terça-feira, 14 de junho de 2016

IX RAID Kwanza Sul - Dia 5 - 13 de Junho de 2016

Hoje dormimos numa tenda debaixo de uma árvore de amarula nas margens do rio Cuito. Ainda bem que não há elefantes aqui pois estaríamos com problemas : o chão estava coberto de frutos a fermentar e os elefantes são doidos por amarula fermentada. 
Acordámos bem cedo e vimos p sol a nascer sobre o rio. Um momento mágico. O céu começa a ficar alaranjado, sobre o rio levanta-se um leve véu de nevoeiro e aos poucos a luz vai surgindo. Sentimos uma forte ligação a todo o universo. 
Saímos às 7h00 e a meio da manhã estávamos em Mocusso, na fronteira com a Namíbia. As picadas fizeram-se bem, tinham areais de quando em quando mas muito estradão. 
A passagem da fronteira foi demorada apesar de o Governo Provincial ter prometido publicamente toda a ajuda. Na fronteira angolana a morosidade foi devida ao tratamento manual de todos os documentos - não esquecer que somos uma caravana composta por 18 portugueses, 13 angolanos, 4 luso-angolanos e 1 alemão - e da emissão de 3 salvo-condutos para os angolanos que não tinham passaporte consigo. 
Para os habitantes da zona fronteiriça não há problemas burocráticos. A dada altura chegou, vinda do lado namibiano, uma carroça puxada por uma parelha de bois. O homem simplesmente abriu o portão e a família passou tranquilamente sem apresentar documentos nenhuns. Interessante ver que todos tinham um candjauiti, um porrinho com machado, útil para se defenderem dos animais selvagens com que eventualmente se cruzem e para cortar a lenha, essencial para cozinharem e para se aquecerem. 
Pensávamos nós que a entrada na Namíbia seria simples. Qual quê! Começaram por exigir o carimbo de saída de Angola, que por razões práticas e previamente combinadas com o Governo Provincial,  não tinha sido apostado. Depois quiseram que os passaportes fossem apresentadas pessoalmente. La fomos um a um ao guichet mostrarmo-nos. Depois exigiram que a nossa saída daqui a 2 dias seja feito por este mesmo posto fronteiriço. Ora, o nosso plano é reentrarmos em Angola por Kongola. Felizmente está connosco na caravana o Dr. Gime, representante do Governo Provincial, e que está a tentar resolver essa maka, como em Angola se diz problema. 
Os primeiros 25 km em território angolano são de estradão mas depois entra-se numa estrada asfaltada em ótimas condições. Uma fronteira é uma linha imaginária e no entanto nota-se logo que estamos noutro país com um nível de desenvolvimento totalmente diferente. 
Hoje e amanhã pernoitamos no Mazabala Lodge, uma unidade hoteleira lindíssima. O começo foi logo mágico. Deixámos os jipes no parque de estacionamento e um barco traz-nos ao aldeamento por canais do rio Cuando. Ao longo do percurso vamo-nos cruzando com crocodilos, lindos pássaros que sobrevoam a superfície da água  e grupos de hipopótamos, que mergulham quando o barco passa para voltar à superfície assim que passamos - todas estas bucólicas cenas envoltas na luz encarniçada  do sol poente.  
O aldeamento tem no centro uma casa grande, totalmente aberta e ligada a uma torre de observação de 360 graus. À sua volta estão dispostos os bungalows, casinhas muito simples mas muito bem integradas na paisagem. A parte lateral é toda rasgada mas sem vidros , somente com rede e cortinas do lado de dentro. O teto é de colmo. Sentimo-nos bem na "nossa" casa dos próximos dois dias. 
O aldeamento pertence a um americano de Washington e o pessoal, multi-funções, parecem ser estudantes universitários em férias: todos novos, simpáticos e irradiação positiva.  
O jantar foi servido na casa grande e foi delicioso: creme aveludado de cogumelos, bife estroganof com espinafre, abóbora com canela e arroz e, à sobremesa, bolo ensopado em calda com pêssego. E para terminar a noite uma chávena de chá roiboos. 

segunda-feira, 13 de junho de 2016

IX RAID Kuanza Sul - Dia 4 - 12 de Junho de 2016

Noite bem dormida numa cama king size com lençóis muito alvos e um edredão muito quentinho. 
Ao acordarmos uma surpresa pouco simpática: das torneiras não saía água! Quando já tinha a mala fechada, oiço a água a chegar no autoclismo. Rapidamente me dispo, meto-me debaixo do chuveiro e tomo um belo duche.  
A primeira paragem do dia foi em Kwangar onde houve um grande massacre de Portugueses perpetrado pelos Alemães do Sudoeste Asiático que atacaram o território. O território português estava sob o comando do Tenente Ferreira Durão que foi abatido como todos os outros. 
Esta zona também sofreu muito durante a guerra civil. 
Engraçado ver que hoje as pessoas andam todas muito bem vestidas, verdadeiramente "a ver a deus". Cruzávamo-nos com elas, a caminho da igreja. Tal como as crianças quando vão para a escola, também os adultos levavam as cadeiras à cabeça para a igreja. 
Numa aldeia vimos um grupo de pessoas reunidas debaixo de uma grande árvores, cantando e dançando. Era uma missa muito animada. Ao aproximarmo-nos fomos ligo bem recebidos e integrais nas danças. 
À tarde fomos visitar a Rainha Mutando que nos recebeu com todas as honras. À entrada da sua residência um grupo etnográfico cantou e dançou para nós. Entrámos para o pátio onde havia uma série de cadeiras. Quando a rainha saiu de casa, o grupo acompanhou-a cantando e dançando. Seguiu-se o beija-mão real : todos os presentes passaram à frente dela, ajoelharam-se e deram-lhe a mão. Depois dos discursos oficiais e da entrega das prendas ( 2 sacos de farinha , cadeiras de plástico, uma panela), a Rainha agradeceu a visita. E com "Manda a nossa tradição oferecer água ao visitante porque a viagem foi longa e o visitante vem com sede" convidou-nos para almoçar. Para nós fizeram funge, abóbora cozida, cabrito guisado, miúdos de cabrito,frango guisado, kizaba e, claro, kissângua. 
Já foi tarde quando saímos da casa da Rainha.  A picada para Dirico foi sempre paralela ao rio e entre arbustos. Muito bonito! O pior foi quando caiu a noite. É pior ainda foi a picada para o Dirico Lodge.... Que nem trilhos tinha. E que era a subir durante 4 km em areia!
O lodge era .... um conjunto de grandes tendas militares montadas junto ao rio Cuito - com muito crocodilo - com uma cama de campanha feita a rigor com lençóis alvos é um edredão muito quentinho. De resto nada mais havia na tenda. 
Um contentor com uma sanita e um poliban eram as instalações sanitárias. 
Alguns entre nós tiveram medo dos jacarés e preferiram dormir no carro. Nós não tivemos medo e dormimos na nossa enorme tenda. 




sábado, 11 de junho de 2016

IX RAID do Kuanza Sul - Dia 3 - 11 de Junho

Que bem dormimos hoje num hotel "a sério"! A cadeia Ritz, que nada tem a ver com a portuguesa, tem em Menongue, a Serpa Pinto do tempo colonial, um "lodge " com bungalows espaçosos, limitados com cercas de rosas. A cama tem um bom colchão que permitiu descansar da longa etapa de ontem. E o bom duche de água bem quentinha ajudou a retemperar as forças. Só faltou um 2º cobertor. A temperatura baixou aos 9 graus e a noite foi fresca. Estou a ficar preocupada com as duas noites que vamos passar no mato  sem unidades hoteleiras .... Também pensei nas populações locais. Como devem passar frio nas palhotas feitas de terracota! 

São 11.00 e ainda saímos. Estamos em compasso de espera. Não podemos sair de Menongue. Em Caíla, na fronteira com a Namíbia, não há combustível. A falta de combustível é uma realidade em Angola. Poderíamos ir atestar os jipes à Namíbia mas aqui o problema é a falta de divisas. A organização do RAID  tem um grande quebra-cabeças para resolver. 
Já demos um passeio à volta do hotel. Fomos até ao "mercado": três bancas com uma mão cheia de tomate e outra de peixe. Ah, e uns montinhos de dentes de alho. Nada mais. 
No caminho cruzámo-nos com rapazinhos a brincar com o que têm à mão: uma vassoura a fazer de volante de carro, outro a puxar um carrinho de madeira sem rodas, outro a empurrar um aro. 
As meninas que encontrámos estavam a trabalhar : na banca do mercado , outras estavam a lavar a louça num alguidar com água de natureza duvidosa, outras vinham com as mães com baldes de água à cabeça e nas mãos. Igualdade de género é algo desconhecido aqui. As mulheres são verdadeiras heroínas. Tratam dos filhos e da casa, vão buscar água , tratam da horta, recolhem lenha - tudo isto com os bebés às costas e uma catrefada de outros pela mão. 


Partimos às 12.00. Os primeiros 130 km foram numa fantástica estrada que nos fez suspeitar que essa estrada não terá sido feita por empresas chinesas...
No caminhando vimos , tal como ontem, carcaças de tanques. Não nos podemos esquecer que esta província do Cuando Cubando foi fortemente castigada durante a guerra civil, tendo sido palco de sangrentas batalhas. 
Passámos pela ponte sobre o rio Cubando onde só cabe um carro de cada vez. 
Pouco depois da ponte entrámos na picada com paisagens  encantadoras, montes de térmitas mto grandes, lindas aldeias de tribos koisans, o povo mais antigo do mundo, que falam aquela fantástica língua dos estalidos. 
Almoçámos umas sandes nas margens do rio Cubango onde havia uma linda canoa que fez lembrar "Rosinha, minha canoa" do Erico Veríssimo. 
O sol pôs-se depois de se ter transformado numa bola de fogo bem encarnada. Estávamos ainda a 70 km do destino do dia que tiveram de ser feitos às escuras. 
Chegámos a Kaila onde está a Cuvango Lodge, que também pertence à cadeia Ritz. Pensara que hoje iria voltar a ficar em contentores mas esta unidade hoteleira é lindíssima, chegamo-nos a sentir já  na Namíbia, que está somente a 12 km daqui. 
Os bungalows são enormes, simples mas decorados com muito gosto (só a casa de banho é que é feia). É a cama tem um edredão muito quentinho, ideal para a noite fria que faz. 
A sala de jantar é pouco acolhedora e com luzes neon frias mas o jantar foi delicioso : guisado de galinha do campo com funge que era de comer e chorar por mais. 

Amanhã esperam-nos 300 km de picada... arenosa até Dirico. 



sexta-feira, 10 de junho de 2016

RAID Kuanza Sul - Dia 2 - 10 de Junho de 2016 - Dia de Portugal

Uma noite siberiana. As temperaturas desceram imenso e a madrugada foi de ranger dentes. 
Às 5.45 deixámos os contentores e dirigimo-nos ao restaurante no cimo do monte para tomarmos o pequeno almoço no restaurante
Pusemo-nos em marcha  às 7.05. Partida da fazenda às 7.12. Esperam-nos hoje 700 km!

No caminho passámos por Kibala com o seu grande rochedo, no cimo do qual os Portugueses construíram uma fortaleza. 
Seguimos para o antigo Colonato da Cela, situado na atual cidade de Waku Kungo, antiga Santa Comba Dão, uma pzona pantanosa. Em 1951 foi desenvolvido um grande projeto de secagem dos pântanos para a agricultura e para pecuária 
A Igreja matriz que é uma réplica da igreja matriz de Santa Comba dão, tendo sido construída em 1959/60
A igreja foi recuperada há uns 4-5 anos com p apoio logístico da CMA que tb apresentou um projeto para a sua reabilitação profunda que nunca avançou por falta de financiamento. O nome da cidade vem do nome da pedra que domina o horizonte, Kungo, e de Waku, o nome do monte. 
No âmbito do programa de cooperação a arquiteta Fatima Bulcão  da Câmara de Almada concebeu o projeto para um centro escolar para 1200 crianças na Aldeia Nova, perto de Waku Kungo, que foi apresentado publicamente há dois anos. O projeto está atualmente parado por falta de financiamento 
No Alto Hame, onde ainda existe uma sinalização nossa para Silva Porto.... 
A estrada até aqui é alcatroada .... Só que com enormes buracões, verdadeiras crateras. A condução torna-se muito difícil e cansativa. 
Até Cachiumbo e Chinguar a estrada foi ótima.  
O almoço no restaurante de estrada com comida boa mas em pouca quantidade. 
Chegámos a Menongue já estava escuro. Fomos diretamente para a universidade onde decorrreu a cerimónia de lançamento do livro sobre o Cuando Cubando. 
Hoje estamos muito bem instalados no Luica Lodge 

RAID Kuanza Sul - Dia 1 - 9 de Junho de 2016

Despertar às 5.30. Às 7h30 após uma viagem rápida e sem trânsito até Talatona chegámos à Robert Hudson onde nos esperavam 13 jipes, novinhos, com somente com 94 km no conta-quilómetros. 
Às 8.22 saímos do concessionário da Ford. O RAID começou. No portão todos os jipes "zeraram". 
A estrada de saída de Luanda tem IMENSO tráfego. Até está em boas condições mas o fluxo de trânsito continua compacto. À beira da estrada, kitandeiras e vendedores tentam vender aos condutores fruta, lenços de papel, sims para telemóveis, enfim , tudo o que faz falta - ou não. 
Passámos pelo estádio 11 de Novembro construído para o CAN 2004, pelo pavilhão multi usos construído para o Mundial de Hockey em 2011 - tudo equipado com tecnologia de ponta da Siemens. 
De repente, na Chinatown surgem 4 letras amarelas em fundo azul: IKEA.  IKEA em Angola? Sim, uma IKEA .... chinesa ....
Logo a seguir uma nova centralidade entre Kilamba e Zambo onde está a fábrica da cerveja Tigra. 
Entrámos então na estrada de Catete que está a ser alargada pois é a estrada de ligação ao novo aeroporto. No entanto, a partir daí até ao Alto do Dondo a estrada está péssima. Apesar de ter sido alcatroada de novo há apenas 4 meses está uma lástima com grandes crateras nas bordas e no meio e com a vegetação a tentar tomar conta da via. A condução tem de ser feita com cuidados redobrados por causa dos buracões e do trânsito dm sentido contrário. 
Fizemos a 1a paragem às 11.30 no Alto do Dondo. Até Calulo, uma vila que nos tempos coloniais abrigava a grande colónia  alemã, o percurso fez-se lindamente. Pouco tempo depois começou uma picada de 42 km até à Fazenda de Santa Maria  - saímos de Calulo às 13.30 e só chegámos à Fazenda Xixila às 16h! O caminho era pior que navegar no mar alto. As chuvadas  fizeram profundos veios na picada. A paisagem era porém lindíssima com pequenos montes no cimo dos quais se amontoam pedras e pedregulhos.  

O almoço foi na Fazenda de Santa Maria que produz um delicioso vinho branco, feito de trempanillo e verdelho. Do restaurante, no cimo de um monte , tem-se uma espetacular vista de 360 graus sobre a vasta planície entrecortada por pequenos montes, alguns dos quais parecem
diluir-se no véu que cobre ao longe a paisagem. 
Pertença do general Higino Carneiro, a Fazenda teve um projeto vinoturistico. As 1as vinhas firam plantadas em 2009, tendo sido o 1o vinho feito dois anos depois. No entanto, o lançamento comercial foi so feito  2013. O enólogo é Paulo Mesquita de Trás os Montes. Da vindima de 2014 foram produzidos 
60 mil litros de vinho que só é vendido em Angola. Dessa colheita ainda estão em armazém 17850 garrafas. 
A fazenda também produz uvas de mesa (colheita de 2014: 43 mil kg), diversos licores e uma aguardente de grande qualidade (2014: 3000 l). 
No final da visita à adega fomos surpreendidos com um fantástico espetáculo de cores no céu. O sol tornou-se uma bola de fogo que rapidamente mergulhou no horizonte. Ao mesmo tempo, o céu ficou cor de laranja forte.   
Era altura de ir distribuir os quartos. A fazenda tem 37 contentores  que lembram uma aldeia de operários de uma fábrica. As condições são péssimas! A cama é pequena. A tampa da sanita, de muito má qualidade, estava partida. Só havia uma toalha. Os geradores de eletricidade estão mesmo juntos aos contentores  - vai ser uma noite ruidosa.  Mas como estamos cansados vamos com certeza dormir profundamente. 


So que... nos perdemos no caminho do restaurante para os contentores. Metemo-nos por uma picada onde só havia capim alto. E no céu milhares de estrelas. Andávamos , andávamos e só víamos capim. Nada de contentores. Ao fim de quase 10 km de voltas, pedimos ajuda pelo rádio que temos nos jipes. Nem sabíamos se ainda alguém estaria nos jipes. Felizmente ainda estavam pessoas a regressar. Todos os carros desligaram as luzes para assim ser mais fácil localizarem-nos. E por fim encontrámos o grupo e juntos fomos para os contentores. 

quarta-feira, 8 de junho de 2016

IX RAID do Kuanza Sul - Dia 0 - 2a parte

Voo muito agradável. A classe económica da TAAG é muito confortável. E como não ia cheio ficámos com espaço. 
O almoço foi bom e o serviço rápido. 
As 6h45 do voo passaram rapidamente. 
A chegada a Luanda foi... uma chegada a Luanda. Alguns do grupo foram parados na fronteira porque tinham muitas t-shirts... Mas tudo se resolveu. 
À saída do terminal do aeroporto fomos atacados por um frio de jovens que nos queriam "ajudar" a levar a bagagem até à carrinha. Apesar de lhes dizermos Que não necessitávamos de ajuda, não largavam. 
A viagem até à ilha, onde pernoitamos hoje, foi rápida. Luanda está totalmente diferente - de todas as vezes que cá venho, encontro uma nova Luanda. 
Em frente do Banco da Angola, estão a ser construídas as torres Kianda. No morro da fortaleza foram feitas construções .... que escondem a fortaleza. A bela fortaleza de Luanda só se consegue ver de esguelha
A Ilha está mais bonita com a frente de praia mais arranjada e muitos equipamentos desportivos. 
o Check in no hotel Marina do Casino foi um processo moroso. Ainda não foi melhorada a burocracia. 
Belo jantar de garoupa com gambas. 
BRIEFING sobre o dia de amanhã, o dia 1 do RAID , e - finalmente - cama

IX RAID Kuanza Sul - Dia 0, 1a parte

São 6.45. O balcão de Check in da TAAG só abre às 7h mas já são muitas as pessoas que esperam para entregar as suas malas.  
Quando o grupo estava completo, distribuíram-se pelas várias pessoas as peças de bagagem em excesso da organização. A CMA leva muito material para distribuir em Angola: livros, roupa, etc.  Esse é também um ponto essencial do acordo de geminação entre Almada e Porto Amboim. 
Mesmo distribuindo as malas, sobraram 3 que foram consideradas "excesso de bagagem". Felizmente como a TAAG patrocina o RAID tudo pôde seguir sem problema. 
O embarque foi muito cedo porque o avião não estava estacionado numa porta com manga. O Boeing 777-300ER da TAAG é novo , espaçoso, com muita claridade. Para lá estão os tempos em que Angola era um El Dourado para os Portugueses e os voos para Luanda andavam  cheios que nem um ovo. Agora as viagens a Angola já não têm stress: para se tirar o visto já não há multidões que nos faziam perder quase um dia inteiro, os  voos andam meio cheios. Antigamente a classe de viagem que enchia em primeiro lugar era a Executiva. Hoje a parte da frente do avião vai praticamente vazia. E a Económica vai com muitos lugares vazios. 

São 11 h e ainda faltam passageiros. Deveríamos estar a descolar e ainda estamos no chão, de portas abertas...

terça-feira, 7 de junho de 2016

IX RAID do Kuanza Sul - Dia -1



Mochila feita. Não foi fácil. Que levar para este raid em Angola? Teoricamente nem é precisa muita roupa. Mas como muitas vezes na vida, teoria e prática nem sempre coincidem. É certo que não necessitamos de muita roupa, mas há um mínimo a transportar - onde se incluem as 12 t-shirts e um polo (uma para cada dia) do IX RAID do Kuanza Sul. O problemático - se assim o quisermos designar, são as noites nas Terras do Fim do Mundo onde não há nada. Ou seja, há que levar saco-cama, colchonete e roupa para o frio. É que as temperaturas variam dentro de um leque muito alargado: dias muitos quentes e noite que podem andar pelo 8-10 ºC. E sem equipamentos hoteleiros, pode ser que a noite seja, não ao relento, mas quase.

Como temos limite de bagagem, o outro problema que surge ao fazermos a mala é onde arrumar roupa e brinquedos que queremos distribuir pelas populações. Decididamente, não há espaço para tudo. 
Pois bem, mochila feita. Check-in feito. A viagem pode começar.
Terras do Fim do Mundo. A administração colonial portuguesa assim chamou à maior província de Angola, no sudeste do país. Bem longe dos centros de decisão, ninguém queria ir para lá. Faltava infraestruturas. Era mesmo o fim do mundo
O governo do novo país quis mudar o destino dessa província. Começou por lhe alterar o nome para Terras de Progresso devido ao seu potencial económico.São 192 mil km2 cruzados por muitos rios com clima tropical a semi-desértico. A região tem boas perspetivas turísticas graças à sua fauna de grandes e pequenos animais africanos - palancas, elefantes, rinocerontes, hipopótamos, leões, hienas, onças, pacaças, etc. - à grande variedade de aves que atraem os ornitólogos de todo o mundo.
Os rios com as suas águas límpidas são bons para a prática da piscicultura. As terras férteis e as ótimas condições climáticas favorecem o desenvolvimento da agricultura. Atualmente as culturas exploradas são essencialmente alimentares (milho, feijão, mandioca, batata doce), mas a região tem potencial para o café e a cana do açúcar.
Amanhã partimos para Luanda e no seguinte começará a aventura africana. Em 13 etapas, num total de 4 000 km, iremos até ao Bico, o canto angolano que faz fronteira com a Namíbia e um pouco mais norte com a Zâmbia.

Pela 9ª vez, a Câmara de Almada organiza um raid por terras angolanas no âmbito do acordo de geminação com Porto Amboim, na província angolana do Kuanza Sul "com o objectivo de divulgar o turismo ecológico e o intercâmbio cultural com a comunidade angolana". 


domingo, 8 de maio de 2016

As cascatas de Tallulah

Planeáramos passar um dia no Parque Natural de Tallulah, a 1h30 de Atlanta (EUA). Tínhamos ouvido falar os trilhos deste parque que na garganta do rio Tallulah cujas águas caem em diversas cascatas no fundo das quais haveria um lago onde se poderia nadar. Era esse mesmo o objetivo do nosso passeio.
Partimos depois do pequeno-almoço. Apesar de sabermos que só se dão 100 autorizações por ida para descer a garganta íamos esperançadas de conseguir receber uma, pois os dias andavam ronhosos a temperatura tinha caído abruptamente.

A garganta do rio Tallulah é uma das formações geológicas mais antigas na América do Norte. É um dos canyons mais espetaculares na parte leste dos EUA com 3,2 km de comprimentos e aproximadamente 300 m de profundidade. Uma ponte suspensa balança a 24 m por cima da água, proporcionando vistas fantásticas sobre o rio e sobre a Cascata de Furacão (Hurricane Falls).
Criado Parque Estatal em 1992, a Garganta de Tallulah é gerido num parceira público-privada única no país entre o estado e uma empresa produtora de eletricidade.

Chegámos ao parque por volta das 11h. A guarda-florestal que nos deu a autorização teve de nos ler as normas – que por acaso também estávamos escritas no verso do impresso. Mas o caminho é muito difícil e o Departamento dos Recursos Naturais do estado da Geórgia quer que fique bem explícito que não é responsável pelo que possa acontecer. O risco é todo dos caminheiros.
A primeira parte do caminho faz-se “com uma perna às costas”. A passagem pela ponte suspensa é excitante. Toda a ponte treme com os nossos passos. Ao fundo corre o rio Tallulah. Ao longe vemos duas cascatas: a Água de Ouro com 14 m e a Cascata de Tempesta com a água a cair para a garganta.

Daqui descem-se mais de 500 degraus até às cascatas de Oceana que caem de uma altura de 15 metros. Aqui começaram as nossas dificuldades. Neste ponto há que atravessar o rio por pedras. Só que como tinha chovido muito nos dias anteriores as pedras estavam em parte submersas. Conseguimos chegar a meio do rio saltando de pedregulho em pedregulho. Mas como avançar? Ficámos uns 10 minutos especadas no meio do rio em cima de uma pedra. Que fazer? Voltámos para trás para estudar a situação. Não havia outra maneira de chegar ao outro lado senão passando pelo rio. Descalçámos os sapatos e recomeçámos a travessia.  Da pedra onde já tínhamos estado pusemos o pé sobre uma pedra submersa. A água corria com alguma velocidade não nos deixando ver bem o chão.
Com um pau fomos tateando as pedras e fomos avançando muito devagarinho até à curta margem. Sentámo-nos numa pedra para calçar os sapatos quando, ao olhar para trás, vimos uma cobra a apanhar sol…

Começou então o difícil caminho paralelo ao rio até ao Véu da Noiva de 1,2 km sobre pedras e pedregulhos, alguns dos quais com uma inclinação de 45 graus. Tínhamos de avançar devagar, pois algumas pedras eram muito escorregadias e inclinadas e nós não queríamos ir para ao rio.
Chegámos finalmente ao lago no fundo da garganta. O rio corre aqui por um pedregulho liso com 27 m de comprimento e uns 5 de largura: um escorrega natural que termina num pequeno lago. Uma maravilha a meio da caminhada. Rapidamente vestimos o biquíni e fomos para cima do pedregulho. Depois foi só sentarmo-nos e deixarmo-nos levar pedregulho abaixo até mergulharmos no lago!

Depois de nos secarmos, retomámos a caminhada de regresso para a parte alta da garganta. Primeiro havia que voltar a travessar o rio precisamente naquele lugar onde nos sentamos para escorregar… Havia que ter muito cuidado para irmos até ao ouro lado e não irmos parar de novo o lago. O caminho para cima é dificílimo só com pedras, pedregulhos e raízes expostas de árvores. Demorámos uma hora a subir 300 metros! No cimo o caminho é então plano e muito fácil de caminhar, pois a superfície do trilho é feita de pneus reciclados.
Antes de chegar ao ponto onde começámos passamos pela barragem e o seu belo lago com uma convidativa praia fluvial. Estávamos exaustas após termos caminhado durante 4 horas, subindo e descendo pedregulhos, andando por entre árvores, mas valeu a pena. O bosque é lindo e as paisagens fabulosas.