quinta-feira, 22 de junho de 2017

Lago Lanier: um lago artificial … que parece natural

Pôr do sol
No final dos anos 50 do século XX, o Corpo de Engenharia do Exército dos Estados Unidos criou um lago no norte do estado da Geórgia (EUA) ao construir a barragem Buford no rio Chattahoochee, alimentada igualmente pelas águas do rio Chestatee. Ao lago deram o nome do poeta Sidney Lanier. 
Água a perder de vista
O lago é muito grande: 38 000 hectares (150 km²) de água e 1114 km de litoral com mais de 90 reservas naturais estatais e comunais. É lindo e muito relaxante. O ideal para se ganhar energias da vida stressante do dia-a-dia.
O objetivo principal para a criação do lago em 1956 foi o fornecimento de eletricidade, navegação e controlo de inundações do rio Chattahoochee, assim como o fornecimento de água à grande metrópole de Atlanta. O projeto de 1 mil milhão de dólares aprovado seis anos antes obrigou ao realojamento de 700 famílias que ali viviam para se poder inundar a área e criar o lago. Parte do trajeto da autoestrada 53 teve de ser redesenhado pois passava muito perto das margens do lago.
@Daniela Müller
Estabelecida em 1957, a Marina Holiday tornou-se um sinónimo do Lago Lanier. Em 1997, o lago Lanier recebeu a conferência Bilderberg.
Todos os anos, o lago Lanier transforma-se num a aldeia natalícia com mais de 9,7 km de luze. “Magical Nights of Lights” é um espetáculo de luz e sim que corre por toda a aldeia do Natal.
Interessante é a situação legal do lago. Apesar de se encontrar no estado da Geórgia, três estados têm direito à sua água: Geórgia, Alabama e Florida. E porquê? Uma lei federal diz que todos os estados por onde correm os rios que alimentam um lago têm direito às suas águas.
Vista da varanda do chalé


Para se gozar verdadeiramente o lago o ideal é alugar-se um dos muitos chalés, a maioria deles de madeira, que existem à beira lago, construídos no meio da floresta densa que o envolve. É um verdadeiro descanso mental estar sentado na varanda da casa a olhar para as florestas e para as calmas águas. 
Descansar o corpo e a alma 
Ou então levar uma espreguiçadeira para o pontão de atracagem do barco (todas as casas têm barcos de veraneio) e ali ficar a “jiboiar”, ou seja, não fazer nada. Querendo atividade, podem dar-se longos passeios à beira água, nadar até a uma das muitas ilhas que existem no meio do lago, pescar (achigãs, robalos riscados, carpas, douradas amarelas, entre muitos outros) ou então fazer remo ou caiaque – aliás estas duas disciplinas olímpicas tiveram aqui o seu cenário durante os Jogos Olímpicos de Verão de 1996. Em 2003 realizou-se aqui o Campeonato Mundial de canoagem. E no final, para ganhar forças, nada melhor do que um churrasco – todas as casas estão equipadas com churrasqueiras para que um bom bife grelhado não falte aos veraneantes.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Ananases em Queluz


Duas das quatro estufas de ananases
Seguindo uma tendência nos jardins ornamentais no século XVIII, também a realeza portuguesa mandou construir um jardim botânico do Palácio de Queluz, embora de de pequena escala, quando comparado com outros jardins botânicos desta época. A botânica, no sentido histórico da construção do conhecimento, ganhou inúmeros adeptos nos remos europeus, tornando-se uma moda cortesã partilhada por curiosos, aventureiros, naturalistas e colecionadores, cujo entusiasmo serviu de multiplicador para a construção e plantação de jardins botânicos públicos e privados rico em raridades vegetais do novo e do velho mundo. É a época das orangeries, de plantas exóticas e tropicais. O ananás, um fruto muito associado à realeza, não podia faltar neste jardim botânico, como realçou Manuel Baptista, presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra, ontem aquando a inauguração do Jardim Botânico do Palácio Nacional de Queluz, que contou com a presença da secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos.
Célia Ramos e Manuel Baptista
Construído entre 1769 e 1780, este jardim botânico foi contemporâneo das grandes realizações setecentistas do período barroco-rococó nos jardins de Queluz. De pequena escala, quando comparado com outros jardins botânicos desta época, Queluz assume uma natureza de entretenimento, ao contrário do propósito eminentemente experimental dos projetos de estado, esses inspirados na fisiocracia naturalista setecentista.
Com a ida da família real para o Brasil em 1807, os jardins foram abandonados. Sucessivamente destruído por fenómenos naturais e abandonado, o jardim botânico perdeu a sua função original, tendo sido transformado em roseiral em 1940. Em 1983, na sequência das cheias que destruiriam praticamente esta zona, o jardim foi completamente desmontado e transformado numa área ampla para picadeiro da Escola Portuguesa de Arte Equestre.
Há cinco anos, a Parques de Sintra – Monte da Lua iniciou uma investigação histórica que possibilitou a consequente intervenção patrimonial com vista à reconstituição do jardim botânico de Queluz. O projeto ganhou novo ânimo com a descoberta e identificação de diversas cantarias - das fundações das estufas, das peças de água e dos ornamentos - que haviam sido desmontadas em 1984 e entretanto integradas ou esquecidas noutros lugares dos jardins de Queluz.

Legenda das plantas
Ao longo dos trabalhos de reconstrução do jardim, realizada com base num desenho de 1865, foram recriadas as quatro estufas de ananases (Ananas comosus, variedade 'Cayene'), produzidos em tempos para os banquetes de Queluz. Na construção das estufas foi reintegrada a cantaria original das fundações,  com a ajuda de desenhos históricos e como resultado das sondagens arqueológicas realizadas no local. Foram igualmente reconstruídos os alegretes e respetivos bancos e painéis azulejares, as cantarias do lago central e a estatuária de acordo com o desenho inicial do jardim.

Pormenor do alegrete

Pormenor do alegrete

Pormenor do alegrete

Foram igualmente executados caminhos em saibro granítico, sob os quais foram instaladas as diversas infraestruturas de abastecimento de água, drenagem, energia e comunicações. Uma rede de caminhos delimita 24 canteiros, representando os espaços necessários às plantações representativas das 24 ordens de plantas de Carlos Lineu. Nas bordaduras dos canteiros foram plantadas aproximadamente 10 mil plantas de murta (Myrtus communís ssp tarentina).

Serviu de base à reconstituição da coleção botânica o Index de Manuel de Moraes Soares de 1789, que reúne as espécies existentes na época no jardim Botânico de Queluz.
Estufas de ananases

As ovelhas sobem à serra em festa no dia 1 de julho

Pastores da serra da Estrela preparam a subida dos rebanhos, uma prática secular que se mantém viva em Seia.

A transumância ainda se pratica em Seia, com a tradicional subida dos rebanhos e dos pastores à serra da Estrela em busca de melhores pastos. Esta prática, ainda tão enraizada na comunidade pastoril do concelho, será uma vez mais aberta à participação de todos e acontece no dia 1 de julho.
A iniciativa é promovida pela Associação de Desenvolvimento Integrado da Rede das Aldeias de Montanha (ADIRAM), sendo uma das atividades que consubstancia o Plano de Animação da Rede, em parceria com o Município de Seia e em articulação com os pastores que ainda mantêm viva a tradição da transumância. Esta ação integra a Grande Rota da Transumância, projeto transversal da Agência de Desenvolvimento Gardunha 21 enquadrado na EEC PROVERE iNature, cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) através do CENTRO 2020 - Programa Operacional Regional do Centro. 
Acompanhar os pastores nesta subida à serra e descobrir uma das mais simbólicas atividades do pastoreio, a transumância, é a proposta para este dia. Os rebanhos, provenientes das aldeias do sopé da serra concentrar-se-ão no largo da câmara, às 07:30h, e atravessam o centro da cidade em direção à montanha, prosseguindo a sua viagem pelos seculares caminhos da transumância, rumo àquela que é a aldeia dos pastores, o Sabugueiro. Para que os participantes sintam a autenticidade e genuinidade da serra da Estrela, estão preparados vários momentos de animação, com destaque para o cancioneiro popular e a gastronomia de montanha. A inspiração é, sempre a simplicidade da pastorícia! 

A anteceder a subida à serra celebra-se, a 25 de junho, na aldeia da Folgosa da Madalena a Festa dos Pastores com a romaria das ovelhas à Festa de S. João Batista. Aqui, a partir das 18h, os pastores acompanhados dos rebanhos, vindos das várias aldeias, cumprem a tradição, desfilando à vez, em volta da capela de São João Batista, pedindo ao padroeiro um bom ano de pasto e proteção para o gado. Para o efeito, as ovelhas ostentam os maiores e melhores chocalhos “loiça” e são enfeitadas com “peras e cabeçadas”.
Inscrições e mais informações: em www.aldeiasdemontanha.pt email: adiram.associacao@gmail.com

sábado, 10 de junho de 2017

O Rio Amarelo… na Geórgia, EUA

Cachoeiras do Rio Amarelo (EUA)
Quando ouvimos “Rio Amarelo” de imediato pensamos na China, no segundo maior rio da China e o 6º maior rio do mundo, e … muito poluído. Mas não, não é sobre esse rio Amarelo que venho falar hoje, mas sobre o Yellow River, o rio Amarelo, do estado da Geórgia, nos EUA, e cujas margens formam um belíssimo parque estadual, o “Yellow River Park”, o Parque do Rio Amarelo.
Com mais de 5 km de trilhos para caminhadas, paralelos ao rio que ali passa com diversas cachoeiras, é o local ideal para passear junto da natureza sem grande esforço – quem quiser fazer caminhadas maiores pode ir até ao Parque Nacional da Montanha da Pedra, onde pode ver as esculturas dos generais da Guerra Civil, esculpidas num enorme rochedo.
A Montanha da Pedra (Stone Mountain )
Mas fiquemo-nos pelo Parque do Rio Amarelo, situado numa simpática mata, sempre acompanhando o rio. São 566 hectares de floresta com trilhos para passear a cavalo ou caminhar a pé –sempre ao lado dos meandros arenosos do rio Amarelo, com elevações mínimas. Ou seja, caminhadas muito serenas.
Mas querendo, pode haver aventura. Os caminhos começam no parque de estacionamento (!) onde estão também as instalações higiénicas e de bem-estar, a saber, casas de banho, mapas, e mesas/bancos para piqueniques. Os mais preguiçosos ficam-se por aqui. A caminhada deles é dos carros até às mesas de piquenique!
Cachoeiras
Mas nós queríamos era andar, ver as cachoeiras do rio. A uns 300-400 m do parque de estacionamento há um pequeno ponto de observação de madeira.
Ponto de observação de madeira
Como está um pouco elevado, dá-nos uma boa visão completa sobre esse ponto do Rio Amarelo e das suas pequenas quedas de água, onde já algumas pessoas passeavam no meio da água e apanhavam sol nas pedras quais lagartos.

Aqui o rio espraia-se como folhas de árvores caídas sobre rochas largas e planas que vão formando terraços sobre o leito do rio, criando uma série de cachoeiras com pouca profundidade. Lindas. Relaxantes. E convidativas a entrarmos na água, apesar de gelada. As bordas continuam arenosas permitindo que os menos corajosos possam pelo menos pôr um pezinho na água…

Mais adiante uma ilha. Apesar do sinal de “Propriedade privada”, avançamos. A aventura chama por nós. A ligação para a ilha é um tronco de árvore caído que liga as duas margens. Pé ante pé, balançando sobre o tronco qual  Simone Biles equilibrando-se na trave olímpica, atravessámos aquele braço de rio e chegámos à ilha, ao fruto proibido.
A ligação à ilha privada
No entanto, ali, nada de especial havia. Era pura e simplesmente a continuação da mata/floresta repleta de pinheiros, carvalhos e liquidâmbares, uma das árvores nativas de áreas temperadas do leste da América do Norte. Aliás, as árvores podem ser um dos motivos para irmos até ao parque do Rio Amarelo. Árvores antigas, com formas diversas, que se abraçam. Os afetos da natureza que se estendem às pessoas que aqui ganham forças para o dia a dia, relaxando na natureza.






segunda-feira, 22 de maio de 2017

O marisco e a cervejaria Ribadouro

Vamos hoje viajar pelo… marisco, o belo marisco da nossa costa. Os percebes. O camarão de Espinho. As gambas do Algarve. As ostras de Aveiro. As lagostas. As sapateiras.
Podemos comê-los em casa. Ou em cervejarias. Como na Ribadouro, fundada em 1947 e com localização espetacular, bem no centro de Lisboa. Desde a sua abertura, a Ribadouro, local de convívio por excelência de artistas em décadas passadas, é reconhecida como um dos melhores locais para comer marisco da capital. E com razão, pois só entra naquela casa o melhor marisco, sempre que possível da nossa costa.
Nesta viagem que fizemos pelo marisco fomos guiados por dos funcionários que quase pertencem à mobília da casa, Alberto Mota e o Manuel Almeida, que ali trabalham há quase três décadas.
Atualmente, a Ribadouro pertence à Portugália, um grupo de restauração 100% português e já com 32 unidades de restauração em território nacional e uma em Macau.

As ostras
Começámos a nossa viagem pelas ostras. A ostra é um bivalve constituído por um corpo mole, protegido dentro de uma concha altamente calcificada. Aquando da invasão de um parasita, para se defender, a ostra liberta uma substância denominada madrepérola, que se cristaliza sobre o invasor, impedindo-o de se reproduzir. Muitas espécies de ostras são hermafroditas e mudam de sexo, amadurecendo primeiro como macho, tomando-se em seguida fêmeas.

Na Ribadouro, só se serve ostra nacional, oriunda das rias de Aveiro, Alvor e Formosa e do estuário do Sado. Uma vez que se consome crua, há que ter cuidados redobrados com este bivalve. As ostras têm  de ser sempre abertas na altura em que vão ser consumidas. Se ao abrir, estiverem secas, ou seja, sem água, têm de ser rejeitadas, pois significa que podem estar contaminadas.

A sapateira
A sapateira é um crustáceo decápode da costa atlântica rochosa da Europa. A sua características física mais evidente é a sua carapaça oval e as suas duas pinças fortes. Tem de estar viva quando se compra. É fácil verificar se uma sapateira está viva: assim que se pega nela, fecha as pinças. Se não as fechar, rejeite-a. Compre as sapateiras mais pesada e que sinta ainda compactas. Se sentir liquido no interior ao abanar a sapateira, é sinal de pouca carne.

A lagosta
Outro crustáceo decápode é a lagosta. Ao contrário da sapateira, a lagosta é comprida e caracteriza-se por ter as antenas do segundo par bastante longas e os urópodes (dois pares de apêndices do último segmento abdominal) em forma de leque. As lagostas podem ter uma cor mais escura ou mais clara; a diferença resulta somente do seu habitat: as do norte vivem em águas mais frias e são mais escuras, enquanto as do sul vivem em águas mais quentes e são mais claras.
É de difícil criação, pois cresce bastante devagar e come muito – daí o seu preço elevado e serem assim consideradas espécies de luxo. É preferível comprar lagostas vivas, pois as congeladas ficam rijas e elásticas, além de perderem todo o seu sabor. Devem ser sempre cozidas vivas.

Os percebes
Os melhores percebes da nossa costa encontram-se nas berlengas e na zona de Aljezur. A sua apanha é muito difícil, pois o marisqueiro põe em risco a sua vida, pois os percebes crescem em zonas rochosas na rebentação das ondas.
O corpo dos percebes adultos é dividido em duas partes, a unha e o pedúnculo. O primeiro caracteriza-se por ser uma concha com várias placas calcárias, dentro da qual está localizada o que se considera o corpo do percebe. A unha caracteriza-se ainda por ser o que protege o percebe de predadores e da desidratação durante a maré baixa ou quando exposto ao ar.
Já o pedúnculo é a parte inferior do percebe, construindo uma estrutura alongada e flexível, revestida por pequenas escamas que unem a unha ao substrato. No seu interior encontram-se os órgãos reprodutores femininos e a glândula adesiva que produz a substância que permite ao percebe aderir ao substrato.
Para se saber se os percebes estão mesmo fresco quando os vamos comprar, devemos pôr as mãos nas caixas ou nos cestos onde eles se encontram. Se não estiverem a pegar e deixarem um cheio a maresia, significa que estão frescos.

Camarão de Espinho e gamba do Algarve

A diferença está no tamanho e na cor. O camarão de Espinho é mais pequeno e mais escuro, pois vive em águas frias, enquanto a gamba do Algarve é mais claro, pois vive em águas mais quentes. A casca da gamba é também é ligeiramente mais mole do que a do camarão.
Habitualmente, esta espécie habita sobre fundos arenosos entre os 200 e os 500 metros de profundidade, sendo a apanha realizada através de barcos de arraste.
                              

Os funcionários da Cervejaria Ribadouro conhecem o marisco como as suas próprias mãos, o que não é de estranhar pelas quantidades que vende: 25 mil kg de marisco por semana! Anualmente vende 4 mil kg de sapateira, 2 500 kg de amêijoas e 11 mil kg de camarão – todo este marisco é regado normalmente “regado” com cerveja: anualmente vendem-se 30 mil litros de cerveja!

sábado, 13 de maio de 2017

Classe executiva sem glamour

Gina, a afável chefe de cabina, desfez-se em desculpas. Que lamentava imenso mas as bolsinhas de higiene não tinham sido entregues em Lisboa. Em princípio a empresa carrega o avião com as bolsinhas diretamente para os voos de ida e volta. Mas desta vez algo tinha falhado e não havia bolsinhas de higiene para os passageiros de executiva.
Esta explicação foi-me dada somente e mim, não houve nenhuma desculpa formal a todos os 11 passageiros que estavam a viajar em classe executiva no voo de Lisboa para Filadélfia. Pensando bem, nada que nos pudesse admirar. As companhias americanas não dão aos seus passageiros a mesma atenção que as companhias europeias, para já não falar das asiáticas. Como classificar o welcome drink servido em copos de plástico? Ou mais tarde à refeição todas as bebidas serem servidas em copos de água, tipo one size fits all?
A falta de atenção em relação ao cliente viu-se porém logo no check-in. Tínhamos 4 peças de bagagem. A chefe de escala aproxima-se do balcão onde estávamos a fazer o check-in e pergunta-me: “Já pagou o excesso de bagagem?” Respondi-lhe que não paguei nem iria pagar pois tinha direito a 2 peças de bagagem por pessoa. “Quem lhe deu essa informação?” Insistiu. Tive então de relembrar à chefe de escala que, voando em executiva, tínhamos direito a duas peças por pessoa, cada uma com 23 kg! Um desastre  de relacionamento com os clientes.
A ida para o avião, que estava na pista sem manga, foi no mínimo ridícula. Os passageiros de Execuiva são chamados em primeiro lugar para embarcar…. Para ficar mais empo no autocarro que só parte quando está cheio!
Chegados ao avião foi-nos servida uma bebida de boas vindas – uma prática corrente nas companhias de avião – mas em copos de plástico! A refeição não foi má apesar do bife angus servido estar muitíssimo bem passado – e assim duríssimo. Pontos positivos: as oleaginosas servidas como aperitivo estavam quentes (muito agradável), assim como o conhaque dos digestivos.




A seleção de filmes do programa de entretenimento deixa muito a desejar, O tablet que é distribuído não tem informações sobre o voo. Ponto positivo: os auscultadores são bons e abafam o ruído do avião.
Os assentos são espaçosos mas infelizmente a reclinação não é total. A manta é dum material agradável
A viagem seguinte – um voo doméstico – apesar de ser em First Class de glamour só tem o nome. O serviço resume-se a um refrigerante, chá ou café e a um pacote de batatas fritas!

Às companhias de aviação americanas falta-lhes a finesse das companhias de bandeira europeias.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Atlanta, a cidade da Coca-Cola e da CNN

A capital da Geórgia, ficou mundialmente conhecida no final dos ano 30 do século passado, graças ao filme “E tudo o vento levou”, um filme baseado no romance de Margaret Mitchell, e que se passa largamente em Atlanta. . Nos anos 60, em plena luta pelos direitos cívicos, Atlanta estava na boca do mundo por ser a cidade onde pregava Martin Luther King. Em 1943, elegeu o primeiro presidente da câmara negro, Maynard Jackson. E em 1996, por ter recebido os Jogos Olímpicos de Verão. Na época global em que vivemos, é conhecida por estar aqui a sede da CNN e da Coca-Cola.
Fundada em 1837 com o nome de Terminus, por ser aqui que terminava o caminho-de-ferro que ligava o Midwest, a Região Central Ocidental, ao estado da Geórgia, esta cidadezinha passou a chamar-se Marthasville em 1843, em honra da filha do então governador. A cidade prosperava, devido a sua posição estratégica na região, cuja principal atividade económica era o cultivo do algodão através do trabalho escravo.
O nome da cidade voltou a ser alterado para Atlanta em 1845.  A origem do nome um pouco incerta. Segundo algumas fontes foi escolhido simplesmente para dar ênfase às ligações ferroviárias da região com a costa; outros alegam uma origem mística, com ligações à maçonaria e ao continente perdido de Atlântida.
Durante a Guerra Civil, Atlanta sofreu muito, tendo sido praticamente destruída. Após a guerra, levantou a cabeça, foi reconstruída, tornando-se a capital do estado da Geórgia em 1868. O seu desenvolvimento não tem parado. O seu aeroporto é o mais movimentado do mundo desde 1998, com uma movimentação de 104 milhões de passageiros em 2016.
Hoje em dia, Atlanta é a cidade da CNN, da Coca-Cola, dos Jogos Olímpicos, de Martin Luther King. Todos os pontos de interesse turísticos ficam no centro da cidade e podem ser visitados sem necessitar de carro.


No “Mundo da Coca-Cola”, ficamos a conhecer toda a história da bebida mais famosa do mundo, que nasceu em 1886 e que é, hoje em dia, o melhor exemplo duma multinacional poderosa com estratégia global. O ponto mais apetecível do “Mundo da Coca-Cola” é a fonte de refrigerantes onde correm todas as bebidas que a Coca-Cola produz em todo o mundo. Pode provar-se Coca-Cola com diversos sabores (cereja, baunilha, frutos silvestres, etc.), ginger ale de Moçambique, refrigerante de maracujá da Nova Guiné, etc., etc., etc.
Saindo do mundo da Coca-Cola, passamos pelo Underground Atlanta, um enorme centro comercial que se estende por seis quarteirões e que nasceu nos subterrâneos da antiga cidade, no centro comercial da localidade em 1782 conhecido por “Standing Peachtree”.

Chegamos então ao mundo da informação, à sede da CNN, a Cable News Network, que Ted Turner lançou a 1 de Julho de 1980. Numa visita guiada, que começa por uma enorme escada rolante com a altura de 3-4 andares, ficamos a conhecer os estúdios, muitos dos truques utilizados em televisão (sabia que os apresentadores da meteorologia estão à frente dum painel azul, vazio, sem imagem alguma? Já alguma vez reparou que eles fazem sempre gestos muito vagos ao apontar para as regiões?) e como funciona uma televisão que só transmite informação.
 Fonte dos Anéis
Deixamos a CNN e atravessamos o Parque Olímpico do Centenário, construído em 1996 para os Jogos Olímpicos de Verão que tiveram lugar em Atlanta e cuja atração principal é a Fonte dos Anéis, a maior fonte interativa do mundo, que usa o símbolo olímpico dos cinco anéis interligados. Cada um dos anéis tem um diâmetro 7,6 m. No total, 251 jatos de água (com alturas entre 1,2 e 10,6 metros), 400 jatos de nevoeiro e 487 luzes são responsáveis pelos sete espetáculos de música, luz e água.
Continuamos o nosso passeio; saímos do bairro central e, de repente, todo ambiente se modifica. Os prédios deixam de ter o brilho anterior, são velhos e mal tratados: deixámos a zona comercial da cidade e entrámos na zona negra. A diferença é brutal! Mas é aqui que está a igreja Baptista de Ebenezer onde Martin Luther King costumava pregar, a sua casa-natal e o Centro Cívico para os Direitos Civis, onde está, no meio dum lago retangular o túmulo deste homem que “tinha um sonho“. Um sonho de igualdade entre brancos e negros e que só se concretizou no papel. A realidade prática é bem diferente...

Igreja Baptista de Ebenezer 


Túmulo de Martin Luther King

Tomemos agora o MARTA, o metro de Atlanta, e vamos para o Parque da Pedra (Stone Mountain), um enorme parque florestal de lazer à volta do maior rochedo de granito do mundo, uma „pedrinha“ que pesa 573 milhões de toneladas, que tem uma altura correspondente a um prédio de 33 andares e que tem somente 300 milhões de anos, sendo assim mais antiga do que o Himalaia.

No início do século XX, um projeto patriota criou um baixo relevo colossal que mostra as figuras, a cavalo, de três heróis da Confederação (Jefferson Davis, o primeiro e único presidente da Confederação dos Estados Unidos, o general Lee e o general Jackson). A realização desta obra demorou muitas décadas a concluir devido a fatores diversos: dificuldade em trabalhar o granito, especialmente a grandes alturas, o início da 1ª Grande Guerra, mudanças dos escultores que dirigiam a obra e alteração do conceito da obra, entre muitas outras.