O Aeroporto de Viena é uma placa giratória estratégica na Europa Central. Sendo um dos principais centros de aviação da região, a Flughafen Wien AG regista uma dinâmica marcada pelo aumento do número de passageiros em rotas de longo curso internacionais, investimentos intensivos em modernização e metas ambiciosas de descarbonização. Em simultâneo, o local confronta-se com condições de mercado alteradas no segmento de baixo custo e enquadramentos fiscais que exigem decisões cruciais para os próximos anos.
Posicionamento
estratégico e o ambiente regional

Julian Jäger, presidente do CA do aeroporto de Viena @Flughafen Wien AG
Na estratégia global do Grupo Lufthansa, a subsidiária Austrian Airlines continua a desempenhar um papel central. Segundo nos disse Julian Jäger, o presidente do Conselho de Administração do Flughafen Wien AG, a empresa gestora do aeroporto de Viena, "apesar dos desafios globais e das tensões geopolíticas no Médio Oriente, Viena afirma-se como um hub forte". No futuro, a localização deverá assumir cada vez mais o papel de um "Eastern Explorer" no âmbito do grupo, com vista a abrir e desenvolver novos destinos, sobretudo na Ásia Oriental.
Em simultâneo,
a evolução do mercado regional apresenta nuances subtis: enquanto Viena se
posiciona fortemente no segmento das companhias aéreas tradicionais e de rede,
o segmento das transportadoras de baixo custo regista deslocações. Em
particular, o aeroporto vizinho de Bratislava, situado a menos de uma hora de
Viena, regista um claro crescimento de capacidade e de passageiros. Após uma
fase de estagnação prolongada, Bratislava conseguiu duplicar largamente os seus
números de passageiros num curto espaço de tempo.
Um motivo
essencial para a deslocalização de capacidades das companhias de baixo custo
reside na carga financeira provocada pela taxa de aviação nacional na Áustria,
fixada atualmente em 12 euros por passageiro. Uma vez que os países vizinhos
não aplicam taxas comparáveis com esta expressão, geram-se desvantagens concorrencial
para os aeroportos austríacos. Face a este cenário, os diversos aeroportos austríacos
desenvolvem um intenso trabalho de lóbi junto do governo federal para alcançar,
pelo menos, uma redução da taxa. Uma diminuição não só aumentaria a
atratividade para as operadoras low-cost, como fortaleceria a competitividade da Austrian
Airlines dentro do Grupo Lufthansa.
Desenvolvimento
do grupo aeroportuário: forte desempenho em rede
A Flughafen
Wien AG deixou há muito de operar sozinho, funcionando como um grupo
aeroportuário internacional. Além do aeroporto de origem em Viena, fazem parte
do portefólio as participações no Aeroporto de Malta (desde 2002) e no
aeroporto eslovaco de Kosice (desde 2006).
Para o ano
fiscal em curso, o grupo global prevê um volume de passageiros de cerca de 42 a
43 milhões de passageiros. O aeroporto de Viena prevê terminar o ano com cerca
de 30,5 milhões de passageiros. Apesar de uma ligeira retração de cerca de 4,5
por cento no segmento de baixo custo, o volume total estabiliza num nível
elevado. O aeroporto de Malta registou uma dinâmica excecional nos
últimos anos e caminha para cerca de 11 milhões de passageiros (um aumento de
14,5 por cento em termos homólogos). Malta ilustra como iniciativas
estreitamente coordenadas entre a política, o setor do turismo e a gestão
aeroportuária conseguem impulsionar os aeroportos. E, por fim, o aeroporto
de Kosice evolui igualmente de forma muito positiva, com um crescimento de
cerca de 32 por cento e ultrapassando a fasquia de um milhão de passageiros.
Globalmente, o
forte crescimento em Malta e Kosice compensa largamente as ligeiras quebras de
consolidação em Viena, permitindo que o grupo aeroportuário se mantenha numa
trajetória de crescimento.
Grandes
investimentos em infraestruturas e qualidade de permanência
Para garantir a
sustentabilidade da posição de mercado e elevar a qualidade de serviço prestada
às companhias aéreas e aos passageiros, a Flughafen Wien AG investe de forma
direcionada na expansão dos terminais. O projeto-chave da etapa atual é a
expansão sul do Terminal 3.
Este grande
projeto envolve um volume de investimento de cerca de 420 milhões de euros. O
objetivo principal não passa por aumentar unicamente a capacidade de
passageiros, mas sim melhorar drasticamente a qualidade de non-aviation. A expansão sul
traz inovações essenciais. Áreas comerciais adicionais: em mais de 10 mil metros
quadrados surgem novas zonas de restauração, comércio e lounges.
Refinanciamento financeiro, que se apoia-se significativamente nas receitas
esperadas provenientes do setor não aeronáutico (retail e
gastronomia). E conforto e arquitetura, com conceitos espaciais amplos e
luminosos, com vista direta para a pista, pretendem elevar o aeroporto de Viena
ao grupo dos terminais com melhor qualidade na Europa.
Em etapas
futuras, prevê-se igualmente o prolongamento de elementos dos cais de embarque
para criar novas posições para aeronaves.
Rede de rotas e
mix de companhias aéreas
A rede de rotas
a partir de Viena caracteriza-se por uma elevada densidade de ligações
europeias e intercontinentais. A ligação a Portugal, em particular a Lisboa,
Porto, Funchal e, sazonalmente, Ponta Delgada, desempenha um papel fulcral e
regista uma forte procura durante todo o ano. Lisboa funciona, para os
passageiros de Viena e de toda a região da Áustria Oriental, como uma placa
giratória privilegiada para voos de continuação para a América do Sul, para
onde não há ligações diretas a partir de Viena.
No portefólio
de companhias aéreas, as quotas de mercado refletem-se com clareza. O Grupo
Lufthansa, que inclui a Austrian Airlines, detém a maior quota de mercado em
Viena, com bem mais de 50 por cento. A Ryanair, enquanto principal transportadora de baixo
custo, detém uma quota de mercado de cerca de 20 por cento, com aproximadamente
6 milhões de passageiros. Os restantes 30 por cento dividem-se por
operadoras internacionais como a Emirates, a TAP Air Portugal ou, a partir do
próximo ano, a American Airlines, que voltará a ligar Viena diretamente como
primeira companhia norte-americana. A Wizz Air, por seu lado, suspendeu
totalmente as operações de voo a partir de Viena.
Julian Jäger vai aproveitar a Routes World, a maior feira
global do setor da aviação para negociar, planear e desenvolver novas rotas
aéreas internacionais e que
vai decorrer em Frankfurt de 21 a 23 de outubro, para conquistar novas ligações
diretas ara Viena.
Pioneiro na
sustentabilidade e inovação digital
Um pilar
central da estratégia empresarial é a transformação ecológica e tecnológica. O aeroporto
de Viena define padrões na área de uma operação aeroportuária amiga do clima. O
aeroporto opera a segunda maior instalação fotovoltaica da Áustria. Através
dela, a empresa produz cerca de 50 por cento da eletricidade necessária
diretamente no local, em áreas contíguas às pistas.
Desde 2025, as
operações nos edifícios e no abastecimento de energia decorrem com neutralidade
carbónica. Até 2033, pretende atingir-se o objetivo "Net-Zero" para
toda a operação aeroportuária.
Planeia-se a eletrificação
total da frota. As emissões de CO2 restantes (cerca de 8 mil toneladas
por ano) recaem quase na totalidade sobre a frota da placa de estacionamento.
Os automóveis ligeiros e os autocarros de passageiros já estão a ser
convertidos sucessivamente para propulsão elétrica, seguindo-se os veículos
especiais assim que existirem alternativas comercialmente viáveis.
Também na
vertente digital, Viena impulsiona o desenvolvimento. Com o apoio de fundos
comunitários, o aeroporto está a instalar uma rede de 5G em todo o espaço. Esta
rede de Internet de alta velocidade constitui a base técnica para futuras
inovações, como a condução autónoma de veículos operacionais na área restrita
da placa, onde cerca de 70 por cento dos passageiros da Austrian Airlines já
recorrem a infraestruturas de self-drop. A estas soluções junta-se a expansão contínua de
ofertas em regime de self-service e os preparativos para a utilização alargada de
sistemas de acesso biométrico.
Perspetiva
económica
Apesar das condições de mercado alteradas no segmento de baixo custo e dos desafios persistentes no transporte aéreo internacional, a Flughafen Wien AG assenta numa base financeira muito sólida. Para o conjunto do ano, a administração antecipa um lucro líquido de cerca de 190 milhões de euros, com um volume de negócios consolidado superior a mil milhões de euros.
Com uma
excelência operacional e de pontualidade assinalável - Viena conta-se entre os
três aeroportos de grande dimensão mais pontuais da Europa e o mais pontual do
Grupo Lufthansa -, o grupo aeroportuário posiciona-se de forma ótima para o
crescimento futuro do transporte aéreo na Europa Central.



