathin aos monges do Wat Arun Ratchawararam, uma tradição budista anual que assinala o período após o fim da Quaresma Budista. Este gesto simbólico representa o mérito da tradição budista e reforça a estreita ligação entre a monarquia e o budismo na sociedade tailandesa.
O conjunto completo oferecido no kathin é composto por três peças principais de tecido simples e sem costuras complexas:
Utparasanga: A veste principal ou túnica externa que cobre o corpo.
Antaravasaka: A veste inferior, vestida à volta da cintura como um manto ou saia interna.
Sanghati: O manto duplo ou xaile dobrado, colocado sobre o ombro esquerdo durante as cerimónias oficiais.
As vestes seguem os tons regulamentares da tradição Theravada na Tailândia, variando entre o açafrão, o laranja vivo e o castanho-dourado. Tradicionalmente feitas de algodão ou seda macia, o tecido é cortado e cosido em retalhos organizados que simulam o padrão dos campos de arroz, uma tradição que remonta aos tempos do Buda para simbolizar a humildade e o desapego do luxo.
A realização dos ensaios e da cerimónia principal oferece aos visitantes a oportunidade de assistir a uma tradição que continua a desempenhar um papel central na identidade cultural e no património histórico da Tailândia.
