No domingo partimos para Dover logo depois do
pequeno-almoço. Junto ao castelo seguimos a indicação “Jubileu 50”,
estacionámos sem problemas e logo se aproximou de nós um senhor que nos
perguntou se já tínhamos os autocolantes. Respondemos-lhe que tínhamos os
bilhetes. E ele deu-nos quatro autocolantes. Ao recebê-los estranhei terem o desenho
de uma cruz e de um livro aberto. Mas mais nada pensei. Mais intrigada fiquei
quando, à entrada do castelo, nos perguntaram se vínhamos para a missa. Missa? De
repente começámos a perceber tudo: o Jubileu 50 era a festa do 50º aniversário
da ordenação de um padre que trabalhou em diversas dioceses e na paróquia de
Dover. Agora tínhamos o puzzle completo! No largo interior estava montado um
altar e muitas cadeiras para a missa. Tivemos assim uma visita a este castelo
medieval com apoio espiritual.
O
castelo, conhecido como a "Chave da
Inglaterra", devido à sua importância defensiva ao longo da história, foi construído no século XII. No entanto as suas
origens são romanas, havendo ainda as ruínas de um farol romano de 24 m
de altura, que terá sido construído por volta do ano 43 a.C.. É um dos três
faróis romanos no Reino Unido que ainda perduram até hoje.
o farol romano |
O
local onde mais tarde foi construído o castelo era um dos primeiros pontos de entrada
dos normandos na ilha. Depois da Batalha de Hastings a 14 de outubro de
1066, Guilherme o Conquistador e o seu exército marcharam até à Abadia de
Westminster para a sua coroação.
Calcula-se que o cronista se estivesse a
referir a novas fortificações feitas num forte saxão ou mesmo num burgo
construído à volta da igreja saxónica de Santa Maria em Castro, embora as
evidências arqueológicas sugiram que terá sido feita uma nova fortificação.
Henrique
II (1133 – 1189) começou a construção do atual castelo na década de 1180. A
torre de menagem é desta época, tendo sido uma das últimas a serem construídas
em quadrado. Desde então o castelo tem sido adaptado para fazer face à evolução
do armamento e até da arte da guerra.
Em
1216, um grupo de nobres rebeldes incentivou Luís VIII da França a usurpar a
coroa inglesa. O rei francês tentou tomar o castelo, cercando-o, mas o seu
ataque não teve êxito. Após esta tentativa de tomada do castelo, o vulnerável portão
norte tornou-se uma passagem subterrânea para o complexo defensivo e novas
portas externas foram construídas na parte oeste e leste. Durante o cerco, os ingleses
cavaram um túnel para o exterior e atacaram os franceses, criando assim o único
túnel de contra-ataque do mundo.
Durante
as guerras napoleónicas no final do século XVIII, o castelo sofreu grandes
obras para melhorar as defesas. Uma das grandes obras foi a remoção do telhado
da torre, que foi substituído por abóbadas de tijolo. Assim, pôde instalar
artilharia pesada no telhado. Como Dover se tornou o local para o acantonamento
das tropas, houve que construir quartéis e armazéns para aquelas tropas e seus
equipamentos. A solução adotada foi a criação dum complexo de quartéis e túneis
15 metros abaixo dos penhascos, onde chegaram a estar alojados 2 000 soldados!
São os únicos alojamentos subterrâneos construídos na Grã-Bretanha.
No final
das guerras napoleónicas, os túneis foram parcialmente convertidos e usados pelos
serviços costeiras no combate ao contrabando. Durante a II Grande Guerra os
túneis foram convertidos em abrigo antiaéreo e depois num centro de comando
militar e hospital subterrâneo. Em maio de 1940, o almirante Sir Bertram Ramsey
dirigiu a evacuação de soldados franceses e britânicos de Dunquerque, a famosa Operação
Dynamo, a partir desses túneis. A sua utilização foi tão intensa que foi
necessário construir um novo túnel.
Depois da Guerra, os túneis foram usados com bunker em caso
de ataque nuclear. O plano foi abandonado quando se percebeu que a pedra usada
na construção – giz – não oferecia proteção à radiação.