| Torre de Hércules |
A
Corunha é a "Cidade de Cristal" — um título que ganha devido às
famosas varandas envidraçadas (galerias) que refletem a luz do oceano na
Avenida da Mariña. É uma cidade vibrante, muito cosmopolita e com uma ligação
profunda ao mar.
| Avenida Mariña |
O seu ícone mundial é a Torre de Hércules:, o farol romano mais antigo do mundo ainda em funcionamento e Património da Humanidade pela UNESCO. Do cimo dos seus 55 m (242 degraus!) tem-se uma vista fantástica de 360º. Com quase 2.000 anos de história, é Património Mundial da UNESCO desde 2009.
| Torre de Hércules |
Foi edificada no século I d.C. (provavelmente durante os reinados de Nero ou Vespasiano) para guiar os navios que navegavam para as Ilhas Britânicas e para o norte da Europa. Uma inscrição na base revela que o seu arquiteto foi Caius Sevius Lupus, originário de Aeminium (a atual cidade de Coimbra, em Portugal). Ele dedicou a obra ao deus Marte.
O que se vê atualmente por fora é uma "casca" neoclássica do século XVIII, obra do engenheiro Eustaquio Giannini, mas o núcleo interno romano permanece intacto.
Segundo a mitologia (popularizada pelo rei Afonso X), o herói Hércules veio a estas terras para derrotar o gigante Gerião, um tirano que aterrorizava a população. Após uma batalha de três dias, Hércules cortou a cabeça do gigante e enterrou-a no local onde hoje está a torre. Diz-se que a cidade da Corunha foi fundada sobre essa vitória, e o escudo da cidade ainda hoje mostra a Torre de Hércules com uma caveira e ossos por baixo, simbolizando a cabeça enterrada de Gerião.
Para além do mito grego, existe a lenda celta: o rei Breogán teria construído aqui uma torre tão alta que o seu filho, Ith, conseguiu avistar as costas da Irlanda a partir do topo, partindo depois para a conquistar. É por isso que a estátua de Breogán te recebe logo à entrada do parque escultórico.
A Torre de Hércules está "geminada" com a Estátua da Liberdade em Nova Iorque, como um símbolo de união entre as duas margens do Atlântico.
Aos pés da milenar Torre de Hércules, na Corunha, estende-se uma imensa e colorida Rosa dos Ventos, um mosaico circular que é um autêntico hino à cultura celta e atlântica. Com cerca de 25 metros de diâmetro, esta obra não serve apenas para indicar os pontos cardeais, mas funciona como um mapa místico da herança galega.| A rosa dos ventos |
Cada uma das suas direções aponta para um dos povos de origem celta, representados por símbolos tradicionais: desde a harpa da Irlanda ao tríscele da Ilha de Man. É um lugar de energia única onde, entre o rugido do oceano e o vento constante, os visitantes sentem a profunda ligação da Galiza com o mar e com as lendas de Breogán.
Segundo a lenda, o rei milenar Breogán fundou a cidade de Brigantia (Corunha) e nela ergueu uma torre tão alta que tocava as nuvens. Numa noite límpida de inverno, o seu filho Ith subiu ao topo e, fixando o olhar no horizonte sobre o oceano, avistou um brilho verde distante: era a Irlanda.
Seduzido pela visão, Ith partiu para explorar a ilha, mas foi morto pelos seus habitantes. Para vingar a morte, os filhos de Mil, descendentes de Breogán, invadiram a Irlanda, estabelecendo o laço eterno entre a Galiza e as nações celtas, hoje imortalizado na Rosa dos Ventos.