sexta-feira, 20 de junho de 2014

3º dia do VIII Raid do Kwanza Sul: Lobito - Namibe (423 km)

Hoje foi o primeiro dia com picada. Uma picada ainda simples, mais pista de terra batida do que picada propriamente dita.
Antes de sairmos da cidade, demos uma volta pela famosa restinga do Lobito, durante a qual nos lembrámos da nossa colega Flora Carvalho, pois quando lá tínhamos estado em 1974 durante a viagem de finalistas do Instituto de Odivelas ela tínhamos pedido para irmos visitar os Pais que lá moravam. É aqui que estão as belas praias do Lobito, orladas de palmeiras. Na rotunda da ponta da restinga, o padrão dos descobrimentos que ali tinha sido colocado durante a época colonial foi substituído por um barco. Alguém nos disse que este barco tinha sido o que o atual Presidente da República, José Eduardo dos Santos tinha utilizado para a sua fuga de Angola após a eclosão da luta contra o poder colonial português em novembro de 1961 – uma informação que não conseguimos confirmar.
Seguimos para a bela Benguela, uma cidade que teve o seu início, como já vimos, na atual Porto Amboim. Em 1617, Manuel Cerveira Pereira fundou a atual cidade de Benguela. Vivia-se em Portugal a chamada União Ibérica; dois anos antes, Filipe II mandara separar o Reino de Benguela do resto de Angola por causa das grandes minas de cobre, tendo a região sido administrada autonomamente até 1869. Benguela esteve também metidas na guerra entre a coroa espanhola e a holandesa, tendo sido ocupada por forças da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais entre 1641 a 1648.
A nossa passagem pela cidade foi muito curta, somente para se ficar com uma ideia de como está a cidade atualmente. A caravana seguiu para Dombe Grande e para o rio Cimo onde entrámos na picada até Lucira. Os primeiros quilómetros foram terr´´iveis com muita pedra sola. Os primeiros carros começaram a ficar atolados. A uns 20 km de Lucira, a estrada volta a ser alcatroada.
Em latim, “lucira” significa “lumiosa”. Terá sido essa a explicação para o nome desta vila piscatória? No tempo colonial, ali foi construída uma fábrica de conservação de peixe que após a saída dos Portugueses ficou parada e ao abandono. O governo está agora a recuperar essa antiga fábrica para ali fazer uma  unidade de congelação de pescado.
Aqui em Lucira juntaram-se ao grupo de raidistas a São e o Lanucha que presenteou o grupo com um passeio de traineira pela bela baía de Lucira, incluindo a gruta com a imagem de Nossa Senhora. A ideia seria boa, não fora a traineira cheira tanto a peixe que misturado com o odor a óleo e a gasóleo, fez com que alguns de nós enjoassem.
De novo em terra, e com os pés firmes, pudemos ficar a ver os gaiatos a mergulhar para a água – e alguns de nós não se fizeram rogados e refrescaram-se também nas belas águas da baía.
Mas não havia tempo para descanso. Se bem que só faltassem 132 km para o Namibe e estes serem feitos por estrada asfaltada, tínhamos que nos despachar pois ao final da tarde teríamos de estar presentes no lançamento da monografia “Namibe, terra da felicidade” na cidade do Namibe.
Quando chegámos ao palácio do governador, um grupo folclórico esperava-nos para nos dar as boas vindas com algumas canções e danças da região. Interessantes eram os sapatos dos homens que tinham na sola uma série de latinhas que iam fazendo música à medida que dançavam.
Lá dentro seguiu-se a apresentação do livro - http://www.uccla.pt/noticias/lancamento-da-monografia-namibe-terra-da-felicidade - com todo o protocolo – ninguém podia entrar no palácio do governador sem calções ou de tops de alcinhas – que foi intercalada com música e danças. A receção terminou com uma belíssima e farta receção onde não faltou o sumo de múcua e missângua.


Mesmo já “atestados”, não nos fizemos rogados para o jantar no Clube Náutico onde nos pudemos deliciar com o famoso caranguejo do Namibe. Uma delícia!

quinta-feira, 19 de junho de 2014

2º dia do VIII Raid Kwanza Sul: Luanda-Lobito (599 km)

 Noite curta. Partida do hotel às 6h30. O autocarro era pequeno demais para todos os participantes. Foi difícil conseguir enfiar todas as pessoas mais a bagagem mas por fim lá partimos para Talatona onde estavam os nossos jipes. Senti-me numa verdadeira lata de sardinhas!
Os nossos jipes, novinhos em folha, com somente 112 km do conta-quilómetros, esperavam por nós nas instalações da Robert Hudson, uma empresa do Grupo Salvador Caetano que representa a Ford em Angola.
A bagagem de todos os participantes foi distribuída pelos dois jipes com canópia: o nº 9 e o nº 11, que os tinha sido atribuído. Saímos da Robert Hudson às 8.30 em formação por ordem numérica. Não fomos porém longe: logo aí, ainda em Talatona, os 17 jipes foram atestar numa bomba da Sonangol.
Finalmente estávamos prantos para arrancar em direção ao sul. Eram 9h23. O trânsito em Luanda estava caótico como habitualmente. Até aqui nada de novo. O importante era mantermos-mos na coluna, mas havia sempre uns abelhudos e uns candongueiros atrevidos que tentavam avançar a todo o custo.
Pouco depois da Ponte Molhada, uma ponte de recebeu este nome pois fica sob, em vez de sobre, a água com chove muito (!), o trânsito começou a melhorar. Calmamente chegámos ao Miradouro da Luz, um local fantástico onde a erosão esculpiu maravilhosamente as falésias, dando-lhes formas diversas que realçam devido à diversidade das cores da areia. Foi também aqui a estreia da chamada “casa de banho entre portas”.
Logo a seguir, passámos o rio Kwanza, pela ponte construída no início dos anos 70 do século XX e recuperada há alguns anos. Uma ponte com portagem! Um a um, os jipes paravam, recebiam o recibo mas não pagavam. O pagamento foi feito na totalidade pela organização.
Deixávamos para trás a província de Luanda e do outro lado da ponte entrámos na província do Kwanza Sul que dá o nome ao nosso RAID.
A estrada asfaltada continuava, mas já nada da confusão de Luanda. Deixou de haver lixo à beira da estrada, mas lindos imbondeiros, grandes e pequenos, mais largos e mais estreitos. Tínhamos chegado à zona da árvore mítica angolana.
Passagem rápida por Porto Amboim, a cidade que está geminada com Almada desde 1997. Quando aqui chegaram em 1587, os portugueses deram o nome de Benguela, mas abandoram o povoado pouco depois. Voltaram quase dois séculos depois, batizando a nova localidade de Benguela Velha. A povoação é elevada a vila em 1923 e muda o nome para Porto Amboim, passando a ter o estatuto de cidade no início de 1974.
Seguimos para Sumbe, a antiga Novo Redondo, onde almoçámos lindamente num restaurante mesmo em cima da praia. Gostaria de ter tomado o meu primeiro banho nas águas angolanas, mas os locais desaconselharam-me por a água estar muito barrenta. Já tínhamos percorrido 329 km.
Reconfortados com uma caldeirada de cabrito e outras delícias, seguimos rumo à província de Benguela. Ao passar uma ponte, vimos um grupo de mulheres a lavar a roupa e os respetivos filhos a brincar na água. Toda a caravana para para tirarmos fotografias.
 Ao final da tarde, no meio da confusão da hora de ponta, chegámos ao Lobito.
A origem do nome da cidade, que chegou a ser elevada a concelho em 1843, vem do substantivo pitu, antecedida da partícula classificativa olu; assim teríamos OLU+PITU, a “porta, o passadiço, a passagem “ que as caravanas de carregadores, ao descer dos morros vindos do interior, percorreriam, antes de atingirem a “praça comercial” da Catumbela. Com o uso continuado e o tempo, tal substantivo comum passaria a nome próprio, pelo que iria perder o “o” inicial, logo Lupitu que acabou por ser aportuguesado para Lobito.

O jantar foi no restaurante em frente do hotel, com muito marisco e especialidades angolanas.  Já no final, um grupo folclórico local veio dançar, cantar e tocar para nós. Estavam pintados com as pinturas que se fazem por altura da festa da inicial feminina e masculina. O curioso: numa das danças, as mulheres, bastante mais fortes que os homens, lançavam os homens pelo ar.
Depois do jantar, o Hans-Jürgen e eu apanhámos a boleia dum espanhol amigo do Manuel Laranjeira, da Câmara de Almada, e fomos até ao Hotel Términus onde os meus Pais passaram a primeira noite quando a minha Mãe chegou da metrópole.
O hotel Términus foi inaugurado a 29 de Dezembro de 1932, no seguimento duma política de expansão dos caminhos de ferro. O decreto concedendo a Robert Williams, engenheiro escocês que foi grande colaborador de Cecil Rhodes, autorização para construir e explorar uma linha férrea da baía do Lobito á fronteira leste de Angola foi assinado a 28 de Novembro de 1902, tendo sido a concessão feita pelo prazo de 99 anos. Tinha nascido a Companhia do Caminho de Ferro de Benguela SARL (CFB).
A gerência do hotel foi entregue à Wagon-Lits, em exploração conjunta com o CFB, sendo obrigada a prestar um bom nível de serviço. A tema da abertura foi assertivo: “Para dignificar a cidade do Lobito perante os passageiros que desembarcavam ou embarcavam no Lobito”. A cidade era conhecida como a “sala de visitas de Angola” tendo no Hotel Términus o seu ícone de referência.
Durante o longo período da guerra passou por várias etapas, tendo albergado cidadãos cubanos durante bastante tempo após o que esteve encerrado durante os últimos anos de conflitos.
A 28 de Novembro de 2001, em cumprimento do contrato de concessão, procedeu-se na Direcção Geral do CFB, à cerimónia do Ato de Entrega ao Governo de Angola, rubricado entre as partes pela cessante CFB e pelos representantes do Governo de Angola, que ficou subrogado de todos os direitos do concessionário, entrando imediatamente na posse do Caminho de Ferro, com todo o material circulante, edifícios e dependências, incluindo portanto o Hotel Términus, denominado Edifício 622.

A 3 de Janeiro de 2005 foi aprovada a privatização total dos bens móveis e imóveis, bem como as áreas adjacentes, indispensáveis á expansão do Hotel, pertencentes ao CFB, a favor da IMOGESTIN SA. que reabilitou o lendário Hotel Términus, preservando a sua traça e identidade originais e devolvendo-lhe a sua grandeza e imponência de outrora. O hotel Términus continua assim a ser um edifício histórico e um hotel emblemático, sem igual em todo o país. 
No hall encontrámos o diretor do hotel e, como o mundo é uma formigunha , era de Fronteira… O hotel está muito bem recuperado e voltou a ter o glamour antigo. Na esplanada da sala de jantar, ouviam-se as ondas de que a minha Mãe tanto falava. As paredes tinham fotografias antigas e assim pude imaginar com mais precisão o reencontro dos meus Pais.

Regressámos a pé ao nosso hotel. Lobito é uma cidade tranquila onde se pode passear a pé e como a noite estava muito agradável foi um verdadeiro prazer.

1º dia do VIII Raid do Kwanza Sul: a viagem de Lisboa a Luanda

A partida
Muita foi a minha admiração quando recebi um email a informarem-nos de que deveríamos estar no aeroporto às 6h45. O quê?! Mas o voo não é só às 11h?! Para quê tão cedo.
Mas cumpridores como somos, chegámos ao aeroporto às 6h47. Quando nos aproximámos no balcão de check-in da TAAG, que só abriria às 7h, já a fila era longa. Bem, pelos vistos, os viajantes para Angola gostam todos de madrugar. Pusemo-nos numa fila para grupos e a dada altura chegou a vez de o nosso grupo fazer o check-in das bagagens. A fila normal era cada vez maior. Apesar de termos feito o check-in em casa, não tinha olhado para o cartão de embarque. Foi só quando a funcionária mo devolveu com as etiquetas da bagagem é que me saltou à vista a hora de embarque: 9h50! Espanto novamente: como 9h50? O voo não é às 11h?
Mas a TAAG conhece a rapidez dos seus procedimentos e os seus passageiros. O avião tinha uma posição remota, isto é, não tinha manga, e os passageiros do 777-300, que ainda por cima estava overbooked , teriam de chegar ao avião de autocarro. Entrámos no avião às 10h, mas os últimos passageiros só chegaram perto das 12h! Partimos às 12h15 com 75 minutos de atraso – e apesar de nos ter sido pedido para fazer o check-in das bagagens com uma antecedência de 4h15!!!!

O voo
A arrumação dos passageiros dentro do avião também não foi fácil. A maioria traz muita bagagem de mão, bem além do volume com 5 kg permitido. Conseguir colocar todas as malas e malinhas, sacos e saquinhos, casacos e compras das lojas francas nas bagageiras superiores é um ótimo exercício de logística que nem os passageiros nem o pessoal de bordo domina. Passageiros passeiam-se com a sua bagagem de mão pelo avião à procura dum espacinho nas bagageiras onde a passam deixam – se procurassem outro seria mais fácil….. Vislumbram um espacinho minúsculo e logo pensam que têm o seu problema resolvido. O seu … têm, o dos outros não. E que muitas vezes deixam a bagagem com o rabo de fora o que impede que as bagageiras de fechem. Mais tempo perdido: as hospedeiras deslocam-se pelo avião para fechar as bagageiras, mas muitas recusam-se a fechar por estarem obviamente overbooked  tal como o avião. “Oh, não fecha!” Exclama então admirada a hospedeira. “Tenho de chamar o meu colega. Pode ser que ele consiga”. O colega vem, empurra um pouco a mala. A porta continua a não fechar. Pergunta a quem pertence a mala. Pelos vistos a ninguém, porque ninguém se acusa. Eu diria que será de algum passageiro lá de trás mas como o descobrir? O comissário tira tudo o que está na bagageira… para voltar a pôr lá tudo. Volta a tentar fechar. Continua a não fechar. Decide finalmente retirar a mala e tentar encafuá-la noutro sítio. Assim se compreende como o voo atrasa.
Bem, finalmente, foi anunciado que o embarque estava terminado. Portas em crossed check. Começam os anúncios de segurança. Estranhei não terem pedido aos passageiros sentados na fila de emergência com os televisores  de pôr e tirar que os guardassem. Será que iriam permitir a descolagem com os aparelhos de fora?  Mesmo antes da descolagem, um comissário foi coloca-los um a um nos seus “esconderijos” nos assentos.
Prontamente foi servido o almoço. A escolha do prato principal era pescada cozida com batatas (quem é que se lembra de oferecer um prato de dieta a bordo?!) e novilho com massinha. Decidi-me por este e por vinho tinto para o acompanhar. A entrada de salmão fumado não foi má. Agora o prato principal foi horrível. A camada de baixo da massa estava… encruada e a de cima …. seca do  forno. As couves de Bruxelas desfaziam-se de tão cozidas que estavam. Os pedaços de novilho estavam gelatinosos. A sobremesa era um “wanna-be” bolo da floresta negra com um sabor muito artificial. O que salvou o almoço? O pãozinho com manteiga e as bolachas de água e sal com queijo La vache qui rit.
Durante um tempo houve turbulência. Os anúncios para que as pessoas se sentassem e pusessem os cintos de segurança foram feitos em duas ocasiões… só em português… Ora, os estrangeiros que soubessem a língua de Camões!

A chegada
Angola igual a sempre. O avião aterrou às 19h10. … mas só saímos do avião lá para as 20h. O caminho para aviões é curto mas como só circulavam dois autocarros a saída foi demorada.
Ao chegar ao terminal, deparámo-nos com as habituais longas filas para o controlo dos passaportes – filas que começavam fora do edifício.
E mesmo assim, como toda esta lentidão, a entrega das malas foi igualmente lenta e demorada. Finalmente, com todas as malas em nosso poder, saímos do terminal onde nos esperava já a Elsa da Câmara de Almada e o Pedro Cristina que organizou o raid.

Devido ao adiantado da hora, a ida para o hotel foi rápida, sem os habituais engarrafamentos de Luanda. Jantar, 1º briefing e cama. Amanhã começa verdadeiramente a aventura.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A aventura angolana pode começar

Os sacos estão prontos. Sacos, sim. Saco e não mala para melhor se poderem arrumar nos jipes. E sacos no plural pois temos de levar saco-cama e algo mais de subsistência, uma vez que vamos para o deserto do Namibe (deserto de Moçâmedes quando andei na escola) e durante 4 dias estaremos em auto-piloto, longe e tudo e de todos.

Depois de amanhã a aventura começa. Na realidade já começou, pois a ida ao consulado para pedir o visto faz parte da aventura sempre que se viaja para Angola. As exigências do governo angolano para o visto vão desde a famosa “carta de chamada”, nome horrível, pois a mim ninguém me chamou, sou eu que quero ir passear por Angola (quanto muito foram as paisagens angolanas que me chamaram), à apresentação do extrato bancário, requisito que desta vez não foi exigido por irmos no âmbito da projeto de cooperação entre Almada e o Kwanza Sul. O pedido de visto agora é presencial, toda a gente tem de ir ao consulado para tirar os dados biométricos. Outra aventura. Filas, espera, espera e espera. Vamos de guichet em guichet, intercalando com momentos (grandes!) de espera na sala de espera definitivamente pequenas para todos os que necessitam de tratar assuntos no consulado.

A segunda aventura foi a ida à TAAG pagar o bilhete. Telefonámos para a Central de Reservas disponibilizada para nos informarmos do horário de abertura e a resposta foi bem clara: “Das 8h às 15h”. No dia seguinte, um pouco antes das 9h lá estávamos nós à porta da TAAG. Fechada, claro, pois o horário lá colocado dizia “Das 9h às 16h”! A emissão do bilhete foi como um parto difícil, mas nós como mulheres sabemos o que isso é. Respira-se de alívio quando tudo está despachado.

Bem, agora com os sacos prontos, o passaporte com visto, o boletim de vacinas e o bilhete na mochila, já podemos ir para o aeroporto e começar o nosso raid que nos vai levar de Luanda até à foz do Cunene, às quedas do Ruacaná, ao Huambo (a Nova Lisboa onde nasceu a minha irmã), ao Lobito, ao Lubango e a muitas outras paragens maravilhosas.


Sempre que pudermos, aqui contaremos as histórias da nossa aventura.


terça-feira, 13 de maio de 2014

Cabeço de Vide

A somente 30 minutos de Alter do Chão, temos a vila de Cabeço de Vide. Sobre a sua fundação há poucos registos. Segundo histórias orais contadas à lareira, o nome nasceu da acidentada vida dos seus habitantes. O primeiro povoamento foi feito junto do ribeiro; porém, por razões nunca totalmente apuradas, as pessoas adoeciam muito e morriam. Decidiu-se então a mudança para o cimo do monte que se elevava mesmo ali. As doenças acabaram e os habitantes deram à vila o nome de Cabeço da Vida, que com o correr dos tempos, passou a Cabeço-de-Vide. No entanto, o brasão da vila contém uma vide e há que fale duma grande vide que se encontrava nos terrenos da vila aquando da sua fundação.
A vida na vila concentra-se no Rossio, uma ampla avenida, oficialmente denominada Avenida da Libertação desde 1932 quando a vila deixou de pertencer ao concelho de Alter do Chão e passou a integrar o concelho de Fronteira. Num dos topos do Rossio encontra-se a escola primária e no outro uma casa senhorial do século XIX. No meio, um largo passeio com pequenos lagos com peixes, cascatas, repuxos para tirar a sede a quem por lá se passeia, ladeado por laranjeiras a todo o comprimento, convida a amenas e longas cavaqueiras, especialmente ao fim do dia quando o calor deixa de apertar.
Há dois locais famosos na vila. Um é a estação dos caminhos de ferro, hoje desactivada e transformada em hotel e restaurante, e as termas da Sulfúrea.  O edifício da estação está decorado com azulejos que mostram cenas da vida alentejana, desde a ceifa ao mungimento das vacas, passando pelo lançamento das sementes, pela apanha da azeitona e pelo lavrar das terras.
Não longe da estação encontram-se as termas. Os jardins à volta do estabelecimento termal, com as suas grandes e velhas árvores, fazem da sulfúrea um oásis no Verão. A Junta de Freguesia mandou construir uma piscina natural no ribeiro que corta os jardins, retendo as águas por meio de comportas. As águas medicinais vêm de quatro nascentes e contêm ácido sulfúrico e daí o nome de Sulfúrea e são aconselhadas a diversas doenças.
Como a maioria das aldeias e vilas alentejanas, também Cabeço de Vide tem as suas casas caiadas de branco, com as janelas e portas pintadas a azul (para afastar os maus espíritos) ou outra cor forte.
Com o cair da noite, escolhamos um local para pernoitar. Qualquer que seja a casa que se escolha, terá de certeza uma belíssima lareira, grande, onde no Inverno se passam longos serões a conversar, a ler ou a jogar… ou somente a olhar o lume.

As lareiras alentejanas são para mim um espelho da grandeza das suas terras. No Alentejo há espaço, nada é acanhado. Pode respirar-se à vontade. Como diz Miguel Torga: “Encho os olhos de terra. / No Alentejo, há muita e é de graça. [...] / O Alentejo é o fôlego, a extensão do alento” (in “Alentejo”, 1988). 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

As cowgirls também têm lugar de destaque - o Museu Nacional das Vaqueiras em Fort Worth

Texas. Um dos estados americanos cuja imagem é dominada pela figura do cowboy, o vaqueiro. E no entanto, neste ambiente extremamente machista as mulheres também têm vindo a conquistar, a pulso, o seu lugar. Que é mostrado no Museu Nacional das Vaqueiras, o National Cowgirl Museum.
O museu foi criado para celebrar as mulheres, do presente e do passado, cujas vidas são um exemplo de coragem, resiliência e independência. Mulheres que ajudaram a dar forma ao far west americano e que lutaram pelos seus ideais e pelo espírito de autossuficiência que inspiram.
A coleção principal alberga mais de 6 000 imagens de cowgirls de caráter tão diferente como Tillie Baldwin, Mamie Hafley e Vera McGinnis, entre muitíssimas outras: as mulheres do far west! Mulheres que tomaram e tomam conta de grandes manadas de vacas, que administram ranchos e que se divertem em rodeos.


Ao visitar o museu ficamos a conhecer as vidas destas mulheres que vingaram num ambiente dominado por homens e que conquistaram o seu apreço.
Exterior do museu é também digno de ser visto. Desenhado por David M. Schwarz, o estilo é cowgirl puro! Usando a técnica de trompe l’oeil, Richard Haas transformou os exteriores do edifício em fachadas que deixam os visitantes de boca aberta, pois conseguiu dar vida ao seu mural, no qual cinco vaqueiras a galope parecem estar a galopar em direção às pessoas que estão a ver o mural.

A estátua da cowgirl à entrada é de Mehl Lawson que com a sua “Princesa do deserto” - uma vaqueira no seu cavalo — dá as boas vindas aos visitantes. Mehl Lawson é membro da Associação dos Cowboy Artists of America , tendo já ganho numerosas medalhas de ouro em diversas exposições internacionais.





Houston, um dos centros espaciais dos EUA

Foi fundada em 30 de agosto de 1836 pelos irmãos Augustus Chapman Allen e John Kirby Allen junto à baía de Búfalo. Foi incorporada em 5 de junho de 1837, tendo recebido o nome do então presidente da República do Texas, o famoso General Sam Houston, que comandou a Batalha de San Jacinto que ocorreu a 40 quilómetros a leste de onde a cidade foi estabelecida.
O objetivo desta nossa visita a Houston era o Centro Espacial Johnson e a NASA, o único lugar na terra onde os visitantes podem "fazer uma viagem para fora deste mundo" através da história da exploração do espaço.
Desde 1992, o complexo educativo e de entretenimento de 17 mil metros quadrados, com um custo de construção de 75 milhões de dólares, serve milhões de visitantes de todos os cantos do mundo com diversas exposições permanentes.
Para ver todo o complexo há que fazer três tours, sendo o principal o que leva os visitantes até ao Centro de Controlo das primeiras missões espaciais — é fantástico sentarmos-nos nas cadeiras então reservadas aos chefes de estado para seguir o lançamento dos foguetões. Sentimos-nos parte da História ao estar ali no local onde se ouviu o astronauta Neil Amstrong da Apolo 11 a dizer “Houston, Tranquility Base here. The eagle has landed. We came in peace for all mankind”. Ou James Lovell, Jr. da Apolo 13 a comunicar o seu problema: “Hey, Houston, we have a problem here”! 
Nesta visita guiada feita num comboiozinho os visitantes têm igualmente a oportunidade de estar num hangar onde se guarda uma réplica do transportador espacial dos astronautas e no Rocket Park, onde se pode ver a gigantesca nave espacial dos inícios do programa espacial, a Saturn V.
Neste Centro Espacial, inúmeras outras exposições, quase todas interativas.
A Galeria dos Astronautas
A Galeria dos Astronautas é uma exposição única, sem paralelo, que apresenta uma interessante coleção de fatos dos astronautas. As paredes da galeria também contêm fotos de cada tripulação americana que foi para o espaço.

A Estação Espacial Internacional
Viajando a mais de 28 mil quilómetros por hora, a Estação Espacial (ISS—International Space Station), tem 79 m de largura, ou seja, dois campos de futebol juntos. Dezasseis países cooperaram para tornar a ISS uma realidade. Foram necessários 43 voos para levar para lá todas as partes.
Como o centro de visitantes oficial de NASA, o Space Center Houston mostra a história do programa espacial dos Estados Unidos onde podemos ver uma réplica de 9 metros da ISS que flutua sobre o simulador SGI. Os visitantes têm a oportunidade de examinar a estação num ambiente muito idêntico ao que os astronautas experimentam na ISS.



Teatro Northrop Grumman 
O objetivo do presidente John F. Kennedy de levar o homem à Lua antes do final da década de 60 do século XX foi iniciado algumas décadas antes. Aqui os visitantes podem ver num ecrã gigante como tudo começou, a evolução dos equipamentos e o treino por que passam todos os que querem ser astronautas. Já foram para o espaço mais de 300 pessoas desde a primeira nave espacial, a Mercury, em maio de 1961, que levava a bordo o astronauta Alan Shepard, Jr.  O filme mostra a vida dum astronauta desde que é notificado da sua primeira missão.

Sensação do espaço
O módulo "vivendo no espaço" simula o que a vida poderia ser para os astronautas a bordo da estação espacial— com humor ficamos a saber como se levam a cabo tarefas tão rotineiras em terra e complicadas no espaço como tomar banho ou comer.

Galeria STARSHIP 
Nesta exposição podemos seguir o progresso dos programas de voos espaciais americanos. Esta incrível coleção inclui um modelo do original Mercury Atlas 9 "Faith 7", o "Gemini V" pilotado por Pete Conrad e Gordon Cooper, um veículo lunar, o módulo de comando do Apolo 17, uma réplica do Skylab Trainer e do Apollo-Soyuz Trainer.
O Skylab foi a primeira estação espacial usada também como laboratório e centro de investigação. Depois dos programas de Mercury, Gemini e Apollo, o Skylab foi desenhado para desenvolver métodos de como viver no espaço durante largos períodos de tempo.
Enfim, a visitar leva-nos ao imaginário do que são os programas espaciais — aqueles que levaram o ser humano á lua, àquele que foi “a small step for a man but a giant leap for the mankind” como disse Neil Armstrong ao pisar a lua em 1969.




segunda-feira, 21 de abril de 2014

Emirates prepara primeiro voo para Viena operado pelo A380

 A Emirates, responsável por ligar pessoas e lugares em todo o mundo, anuncia um novo serviço especial para Viena, operado pelo A380 já a partir do próximo mês. O avião de dois andares, com capacidade para transportar mais de 500 passageiros, fará história como o primeiro A380 a operar no Aeroporto Internacional de Viena.
A 26 de Maio, o voo operado pelo A380 vai substituir os voos EK 125 e EK 8126, partindo do Dubai pelas 17h15 e chegando a Viena pelas 21h10.O voo de regresso partirá de Viena pelas 00h20 chegando ao Dubai às 08h00 do dia seguinte.
"Gostaríamos de agradecer às autoridades Austríacas e ao Aeroporto Internacional de Viena por apoiarem a implementação desta operação exclusiva da Emirates A380", declara Thierry Antinori, Executive Vice President and Chief Commercial Officer da Emirates.
"Comemorar uma década de operações bem-sucedidas em Viena representa um marco histórico para nós e demonstra o nosso compromisso contínuo com a Áustria, que se tornou um destino-chave da Emirates, no que diz respeito a viagens de negócios e de lazer,  assumindo-se ainda como um ponto de entrada estratégico para as economias emergentes da Europa Central e Oriental."

A Emirates tem desenvolvido as suas operações em Viena através de uma abordagem estratégica de forma a aumentar gradualmente os seus serviços, de acordo com a procura registada no mercado, conseguindo, desta forma, obter altos níveis de ocupação por voo. "Esperamos que a icónica cidade de Viena se torne parte de nossa lista de cidades internacionais servidas pelo A380. Mas, mais importante ainda, esperamos ser capazes de oferecer o nosso produto de classe mundial, adicionando uma maior conveniência, tanto aos nossos passageiros na Áustria como aos milhares de visitantes internacionais que desejam viajar para lá", acrescenta Antinori.
"Há dez anos atrás a Emirates ligou-se a duas regiões importantes de negócios e turismo, no Médio Oriente e na Áustria. Ao longo desse tempo, a Emirates e o Aeroporto de Viena desenvolveram uma excelente parceria, e estamos ansiosos para continuar esta produtiva cooperação no futuro", declara Julian Jäger, membro do Conselho de Flughafen Wien AG Management.
A Emirates voa para a Áustria desde Maio de 2004 e aumentou gradualmente os seus serviços de 4 para 13 voos por semana, actualmente operados por um B777-300ER. Desde 2004, a Emirates transportou mais de dois milhões de passageiros na rota entre Viena e Dubai.
Actualmente, os 13 voos semanais da Emirates para Viena são responsáveis por mais de 5.000 postos de trabalho em tempo integral, na Áustria, gerando uma actividade económica no valor de 104 milhões de euros por ano.
A Emirates tem actualmente 47 aviões A380 em serviço e 93 em encomenda, mais do que qualquer outra companhia aérea no mundo, tendo recebido no último ano 12 destes gigantes aviões de dois pisos. Desde o lançamento do seu primeiro voo operado por um A380, a Emirates transportou mais de 23 milhões de passageiros. Os dois pisos do A380 oferecem espaçosos lugares em Classe Económica, assentos totalmente reclináveis ​​em Classe Executiva e suites privadas em Primeira Classe. No total, o avião tem capacidade para transportar entre 489 e 517 passageiros, dependendo da sua configuração. Os passageiros de cabines premium podem usufruir do Lounge a bordo para Primeira Classe e refrescar-se num dos shower spas a bordo.
Os passageiros de todas as classes podem desfrutar de mais de 1.700 canais dos mais recentes filmes, programas de TV e música de todo o mundo, para além de uma série de jogos disponíveis no ICE, o premiado sistema de entretenimento a bordo da Emirates. A mais recente tecnologia permite que os passageiros se mantenham contactáveis durante todo o voo, através de acesso Wi-Fi de alta velocidade, telemóvel e serviços de dados.
No ano passado, a Emirates expandiu os seus serviços de A380 na Europa, Austrália, Ilhas Maurícias e nos EUA. Este ano, a Emirates lançou já serviços para Zurique e Barcelona, e será lançado um novo voo para Dallas, operado por um A380, ainda este ano.

Cadernos de Viagem, nº 98, Torre de Palma Wine Hotel