sexta-feira, 29 de junho de 2018

Tomar acolhe Mundial de Wakeboard - já amanhã 30/06


Primeira estância do mundo de wakeboard com entrada gratuita em 2018

A Wakeboard Portugal, estância de wakeboard em Castelo de Bode, acaba de anunciar o calendário de eventos desportivos e abertos ao público a realizar ao longo do verão.

O destaque vai para o Tomar Pro Wakeboard a 30 de junho, a passagem do mundial da modalidade por Portugal, bem no centro da cidade templária e com o Rio Nabão como cenário, e para a possibilidade de experimentar o desporto gratuitamente ao
longo de todo o verão.


A realização da prova é um acontecimento de grande importância para a cidade e para o concelho, já que se enquadra naquela que tem sido a política recente do Município de garantir a realização regular de grandes eventos culturais e desportivos capazes de atraírem a Tomar grande número de visitantes, contribuindo para a sua consolidação como polo turístico de excelência, não dependente apenas do Convento de Cristo.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Centro de Comunicação dos Oceanos para conhecermos melhor o mar à nossa volta

O Centro de Comunicação dos Oceanos, idealizado e organizado pela jornalista náutica Nysse Arruda, é uma iniciativa que pretende divulgar e partilhar informação atualizada sobre a variadíssima temática sobre os Oceanos, interligando todos os países de Língua Portuguesa a partir de Lisboa, que se tornará assim num pólo de informação acerca dos Oceanos.

A partir de ciclos trimestrais de palestras LiveStream e presenciais, proferidas por personalidades nacionais e internacionais e sediadas em locais históricos de Lisboa.

O 1.º ciclo de palestras terá lugar em Lisboa na Academia das Ciências de Lisboa (Rua Academia das Ciências, 19, Lisboa) a 4, 11, 18 e 25 de julho, às 16h. 

O Centro de Comunicação dos Oceanos conta como padrinho os velejadores olímpicos Portugueses João Rodrigues (veterano windsurfista madeirense com sete participações em Jogos Olímpicos) e madrinha Joana Pratas (a primeira e mais jovem velejadora portuguesa nos Jogos Olímpicos num barco à vela, participante de uma travessia do oceano Atlântico a bordo do NRP Sagres, Embaixadora do Plano Nacional de Ética no Desporto e Embaixadora das Nações Unidas).

Dentre as personalidades internacionais a apoiar o projeto destacam-se o velejador Brasileiro tricampeão olímpico Torben Grael (skipper vencedor da Volvo Ocean Race 2008-2009 a bordo do veleiro sueco Ericsson); o surfista Americano de ondas gigantes Garrett McNamara e a ONG Americana Marine MegaFauna Mozambique.

Uma audiência virtual internacional
A ideia central do projeto é fomentar a interligação ativa entre as diversas entidades e autoridades vinculadas ao mar e à náutica e, principalmente, as universidades e centros de investigação, as autoridades locais de cada país, as organizações não-governamentais e as fundações em Portugal e nos países de Língua Portuguesa, criando assim uma audiência participativa e consciencializada acerca dos assuntos atuais relacionados aos Oceanos.

As palestras serão virtuais e interativas, com sistema de liveStream, em conexão direta com as diversas entidades e com divulgação no website www.ccoceanos.pt e nas redes sociais (Canal YouTube, Facebook, Twitter, Instagram etc.) reunindo em direto os públicos dos países de Língua Portuguesa e das comunidades de Língua Portuguesa no mundo.

O projeto recebeu apoios institucionais do Ministério do Mar (cuja Ministra Exma. Sr.ª Eng. Ana Paula Vitorino integra a Comissão de Honra ao lado do diretor-geral do Instituto Hidrográfico, Contra-almirante António Manuel de Carvalho Coelho Cândido), do Ministério do Ambiente, da Câmara Municipal de Lisboa, da Academia das Ciências de Lisboa, do Instituto do Mar e da Atmosfera, IPMA, além de uma Declaração de Mérito da UNESCO-Portugal e congratulações da Presidência da República.

De realçar o patrocínio principal da EGF-Environment Global Facilities (empresa europeia de referência no setor ambiental e líder no tratamento e valorização de resíduos em Portugal), co-patrocínio da EPAL e o apoio do Media Partner Internacional, a empresa inglesa Polaris Media, especializada em comunicação no setor marítimo internacional.

O Centro de Comunicação dos Oceanos é uma Associação sem Fins Lucrativos sediada em Lisboa com o objetivo de incrementar a consciencialização global acerca do conhecimento dos Oceanos e consequentemente do problema da poluição marinha. Foi fundada em Março de 2018 pela jornalista náutica Brasileira/Portuguesa Nysse Arruda.
O principal objetivo do Centro de Comunicação dos Oceanos é proporcionar um fórum global onde especialistas das mais diversas áreas relacionadas com os Oceanos possam divulgar e partilhar conhecimento com o público dos países de Língua Portuguesa, criando assim um polo de comunicação sobre os Oceanos em Lisboa.
A equipa organizadora reúne Tânia Li Chen,  bióloga marinha, e Rafael Bittar.
A Associação tem o apoio institucional e reconhecimento das seguintes entidades:   
·       Presidência da República
·       Ministério do Mar – Comissão de Honra
·       Ministério do Ambiente
·       Câmara Municipal de Lisboa
·       Instituto Hidrográfico – Comissão de Honra
·       Academia das Ciências de Lisboa
·       UNESCO-Portugal – Declaração de Mérito
·       Associação Naval de Lisboa (ANL)
·       Marine MegaFauna Mozambique
·    EGF - Environment Global Facilities patrocinador principal
·       EPAL, Águas de Portugal – co-patrocinador
·       Polaris Media – Media Partner internacional
·       YouAreLive-Digital Solutions – Parceiro tecnológico

Nysse Arruda
Nysse Arruda é jornalista especializada em náutica há mais de 20 anos em Portugal, tendo sido colaboradora dos jornais Público, Diário de Notícias e Expresso e de diversas outras publicações brasileiras e portuguesas. Foi agraciada com o Prémio Femina 2016 pela Divulgação da Cultura de Matriz Portuguesa.
Autora e CEO do primeiro website sobre desporto à vela em Português – www.nyssearrudasailing.com – entre 2010 e 2013. É também autora de diversos livros sobre o tema publicados no Brasil e em Portugal: Whitbread Race 1989-90; Mar à vista, A Portugal Telecom e a Vela; ISAF Sailing World Championships Cascais 2007; America's Cup World Series-Cascais 2010; e Volvo Ocean Race 2011-2012, além de uma obra dedicada à capital portuguesa – A Beleza de Lisboa-Eléctrico 28, uma viagem na História, publicada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda em 2010.
Foi repórter especial na Expedição Antárctica de 1986, a bordo do navio polar Barão de Teffé, da Marinha Brasileira, e na Regatta Columbus 1992, a bordo do Tall Ship polaco Dar Mlodziezy.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

CHÃO DO RIO – TURISMO DE ALDEIA, primeira unidade de turismo rural em Portugal com certificação biosphere


Oito meses depois do incêndio que originou o seu encerramento temporário, o Chão do Rio – Turismo de Aldeia celebrou a sua reabertura oficial, com um arraial popular no seu espaço exterior, à sombra de carvalhos. Este momento de alegria foi especialmente marcado pelo recebimento das mãos do Presidente da Câmara de Seia, Filipe Camelo, da certificação "Biosphere Responsible Tourism", tornando-se na primeira unidade de Turismo Rural em Portugal a receber esta certificação, evidenciando assim as suas práticas exemplares na área do turismo sustentável. 

Os referenciais internacionais "Biosphere Responsible Tourism" foram os primeiros a serem reconhecidos e acreditados pelo Global Sustainable Tourism Council. A "Biosphere Responsible Tourim" é promovida e desenvolvida pelo Instituto de Turismo Responsável, uma das organizações responsável pela promoção dos princípios da Carta Mundial do Turismo Sustentável, tendo estabelecido um memorando de entendimento com a UNWTO e UNESCO
para o efeito. 


A "certificação Biosphere Responsible Tourism" atribui e reconhece o trabalho em prol da sustentabilidade de destinos e empresas do setor turístico, certificando as suas boas práticas de sustentabilidade em linha com os seus diversos referenciais internacionais e procurando sempre um forte equilíbrio entre os três pilares da sustentabilidade: económico, social e ambiental. 

O Chão do Rio espera que esta certificação seja um impulso importante para relançar a unidade no mercado, depois do seu afastamento temporário. 

terça-feira, 29 de maio de 2018

100 anos de Geórgia

A Geórgia está a comemorar o 100º aniversário da fundação da primeira República Democrática da Geórgia, proclamada a 26 de maio de 1918.

Com a Revolução Russa de 1917, o Império Russo colapsou, dando origem a diversos estados e federações, entre elas a Federação Transcaucasiana. Quando esta se fragmentou, surgiu a República Democrática da Geórgia com capital em Tbilisi e georgiano como idioma oficial. No entanto não sobreviveu muito tempo e, devido a diversos problemas internos e externos (as relações da Geórgia com países vizinhos eram instáveis), a jovem nação sucumbiu à invasão do exército vermelho da República Socialista Federativa Soviética da Rússia (mais tarde, URSS) de abril de 1920, tornando-se uma república soviética no início de 1921.
Após o desmantelamento da União Soviética, a independência da Geórgia foi restaurada a 9 de abril de 1991. 26 de maio, o dia da proclamação da República Democrática da Geórgia, ainda é celebrado como um feriado nacional — o Dia da Independência da Geórgia.
A Geórgia é um país que vive hoje entre o modernismo e a tradição. É um prazer passear pela capital, Tbilisi e observar os edifícios, cuja arquitetura é uma mistura de estilo georgiano mas com fortes influências bizantinas, europeias-orientais e do neoclássico russo. Claro que várias décadas de presença soviética também deixaram marcas arquitetónicas.
A Ponte da Paz na capital, Tbilisi, pode ser vista como o seu símbolo. Trata-se de uma ponte pedonal de 156 metros que lembra um animal marinho, de arquitetura muito moderna, com um dossel de painéis de vidro no espírito do Norman Foster, projetada pelo arquiteto italiano Michele de Lucchi e pelo iluminador francês Philippe Martinaud. Foi construída com uma estrutura transparente e luminosa, em aço e vidro. À noite, 30 000 lâmpadas LED executam um verdadeiro espetáculo de luz em 4 tempos: no 1º, ondas de luz percorrem a ponte de um lado ao outro, no 2º as ondas de luz nascem em ambos os lados da ponte, encontrando-se ao meio e esbatendo-se até se apagarem, no 3º iluminam-se primeiramente os contornos exteriores da cobertura e depois toda a cobertura, terminando a sequência em escuridão total, no 4º toda a cobertura cintila como se fosse um céu estrelado. Estas sequências transmitem uma mensagem em morse: os nomes da tabela periódica dos elementos que constituem o corpo humano. De acordo com o arquiteto, "esta mensagem é um hino à vida e à paz entre os indivíduos e os povos".
Tbilisi  tem tudo para uma pequena viagem: arquitetura fantástica, mistura eclética de moderno e antigo, comida saborosíssima, ótimos vinhos e um povo muito hospitaleiro. Fundada no século V por Vactangue I, rei georgiano da Ibéria, e elevada a capital no século VI, Tbilisi depressa se tornou um importante centro, uma vez que estava na Rota da Seda, estrategicamente localizada no cruzamento entre a Europa e a Ásia. O nome da cidade vem da palavra georgiana "quente" ("tbili"), devido às fontes termais quentes que existentes na cidade, descobertas acidentalmente. Reza a lenda que andando um dia a caçar, o rei Vactangue I viu um animal ferido que entrou numa fonte de água e saiu de lá sem ferimentos (há uma outra lenda que nos fala de um falcão com que o rei caçava que caiu numa das fontes e morreu queimado). O rei ficou de tal modo espantado que mandou construir-se ali uma cidade.



segunda-feira, 14 de maio de 2018

Strelley e o caminhos dos monges


Tínhamos decidido dar um passeio pelos belos campos de colza, bem amarelos nesta época do ano na região de Nottingham (Inglaterra). Chegámos a uma pequena estrada. O passeio de um dos lados era composto por grandes lajes com aspeto de já terem sido usadas há vários séculos.

Estávamos a chegar à vila de Strelley e logo à entrada a explicação. Estas lajes faziam parte do chamado caminho dos monges do século XIV e que ligaria os mosteiros e fazia a ligação a Nottingham e ao rio Trent. Conta a lenda que os monges usavam mulas para o transporte das lajes e que traziam uma de cada vez que usavam o caminho.
A ocupação de Strelley já vem desde os tempos romanos.  Perto da atual localidade havia um forte romano. No entanto, os primeiros habitantes do local terão  sido um grupo de bárbaros. O primeiro registo da vila é porém de 1086 e encontra-se no chamado “Domesday Book”, um  um grande levantamento da Inglaterra, uma espécie de recenseamento,  mandado fazer por Guilherme I de Inglaterra.
A vila sofreu muito durante a Peste Negra de 1348: dos seus 300 habitantes, morreram mais de 200! Como gratidão por ter sido poupado, Sir Sampson de Strelley mandou erigir a Igreja de Todos os Santos em 1350.


O edifício mais importante de Strelley é o chamado “Strelley Hall”, uma casa senhorial que passou por diversas fases. As antigas cavalariças foram transformadas num simpático café, o Mulberry Tree Café, onde se comem uns deliciosos scones e bolos caseiros.


quinta-feira, 26 de abril de 2018

Nottingham, cidade do Robim dos Bosques


Fui a Nottingham cheia de expectativas. O que iria encontrar na terra do mítico Robim dos Bosques? O castelo? A floresta? A fonte dos amores?
Em Nottingham, tudo roda à volta de Robim dos Bosques. O aeroporto foi baptizado “Aeroporto de Robim dos Bosques”. Há estátuas, ruas e até um festival que lhe são dedicados. E do que resta da floresta de Sherwood, ainda existe a árvore à volta da qual se reunia em conselho Robim e os seus amigos (!).No convento de Kirklees, perto de Nottingham, hoje em ruínas, existe uma campa com a inscrição "Aqui jaz Robard Hude" – tratar-se-á do nosso Robim os Bosques?
Parece que por volta do ano 600 d. C. existiria naquele local uma localidade quem faria parte do reino de Mercia e que era conhecida pelo nome de Tigguo Cobauc, que significa “o local das cavernas”. Quando caiu nas mãos de Snot, um do senhor da guerra saxão, passou a denominar-se "Snotingaham", a cidade do povo de (Inga = as pessoas de; Ham = terra).
Em 867, Nottingham foi tomada pelos vikings. No século XII, já como domínio anglo-saxão, foi construído o castelo, e a localidade passou a denominar-se Nottingham.
Durante a Revolução Industrial, a cidade prosperou graças à indústria têxtil, tendo crescido muito rapidamente; no entanto, devido a uma péssima política urbanística, Nottingham ficou com a fama de ter os piores bairros de lata de todo o império britânico. Após a II Grande Guerra, a indústria têxtil inglesa caiu bastante, uma situação que afectou especialmente a cidade. Alguns dos edifícios industriais foram abandonados pelos seus proprietários, tendo sido felizmente restaurados pelo município e adjudicados a outras actividades. Ainda se podem admirar diversos casas vitorianas desenhadas por alguns arquitectos como por exemplo Alfred Waterhouse que mostram bem a importância da cidade no século XIX.

O centro vital da cidade é a praça do mercado, que é usada para as mais diversas manifestações desde mercados de artesanato a praias (!) – sim, no ano passado foi ocupada com vários metros cúbicos de areia. Esta praça é a 3ª maior do Reino Unido e é dominada pela Câmara Municipal, construída nos anos 20 do século XX; as suas colunas barrocas e os dois leões de pedra à entrada espelham o orgulho da cidade nesse tempo. Aliás, como podemos reparar ao passear pela cidade, Nottingham tem uma grande variedade de estilos arquitectónicos, alguns dos quais datam ainda do século XII e outros são já do século XXI.
O bar Ye Olde Trip To Jerusalem, paragem obrigatória em qualquer visita à cidade; pensa-se que seja de 1189, sendo assim, o pub mais antigo de Inglaterra – no entanto, outros há que disputam este título.

Entre as atracções turísticas, a cidade tem para ver, entre outros, a bela catedral católica de São Barnabás, concebida pelo arquitecto Augustus Welby Northmore Pugin e consagrada em 1844, o Museu de História Natural instalado no Wollaton Hall, um dos melhores exemplos de palácios isabelinos de Inglaterra, e, claro, o famoso castelo, palco de tantas histórias de Robim dos Bosques. Esta personagem é que faz atrair 300 000 visitantes estrangeiros por ano, que também se passeiam pela Floresta de Sherwood, revivendo as histórias deste nobre que roubava aos ricos para dar aos pobres e que foi sempre fiel ao seu ri, Ricardo Coração de Leão. E, não há que o esconder, foi Robim dos Bosques que nos atraiu a Nottingham.



terça-feira, 24 de abril de 2018

Memphis e Nashville – o berço do rock ‘n roll e da música country


Elvis Presley, o rei do rock ‘n roll, construiu, à saída de Memphis, Graceland, uma mansão enorme, decorada em estilo muito duvidoso, mas que mostra os rios de dinheiro que ele ganhou ao longo da sua vida... e que a filha continua a ganhar com as visitas dos fãs... Em Janeiro, por altura do aniversário de Elvis, e em Agosto, no aniversário da sua morte, há verdadeiras romarias a Graceland, especialmente a Jardim da Meditação, onde estão as campas de Elvis e dos pais.

Ainda em Memphis, podem ser visitados os Estúdios Sun, onde Elvis gravou o seu primeiro disco, para oferecer à mãe no dia do seu aniversário, e o polémico Museu dos Direitos Civis, fundado no motel onde Martin Luther King foi assassinado. A varanda onde aconteceu o assassínio está marcada com uma coroa e à frente está estacionado o seu carro. A polémica sobre a criação deste museu é porém grande, havendo um grupo de activistas que pensa que o sonho morreu e que o museu só serve para piorar o nível de vida dos negros.




Continuando porém no campo da música, temos também de ir a Nashville, o berço da música country. Para ficar a saber tudo sobre este tipo de música tão em voga nos anos sessenta e que ainda não morreu, há que visitar o Music Hall of Fame. Na cidade há ainda dois pontos de interesse: o Parque do Bicentenário, onde se escreveu a história da cidade e do Estado de Tennessee em placas de granito e o ... Partenon, uma cópia fiel e em tamanho original do Partenon grego....
Continuar a passear na região, há que parar em Lynchburg e visitar a fábrica do famoso whisky americano Jack Daniel’s, que está instalada num condado seco, ou seja, numa região onde há inúmeras proibições em relação às bebidas alcoólicas. A aldeia vive do passado, mantendo Lynchburg com o aspecto duma aldeia do século XIX. As suas 400 almas não correm contra o tempo; vão-no deixando passar suavemente, sem pressas. O tempo ficou parado. Parada no tempo ficou também a estação de comboios de Chattanooga, tornada famosa por Glenn Miller com a sua canção “Chattanooga Choo-Choo”; a estação foi agora transformada em hotel, mantendo não só a traça antiga como os comboios antigos, transformados em quartos de hotel.


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Pelo interior do Líbano



Estávamos em Beirute, mas logo depois do pequeno-almoço partimos para o interior. A saída de Beirute estava totalmente entupida. Depois, começámos a subir, mas não descobríamos a auto-estrada. Parámos numa farmácia, perguntei pela auto-estrada… era aquela a estrada para Baalbeck. Auto-estrada não havia... A estrada era péssima, sempre a subir, só com duas faixas, cheia de camionetas. Mas finalmente, o trânsito melhorou, a estrada melhorou, e o caminho tornou-se bem agradável. Montanhas, montanhas, áridas, sem vegetação alguma, cabras e ovelhas.
Primeira paragem, Aanjar, também conhecida por Haouch Moussa (a quinta de Moisés). Foi fundada por refugiados arménios que fugiram da Turquia, do “Grande Genocídio” de 1915, no qual pereceu mais de um milhão de pessoas.
Interessante em Aanjar são as ruínas da antiga cidade omíada, construída há 1300 anos. A cidade era fortificada, cortada em quatro quartos iguais por duas grandes avenidas de 20 m de largura. Foi construída nos primeiros tempos do Islão, sentindo-se assim ainda grandes influências das antigas culturas. Parece que o material usado foi reciclado de antigas estruturas bizantinas, romanas e gregas.
Visitar Aanjar à hora de maior calor não terá sido ideal, mas foi a hora possível… Havia relativamente poucos turistas, mas… uma cobra enorme, talvez de 1.5 m, bem preta que se assustou com os nossos passos.
Para refrescar, fomos até Ksara, onde visitámos as caves. O Chateau de Ksara são as caves mais antigas do Líbano — o nome vem da palavra árabe qsar que quer dizer castelo. As primeiras vinhas foram plantadas em 1857 por padres jesuítas. O vinho amadurece numas caves naturais, nuns túneis já usados pelos romanos e descobertos durante a 1ª Grande Guerra por mero acaso, como quase sempre acontece nestes casos—2 km de túneis a uma temperatura constante de 11 a 13º C. Além de vinho branco e tinto mono-castas e de multicastas, as caves também produzem arak, a aguardente de anis tão apreciada no Líbano e na Turquia.
Ao final da tarde chegámos a Baalbeck, o centro da Herzbollah no Líbano, mas também o local onde se encontra o maior complexo de templos do império romano. Nem em Itália existe um complexo tão grande! É algo fenomenal. O muro à volta tem pedras de 1 toneladas — como foi possível trazê-las até ali e colocá-las exactamente umas ao lado das outras! Andamos pelos templos e sentimos a História a ser-nos contada pelas pedras. Sobreviveram ao tempo, às guerras aos tremores de terra, um conjunto de seis colunas com a trave mestra original e um templo maior que o Partenon (!), com as suas colunas e o seu tecto todo trabalhado em baixos-relevos.

Ficámos num hotel mesmo em frente das ruínas de Baalbeck — fenomenal abrir a porta da varanda e ver a monumental escadaria, mandada construir pelo imperador Caracalla, que leva ao propileae, um pórtico de doze colunas flanqueadas por duas torres de base triangular. De resto o hotel era simples, três camas e um lavatório, casa de banho e duches comuns. Mas por US$ 30 por noite não se pode pedir muito mais...
Baalbek significa "Deus  do Sol (Baal) de Beqaa" e se refere à região da planície fértil de Beqaa. Segundo historiadores libaneses, o local não era muito importante no passado, pois não se conhecem registos em textos assírios ou egípcios. Sabemos que foi habitada por fenícios; o local foi escolhido por estar próximo de nascentes de água e dos rios Litani e Al-Aasi. Na era dos Seljúcidas e dos Romanos, a cidade era conhecida por Heliópolis (ou "A Cidade do Sol").
A época de ouro de Baalbek começou quando o Imperador Júlio César fundou uma colónia romana na área e construiu um templo em homenagem ao deus Júpiter, com um vão central de mais 4000 metros quadrados, com os maiores granitos em peça única do mundo.Depois do governo do Imperador Trajano, que em muito privilegiou a adoração ao Deus Júpiter, que segundo ele, travou importantes batalhas junto ao Império Romano. Trajano, inclusive, construiu jardins que ligavam a cidade ao templo, com hexaedros de grande tamanho.
Na volta que demos pela cidade, descobrimos a bela mesquita, coberta de azulejos azuis e desenhos persas. É o mausoléu de Khawla, a filha do íman al Hussein. Era dia de festa. Entrámos, mas sentimos alguma hostilidade. Saímos.
De Baalbeck saem duas estradas principais, ambas para Tripoli. Uma dá a volta pelo norte do país e a outra segue por Bcharré e por Os Cedros, a estância de esqui do Líbano. Era esta que queríamos tomar, pois em Bcharré queríamos ver o Museu Kahil Gibran. Começámos a viagem bem cedo.
À hora de almoço, chegámos finalmente a Bcharré, tendo ido directamente para o Museu dedicado a Kahlil Gibran, o grande poeta místico libanês, autor de “O Profeta”, entre outras obras. O museu, que alberga uma colecção de 170 dos seus 440 quadros, foi instalado num antigo mosteiro, comprado por Gibran que aí pensou fazer o seu retiro de velhice. Morreu porém pouco tempo depois da aquisição. Na antiga igreja, está não só a sua cama como também o seu caixão (!).
A alguns metros, uma gruta dedicada a Maria, a que foi dado o nome de Nossa Senhora de Lourdes. Segundo a lenda, um dos monges do mosteiro tinha a seu cargo a horta. Perto do mosteiro não havia água e o monge jardineiro tinha de descer ao vale para ir buscar água para regar a sua horta. Nossa Senhora teve pena dele e, um dia, teve uma visão: Maria que lhe dizia que ali mesmo ao lado havia uma nascente. Um pouco mais acima, está um obelisco em forma de cone (lembra um monte de formigas) que é um antigo túmulo fenício de 750 a.C.
Seguimos por Os Cedros — bem, a “floresta” de cedros é um amontoado, pequeno de cedros. Em tempos, todo o Líbano era coberto de florestas de cedros que foram sendo desflorestadas — e agora já nada existe. Já nada se compara às descrições bíblicas da região - em 1 Reis 5, 6 lê-se: “Dá ordem, pois, agora, que do Líbano me cortem cedros”. Longe estão esses dias. No Líbano, já não há cedros, mas felizmente ainda muita História.

Galerias da Justiça de Nottingham



Paragem obrigatória de qualquer visita a Nottingham, para além do castelo e de um passeio pela famosa Floresta de Sherwood, é nas Galerias da Justiça, cujo tribunal data do século XIV.
A visita está muito bem concebida com guias/atores que desempenham vários papéis como guardas prisionais ou como encenadores de peças de teatro e que vão explicando aos visitantes a história não só da justiça em Nottingham e em Inglaterra assim como a do edifício.
No hall de entrada somos recebidos por um “juiz”, vestido a rigor que nos faz a introdução ao edifício e nos leva à sala do tribunal, onde põe os visitantes como protagonistas dum caso que deu muito de contar: o de assassínio da mulher dum famoso médico. E com historietas interativas se vai contando a história do edifício e do sistema prisional e de justiça no Reino Unido.
Parece que os primeiros a usar este local para fins oficiais foram os normandos, que designavam xerifes para manter a paz e cobrar impostos— daí o local ser conhecido por “Sheriff's Hall” ou “The County Hall “ ou mesmo “The Kings Hall”
Os primeiros registos escritos sobre o local ser usado como tribunal são de 1375 e como prisão de 1449.
Em 1724, o tribunal ruiu e um novo foi construído no mesmo local entre  1769 - 1772  - como está inscrito no edifício “Este tribunal foi edificado no ano de MDCCLXX , no décimo ano do reinado de Sua Majestade o Rei Jorge III.“ 
À frente do edifício foi colocada uma paliçada de ferro para ajudar a controlar melhor as multidões, que poderiam ficar descontroladas durante os enforcamentos públicos, que eram um espetáculo muito popular.
A última pessoa a ser enforcada publicamente foi o talhante Richard Thomas Parker  em 1864—um “espetáculo” visto por mais de 10 000 pessoas.
No último quartel do século XIX, um novo incêndio voltou a destruir o tribunal que voltou a ser construído entre 1876 e 1879. No entanto, a prisão fechou definitivamente em 1878 por causa das suas más condições.
No início do século XX, em 1905, foi ali instalada uma esquadra da polícia.
Finalmente, em 1986, fechou-se este local de “crime e castigo”.



As grutas de Nottingham – uma cidade sob a cidade



Toda a cidade de Nottingham está construída sobre várias camadas de casas, formando um conjunto de centenas de grutas, um verdadeiro labirinto feito por gerações passadas onde se vivia, trabalhava, se divertia e até se morria durante mais de 1000 anos.
Nottingham está construída sobre arenito macio, uma pedra fácil de trabalhar com instrumentos rudimentares e que permite a criação de grutas onde as pessoas se podiam abrigar do frio e da chuva e de animais ferozes – o local ideal para se ficar se não se tivessem posses. Bastava ter uma pá, um ferro ou um martelo e rapidamente construía uma “casa” para si e para a sua família.
Atualmente, a cidade de Nottingham já catalogou mais de 500 grutas na cidade, incluindo 100 que só foram descobertas nos últimos quatro anos.
Antigamente, Nottingham era conhecida por Tigguo Cobauc que significa “local de grutas”, tendo sido assim referida pelo monge galês Asser, mais tarde bispo de Sherborne, na sua obra A vida do rei Alfredo I, escrita em 893 d.C. quando estava ao serviço do rei. A parte das grutas que hoje se pode visitar é o que de mais antigo existe na cidade. Aqui foram encontradas peças de barro que datam do século XIII. Estas grutas foram habitadas até 1845 quando foi publicada uma lei, a chamada “St. Mary's Inclosure Act, que proibiu o aluguer de caves e grutas para habitação.
Nos finais dos anos 60 do século XX, quando se iniciou a construção do Centro Comercial Broadmarsh ainda se ponderou encher as grutas de cimento. Felizmente, foi criado um movimento cívico para a proteção das grutas que conseguiu a sua classificação como Monumento Histórico; as grutas foram então limpas por voluntários e abertas ao público em 1978.
Das partes mais interessantes das grutas são os curtumes que ali estiveram em funcionamento de aproximadamente 1500 a 1640. É o único curtume subterrâneo conhecido no Reino Unido. Ainda se podem ver os tanques circulares na Gruta da Coluna e uns tanques retangulares numa outra gruta. Como os tanques são pequenos, pensa-se que ali só eram curtidas peles de caprinos e ovinos. Havia uma abertura que dava para o rio Leen onde provavelmente as peles seriam lavadas. O cheiro nas grutas deveria ser insuportável pois as peles eram hidratadas com fezes e urina de animais durante três meses, a que se seguia um estágio de 16 meses em ácidos à base de casca de carvalho e água – não é de admirar assim que os curtidores tivessem uma esperança de vida muito curta, de somente 27 anos. No entanto, o cheiro horrível dos curtumes não tinha somente desvantagens: quando a peste negra grassou na região matando milhares de pessoas, os curtidores sobreviviam pois nem os ratos se atreviam a entrar naquelas grutas.
O bairro do Monte Drury era, como é fácil de imaginar, uma das piores zonas da cidade, sendo até um dos piores bairros de lata da Grã-Bretanha do século XIX. Famílias enormes viviam, dormiam e comiam em “casas” de uma única “assoalhada” nas grutas, completamente sobrepovoadas e sem saneamento algum e onde grassavam doenças como a cólera, tuberculose e varicela. A única medida possível era fecharem-se as grutas.
No entanto, durante a 2ª Grande Guerra, 86 grutas foram reabertas para servir de bunker. Como o arenito macio é muito forte, as grutas eram o lugar mais seguro para proteger os habitantes dos raids aéreos alemães, especialmente durante o grande bombardeamento de 8 de maio de 1941, durante o qual a Força Aérea Alemã largou sobre a cidade 400 bombas incendiárias.

Hoje em dia, as grutas servem a paz, podendo ser visitadas por turistas e escolas.