sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Pontevedra, a cidade galega do conforto

Virgem Peregrina
 

Pontevedra é muitas vezes apelidada de "a cidade dos miúdos" ou a "capital do conforto", porque o seu centro histórico é quase inteiramente pedonal. É uma das cidades mais charmosas da Galiza, perfeita para percorrer a pé sem o barulho dos carros.

No coração histórico, temos a Praça da Peregrina, o símbolo da cidade. Aqui está a Igreja da Virgem Peregrina, com a sua planta curiosa em forma de vieira (o símbolo do Caminho de Santiago, uma paragem obrigatória para quem percorre o Caminho Português de Santiago).

Virgem Peregrina, padroeira da província e do Caminho Português

Esta igreja é única no mundo devido à sua arquitetura peculiar. Construída em 1778, tem uma planta em forma de concha de vieira, o símbolo do Caminho de Santiago, na qual está inscrita uma cruz. Mistura elementos do barroco, rococó e neoclássico.

Na entrada, existe uma concha gigante natural usada para água benta, trazida das Filipinas pelo contra-almirante Méndez Núñez no século XIX.

No canto da praça, onde antigamente existia uma farmácia, encontra-se a estátua de ferro de um papagaio. Ravachol foi o animal de estimação do farmacêutico Perfecto Feijoo no final do século XIX. Era famoso pelo seu vocabulário sarcástico e por pregar partidas aos clientes. O papagaio morreu no Carnaval de 1913, causando tal tristeza que a cidade lhe organizou um funeral de Estado. Até hoje, o Carnaval de Pontevedra termina com o "Enterro do Ravachol", uma paródia ao seu funeral original.

A praça Praça da Peregrina é totalmente pedonal e está rodeada de esplanadas, lojas e outros pontos de interesse.

Logo ao lado, está a Praza da Ferrería, uma das praças mais amplas da cidade, onde se encontra o Convento de São Francisco. É uma praça ampla e cheia de vida, rodeada de arcadas e cafés, o lugar ideal para sentir o pulso da cidade.

Praça da Lenha

Um pouco mais adiante, temos a Praça da Lenha, para muitos, a praça mais bonita da Galiza. É pequena, rodeada de casas típicas com varandas de madeira e cheia de "taperías" onde se pode comer um bom polvo e bom marisco.

Rua Sarmiento, apinhada de jovens 

Bem perto, temos a rua Sarmiento no coração da zona de bares, junto ao Museu de Pontevedra. Frei Martín Sarmiento (1695–1772) é uma das figuras mais fascinantes e importantes do Iluminismo em Espanha e, acima de tudo, um herói cultural da Galiza. Embora tenha vivido grande parte da sua vida em Madrid, o seu coração e a sua obra estavam profundamente ligados à sua terra natal, Pontevedra. Era um monge beneditino com uma curiosidade insaciável, o que hoje chamaríamos de um verdadeiro polímata. Escreveu sobre quase tudo. 

É considerado o pai da filologia galega. Defendeu o uso do galego, estudou a sua origem e lutou para que o povo fosse alfabetizado na sua própria língua. Foi um pioneiro no estudo da flora galega e um grande defensor da agricultura e do aproveitamento dos recursos naturais. 

Um dos seus episódios mais famosos foi a viagem que fez de Madrid à Galiza em 1745. Escreveu um diário detalhado onde descreveu tudo o que viu: costumes, monumentos, plantas e palavras. Mapeou e documentou o património da Galiza como ninguém tinha feito até então.

Apesar de ter nascido em Vilafranca do Bierzo, Sarmiento cresceu em Pontevedra e  considerava-se pontevedrino, sentindo um carinho especial pela cidade

A casa onde viveu em criança fica precisamente nesta rua, onde também encontramos o Museu de Pontevedra (um dos melhores da Galiza), que ocupa edifícios históricos, preservando o espírito intelectual que ele tanto prezava, e o Edifício García Flórez (parte do Museu), com os seus famosos brasões de pedra.