domingo, 22 de junho de 2014

11º dia do VIII Raid do Kwanza Sul: Lubango – Huambo (405 km)

Tantos planos para uma manhã só! É claro que o tempo não chegou e só saímos do Lubango por volta das 15h.
Depois do belíssimo e relaxado pequeno-almoço no Pululukwa Resort, partimos para a Tundavala, onde foi emocionante voltar 40 anos e 2 meses depois. É impressionante esta fenda natural, muitíssimo profunda e estreitíssima no fundo. Trata-se de um enorme abismo de cerca de 1200 m situado na Serra da Leba. É nos penhascos da Tundavala que termina o Planalto Central


de Angola. Aqui o planalto excede 2200 metros de altitude e cai abruptamente para cerca de 1000 metros de altitude, provocando um desnível deslumbrante com fendas colossais na montanha. A paisagem que se tem deste monumento natural com muitos milhões de anos é colossal. São muitas as histórias que correm à volta da Tundavala. Que foi usada durante a Guerra Colonial para atirar angolanos que lutavam pela independência e, durante a Guerra Civil, para atirar elementos da fação oposta, que existem enterradas na terra cápsulas de bala de kalashnikov, usadas em fuzilamentos sumários, e sei lá que mais. Uma maravilha desta natureza liberta a imaginação de todos que por ali passam.

No caminho para o Cristo Rei, paragem rápida no “Chalet”, um café a 3kms da fábrica da Coca-Cola com um cenário relaxante e onde se podem comer produtos lácteos da “Queijaria Serra N’Tandavala”: queijo curado, queijo fresco, iogurte natural, natas, manteiga e leite fresco pasteurizado.
Já durante o tempo colonial, Sá da Bandeira era conhecida pelas suas indústrias lácteas que produziam belíssimo leite, ótimo queijo e fantástico iogurte.
Foi então que o Katana sugeriu que fôssemos à Senhora do Monte, um local de romaria popular no tempo colonial e que ainda hoje junta a população em agosto, nas festas da cidade.
No cimo do monte há uma capelinha incapaz de comportar todos os fiéis. Daí ter sido construído um templo ao ar livre num patamar mais abaixo.
No monte fronteiriço está imponente o Cristo Rei, de braço abertos a proteger a cidade. Terá sido por isso que a cidade foi poupada aos martírios da guerra? Em abril deste ano, a  ministra da Cultura de Angola, Rosa Cruz e Silva anunciou que a estátua, com 14 metros de altura e considerada património nacional, vai sofrer obras de restauro. Além da restauração da estátua, cujo nariz e os dedos da mão direita merecem maior atenção, as autoridades angolanas pretendem também reabilitar todo o espaço envolto do edifício e a própria localidade.
O monumento, mandado construir em 1957 por colonizadores da Ilha da Madeira é praticamente uma réplica do Cristo Rei de Almada em Portugal. Ao contrário das outras três estátuas do Cristo em países de língua portuguesa (Rio de Janeiro, Almada e Díli), a construção do Cristo Rei de Lubango não teve cunho religioso. A ideia nasceu do engenheiro português Carlos Sardinha que viu nas montanhas um cenário ideal para construção do monumento. Após de terminada a obra, o monumento passou a ser um ponto privilegiado dos religiosos.
Com tantas paragens, quando chegámos à loja Mabílio de Albuquerque onde pretendíamos comprar panos, já estava fechada. Seguimos para a catedral, onde decorria a consagração de mais um sacerdote.
O almoço na pastelaria Arte Doce fez atrasar muito a partida. A maior parte da estrada era alcatroada (mas com grandes buracos de quando em quando), mas os últimos 92 km, entre Caconda e Cuíma, eram de picada – que iríamos fazer à noite com valas, burcas, pessoas, animais, motoretas. Ainda por cima, um carro partiu o amortecedor e tudo se atrasou.  
Chegámos ao Huambo às 21h30, ainda a tempo de jantarmos um delicioso calulu de carne seca, regado por um vinho tinto Chaminé.

Depois de jantar, o Hans-Jürgen e eu fomos à procura da casa dos meus Pais. Como referência, tínhamos…uma fotografia da minha Mãe à porta da sua vivenda. Felizmente, este tipo de vivendas eram típicas das casas dos oficiais e conseguimos que nos indicassem o Bairro dos Quartéis, agora Bairro de Santo António. Só que era noite cerrada, não havia luz e não havia pessoas na rua para perguntarmos. Ainda parámos no quartel mas o soldado que estava de guarda nada sabia. Desistimos e decidimos voltar no dia seguinte.