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| @Aeroporto de Cracóvia |
O Aeroporto de
Cracóvia está a protagonizar um dos ciclos de crescimento mais expressivos da
aviação regional europeia. Impulsionado pela transformação da região da
Malopolska num polo dinâmico de serviços empresariais, tecnologia e turismo, a
infraestrutura aeroportuária iniciou um plano de investimentos ambicioso que
ultrapassa os mil milhões de euros. O objetivo principal passa por duplicar a
capacidade operacional do aeroporto nos próximos anos, preparando a região para
acolher mais de 20 milhões de passageiros por ano em 2032.
Estrutura
acionista e enquadramento institucional
O aeroporto opera sob
uma estrutura acionista totalmente pública. Mais de 77% do capital social é
detido pela PPL (Polish Airports), a entidade gestora estatal que integra o
grupo de topo responsável pela rede aeroportuária nacional na Polónia e pelo
projeto do novo aeroporto central. Os restantes acionistas dividem-se entre o
governo regional de Malopolska, o município de Cracóvia e o condado de
Zabierzów — este último onde se situa a maior parte física do aeroporto —,
embora estas entidades locais detenham posições minoritárias.
Esta articulação
acionista garante um alinhamento estratégico direto entre o planeamento de
transportes do Estado polaco e as necessidades de desenvolvimento
socioeconómico da região do sul da Polónia.
Um plano de investimentos sem precedentes
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| Lukasz Strutynski @Aeroporto de Cracóvia |
Lukasz Strutynski, o presidente do Conselho de Administração
do aeroporto de Carcóvia, apresentou-nos o plano estratégico em
curso que contempla cerca de 19 projetos individuais de infraestruturas que, no
seu conjunto, totalizam sensivelmente mil milhões de euros. Trata-se de uma
escala sem paralelo na história do aeroporto, superando amplamente o ciclo de
investimentos anterior (desenvolvido entre 2013 e 2016), cujo montante rondou
os 200 milhões de euros.
O motor central deste
plano é a construção de um novo terminal de passageiros. As obras de fundação
já tiveram início, estando prevista a conclusão da primeira fase da ala oeste
para 2029. O atual terminal foi desenhado para processar 8 milhões de
passageiros por ano e, mediante ajustamentos operacionais e otimização do fluxo
de passageiros, consegue acomodar atualmente cerca de 10 milhões. Contudo, a
procura superou drasticamente estas projeções: no último ano, Cracóvia registou
13,2 milhões de passageiros e prevê fechar o ano corrente perto da fasquia
histórica dos 15 milhões.
Além do novo terminal,
o plano inclui a construção de uma nova pista de aterragem (projeto altamente
complexo dado o compromisso de manter o aeroporto totalmente operacional
durante as obras), a ampliação do parque de estacionamento, novos acessos
rodoviários internos e a melhoria dos sistemas de navegação aérea.
Para mitigar os
condicionalismos meteorológicos característicos da região, nomeadamente o
nevoeiro denso no inverno, o aeroporto prepara a transição do sistema de
aterragem por instrumentos para a Categoria II (ILS Cat II) já no primeiro
trimestre do próximo ano, garantindo maior estabilidade operacional com
reduzida visibilidade.
Inovação tecnológica e gestão do fluxo de passageiros
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| @Aeroporto de Cracóvia |
Classificado pela ACI
(Airports Council International) como o aeroporto regional com o crescimento
mais dinâmico na Europa na sua categoria (aeroportos regionais de grande
dimensão, entre 10 e 25 milhões de passageiros), Cracóvia registou crescimentos
anuais próximos dos 20%.
Para responder ao
excesso de procura no terminal atual sem comprometer a segurança ou o conforto
dos passageiros, a administração apostou fortemente na modernização
tecnológica. O aeroporto foi pioneiro na Polónia ao introduzir scanners de
tomografia computadorizada (CT) no controlo de segurança, permitindo aos
passageiros manter líquidos e equipamentos eletrónicos no interior da bagagem de
mão. Foram também implementados sistemas automatizados de verificação de
calçado e scanners corporais, encurtando significativamente o tempo de espera
nas portas de embarque.
A metamorfose económica de Cracóvia e a ligação ao setor
empresarial
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| @Aeroporto de Cracóvia |
A dinâmica do
aeroporto reflete uma mudança profunda no perfil económico de Cracóvia.
Historicamente reconhecida como um destino predominantemente turístico (com os
visitantes a representarem 66% dos passageiros antes da pandemia), o mercado
inverteu-se. Hoje, cerca de dois terços dos passageiros são residentes locais e
profissionais em viagens de negócios.
Cracóvia
transformou-se num dos maiores centros europeus de serviços empresariais e
tecnologia de alto valor acrescentado (IT, análise financeira, gestão de risco
e engenharia). Curiosamente, a média salarial na cidade ultrapassa atualmente a
da capital, Varsóvia, um indicador direto da atração de empresas
multinacionais. Gigantes do setor da aviação e da tecnologia instalaram polos
de excelência e centros de engenharia na cidade, atraídos pela forte presença
universitária e pela disponibilidade de mão de obra qualificada. Nomes como
Airbus (que prevê contratar 600 engenheiros em Cracóvia), Rolls-Royce, Sabre,
IAG e Lufthansa integram o tecido empresarial local.
A transportadora
low-cost Ryanair vai estabelecer em Cracóvia o seu maior centro de formação de
pilotos e tripulações da Europa, num investimento que ronda os 150 milhões de
euros, mantendo uma base operacional que este inverno contará com 16 aeronaves
alocadas ao aeroporto.
O
panorama das companhias aéreas e o mercado português
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| @Aeroporto de Cracóvia |
O mapa de operadores
do aeroporto é diversificado, contando com cerca de 29 companhias aéreas com
voos regulares. A Ryanair lidera a quota de mercado com cerca de 51%, seguida
da Wizz Air (com 6 aeronaves) e da transportadora nacional polaca, LOT Polish
Airlines. Adicionalmente, companhias do Golfo como a Flydubai, Air Arabia e
Etihad têm expandido a sua presença, refletindo o crescimento do tráfego de
ligação para o Médio Oriente e Ásia.
As ligações diretas a
Portugal têm demonstrado uma robustez assinalável. Atualmente, a rota entre
Cracóvia e Portugal — cobrindo voos para Lisboa, Porto e Faro operados pela
Ryanair — movimenta mais de 120 mil passageiros por ano, mantendo taxas de
ocupação (load factor) médias muito altas, de 97%.
Apenas na ligação
direta Lisboa-Cracóvia, o tráfego atinge perto de 67 mil passageiros anuais
pela via direta e quase 19 mil via voos de ligação, perfazendo um mercado
potencial de cerca de 90 mil passageiros. A administração do aeroporto
identificou ainda que mais de 290 mil passageiros com origem ou destino na
região de Cracóvia viajam anualmente para as Américas e África através de hubs
europeus. Nesse sentido, o aeroporto de Cracóvia está ativamente a negociar e a
captar o interesse da TAP Air Portugal para o estabelecimento de rotas diretas,
posicionando o aeroporto de Lisboa como uma placa de rotação estratégica para
os fluxos intercontinentais sul-americanos e africanos, temas que irão ser
abordados nas reuniões com a TAP que Lukasz Strutynski irá ter na Routes World, a maior feira global do setor da
aviação para negociar, planear e desenvolver novas rotas aéreas internacionais
e que vai decorrer em Frankfurt de 21 a 23 de outubro.
Sustentabilidade e integração multimodal
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| @Aeroporto de Cracóvia |
A expansão
aeroportuária integra igualmente critérios de sustentabilidade ambiental (ESG),
incluindo projetos para a instalação de parques fotovoltaicos e central solar
dedicada.
No plano da
mobilidade, Cracóvia destaca-se como um modelo europeu de transporte
multimodal. Cerca de 32% dos passageiros chegam ao aeroporto utilizando
transportes públicos, maioritariamente através da ligação ferroviária direta. A
viagem entre a Estação Central de Cracóvia e o terminal demora menos de 20
minutos. Toda a infraestrutura ferroviária, o terminal e a oferta hoteleira
(que inclui um hotel Hilton existente e um novo hotel do grupo Accor
recém-anunciado) estão integrados num único complexo contínuo e coberto.
Com a conclusão do
plano de obras previsto até 2032, o Aeroporto de Cracóvia consolidará a sua
posição estratégica como o grande portal de entrada no sul da Polónia, unindo o
património académico e histórico de Cracóvia a um ecossistema universitário e empresarial
focado na inovação e na conetividade global.





